Pedro Chagas Freitas apresenta o seu novo romance “In Sexus Veritas”

 

Pedro Chagas Freitas_Lançamento In Sexus Veritas

Pedro Chagas Freitas – escritor, orador e professor de escrita criativa que já conta com 19 obras publicadas – acaba de apresentar o seu mais recente romance “In Sexus Veritas”.O Onde Ir colocou-lhe algumas questões sobre esta obra editada pela Chiado Editora e que nos conta, em mais de 1500 páginas, a história de várias personagens com perfil caricato e incomum, que abrilhantam e apimentam o avanço da história: Um trolha homossexual. Um jogador de futebol filósofo. Um humorista deprimido. Uma prostituta de alma. Um assassino refinado. Uma prostituta de corpo. Um homem que consegue pensar e sentir o que os outros pensam e sentem.

Uma obra que é um gigantesco monumento, uma mistura frenética do poema e de trhiller, através da qual Pedro Chagas Freitas visita os mais profundos calabouços da humanidade: o amor, a morte, a inveja, a paixão, a raiva, a mentira, o ciúme. E o sexo. Sempre o sexo. Porque é nele que se encontra a verdade. PVP.: €28 euros.

 

Entrevista com  Pedro Chagas Freitas:

Onde Ir – O que o levou a escrever este livro?

Pedro Chagas Freitas – A questão terá de ser colocada ao contrário: o que é que não me levou a escrever este livro? Tenho, nele, todo um catálogo de personagens que representa um catálogo de visões sobre o que é estar vivo. E toda uma história que pretende revisitar os mais assustadores fantasmas que o indivíduo, todos os indivíduos aliás, todos os dias, tem de enfrentar. É, no fundo, uma obra que há muito tempo queria escrever – mas ainda não o sabia. E só o facto de eu ser um palerma explica este atraso na sua produção. Mas antes tarde do que nunca, certo? Espero que os leitores tenham essa mesma opinião quando terminarem a obra. E se não tiverem peço que não me digam nada. Sou apologista de que todas as críticas são boas quando são boas. Quando são más não são tão boas assim. Por outro lado, o facto de ser uma obra com quase 1500 páginas faz com que, no limite, possa ser um belo instrumento de ginásio. Trata-se então de um livro útil até para quem não o quer ler. Podemos estar perante algo revolucionário.

 

Porquê o sexo como tema?

Pedro Chagas Freitas – O sexo está espalhado, em alguns casos literalmente, por toda a obra. O que, bem vistas as coisas, não é nada de mais – uma vez que o sexo está espalhado, em alguns casos literalmente, por toda a vida. E esta obra pretende, acima de tudo, isso mesmo: ter, em si, todas as vidas do mundo. Sei que é algo megalómano – mas existe algo mais megalómano do que escrever um livro e querer fazê-lo bem? Na verdade, a questão sexual é apenas uma das temáticas do livro – há muitas outras que, ao longo das muitas páginas, vão sendo puxadas lentamente para que possam ser analisadas à lupa. O que pretendi com a escolha deste tema foi procurar perceber de que forma o sexo, o desejo sexual, pode relacionar-se com o Homem, a raça humana, nos seus mais diversos domínios. Há como que um a.S. e um d.S. – o antes e o depois do sexo – nesta obra. Quem manda em quem afinal: o Homem manda no sexo ou o sexo manda no Homem?

 

Todas as personagens foram pensadas ou foram surgindo na feitura do livro?

Pedro Chagas Freitas – Ao contrário do que é habitual no meu trabalho de pré-criação da obra, em que parto de um “e se?” e só depois avanço para as personagens, neste caso nasceu primeiro o ovo do que a galinha; isto é: cheguei antes às personagens e depois à história. A história surgiu como necessidade para enquadrar da melhor maneira as sete personagens. E a história só atinge patamares de quase demência criativa porque só patamares de demência criativa poderiam abarcar personagens tão díspares e singulares como estas. Só uma história destas poderia ter personagens destas.

 

Que ilações podemos tirar ao ler este livro?

Pedro Chagas Freitas – Não acredito em tirar ilações. Prefiro acreditar em criar questões. A criatividade está na pergunta – e não na resposta. Quero – talvez algo ingenuamente – que quem ler este livro coloque questões que até ali nunca tinha colocado. O que daí advém não sei – nem estou muito interessado em saber. Quero lançar debate interior, reflexão, emoção até, mas não quero, como tão bem Saramago disse um dia, colonizar ninguém. Se pode haver uma ilação a retirar da obra só pode mesmo ser essa: quantas questões nos podemos colocar na vida?

 

“Um livro e um país nele retratado, que sofre um repentino surto de impotência sexual, revelando todas as dimensões que esse instinto animal afeta. Descrevendo – detalhadamente – a nova organização sociológica formada em torno desta limitação.” Portugal pode ser visto assim na atual conjuntura que atravessa?
Pedro Chagas Freitas –
Portugal sofre, de facto, neste momento, de um problema de impotência. Um problema trágico de impotência. Ninguém consegue rasgar o que há para rasgar. E o mais dramático na vida de alguém – e na vida de um país – é a incapacidade para rasgar, para estraçalhar, o que só pode ser rasgado e estraçalhado. Enquanto não partirmos alguns vidros – e falo, pelo menos para já, metaforicamente – nunca poderemos ver limpidamente. Porque já não é possível limpar tanta porcaria da frente dos nossos olhos. Há que fazer o que custa muito para evitar continuar no que custa só um bocadinho – mas que se eterniza. Viver numa sub-felicidade constante é uma tristeza de todo o tamanho.

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