Natal: preparativos em NYC

 

As ruas mais emblemáticas de New York City estão diferentes. Os edifícios, as lojas, as montras lembram que o Natal está a chegar. As pessoas multiplicaram-se e correm numa azáfama que permite perceber que aqui a palavra “crise” não existe. Palmilhar agora a “Fifth Avenue” é como entrar numa revista de luxo, onde as marcas se sucedem umas às outras e parecem ter entrado num concurso que premeia a fachada, a montra, a decoração interior natalícia.

Enquanto uns se dedicam às compras, outros preferem patinar sob o olhar atento da maior árvore de Natal. Ali, no Rockefeller Center a tradição volta a ser o que sempre foi. As luzes percorrem os muitos metros de altura do pinheiro trazido de propósito da floresta para o centro da Grande Maçã e emprestam calor e magia àquela praça. Um espaço sempre apinhado de pessoas e verdadeiro encontro de raças e credos. Também a estrela Swarovski empresta a sua magia e aquece um recanto do espaço paredes meias com a entrada para o Top of The Rock.

Patinar no gelo é por esta altura do ano uma das muitas diversões que New York oferece. Não vou ousar destacar/sugerir um espetáculo, restaurante ou bar. New York City é diversidade e aqui há sempre uma surpresa ao virar da esquina. Um sítio para refeição que nos parece melhor do que outro, um espaço que ao longe parecia um armazém abandonado quando na realidade é uma galeria de arte…

Por exemplo, em pleno coração da cidade, no Union Square Park e sob o olhar atento de George Washington, Abraham Lincoln ou de Gandhi, somos surpreendidos por um mercado agrícola. Neste espaço, onde os agricultores vendem diretamente ao público, há bancas tal qual em Portugal. Há couves-flor amarelas, roxas, verdes, couves que parecem árvores de Natal mas que afinal são “romanesco broccoli”, molhos de cenouras com a rama, couves-de-bruxelas ainda agarradas ao caule que lhe serviu de berço, queijos feitos pelas mãos dos pastores, massas cozinhadas e prontas a comer, pão dos mais diversos tipos.

Numa outra banca há lã e produtos alimentares provenientes de carneiro. E claro, os pinheiros e as coroas de Natal naturais. Coroas que tanto podem ser de azevinho, pinheiro ou de piri-piris.

New York é por esta altura do ano uma cidade de temperatura baixa. Mas Central Park é Central Park. Aqui, se por um lado o frio leva o corpo a querer andar, por outro os ouvidos ordenam para que paremos e apreciemos o som que um negro tira do seu trombone, ou mais à frente o som que uma branca de sotaque francês tira do seu violino.

A escolha não é fácil, mas os graus pouco acima de zero fazem com que continuemos. Caminhamos e cruzamo-nos com a Alice que teima em estar no País das Maravilhas. Num dos tuneis de Central Park encontrámos os Tribal Baroque, um duo formado pelo músicos Lila Angelique e Thoth, que vimos em Lisboa, em Agosto, e cuja música tem tanto de sedutor como de estranho. Num dos topos do parque mais um ringue de patinagem e o barulho de uma alegria que nem o frio consegue apagar. É quase Natal e ainda não temos uma única prenda…

Mas estamos em New York e viver os preparativos para o Natal é perceber que a tradição é mesmo algo que está no ADN. Que a festa do nascimento do Menino Jesus não é apenas e só a visita do Pai Natal. Percebo isso em cada rua onde passo e cujas casas já estão decoradas a preceito. Aqui vive-se e sente-se de maneira diferente. As casas que ontem tinham à frente abóboras, bruxas e aranhas estão agora decoradas com pais-Natal, renas, estrelas, flocos de neve iluminados que prestam à paisagem uma magia que nos leva à infância.

A porta que ontem tinha uma enorme teia de aranha a receber-nos tem agora uma coroa de azevinho ou de piri-piri a dar as boas-vindas. Uma magia que mexe com todos, e que aqui leva os graúdos a entrarem numa espécie de concurso para ver qual o vizinho que mais se esmera na decoração natalícia, quer no exterior, quer no interior da casa.

 

Curiosamente, as cidades não ostentam as luzes públicas que recordo das cidades portuguesas. Aqui, a iluminação da via pública é reduzida ou praticamente inexistente, mas cada morador trata de dar calor à rua que escolheu para chamar de sua.

 

Por Maria Graça Teófilo em Nova Iorque

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.