A nova “Luz” de Cuca Roseta

“O fado veio dar sentido a tantas palavras que estavam guardadas em gavetas”. Cuca Roseta mostra algumas dessas palavras em “Luz”, o seu novo trabalho. Um disco que, diz, é o reflexo da sua verdade. Ao Onde Ir conta ainda o seu sítio preferido para apreciar a luz da cidade do fado, Lisboa. E promete uma digressão “muito especial” a partir de março.

Por Wilson Ledo

O primeiro “single” deste novo álbum chama-se “Balelas”. Já lhe contaram muitas ou foi poupada?
Já me contaram muitas. Acho que, na vida, todos temos vários momentos em que nos contam balelas. Faz parte. Esta é uma descrição que acho muito engraçada dessa vivência ou experiência com que muitos se identificam e que é toda ela contada com provérbios portugueses.

A Cuca assina também algumas das canções do álbum. Como é esse processo, de recolhimento ou antes de abertura ao que a rodeia?
Acho que é um processo natural, desde pequenina que escrevo o que penso e sinto. O fado veio dar sentido a tantas palavras que estavam guardadas em gavetas, sem sentido. Foi interessante pensar que estes sentimentos passaram a ser partilhados. É muito gratificante perceber que são até momentos de inspiração para os fãs que me seguem.

Quais são as canções assinadas por si? Que histórias contam?

“Saudade e eu” e “Versos contados” são os dois temas totalmente meus. Depois há várias parcerias em que assino as letras. “Saudade e eu” é a história de amor que vivo, sempre com saudade. É uma canção que escrevi para o meu marido. Já “Versos contados” é a descrição do fado, de como deve ser respeitado, traduzido, interpretado, transformado – uma espécie de descrição de tudo o que acontece quando se canta este género musical tão especial e que tem tanto que se lhe diga.

Há vozes mais críticas que dizem que a verdadeira essência do fado se tem perdido com as influências de outros géneros. A Cuca, que faz essas misturas, como os contraria?
Não contrario, não concordo. O fado nunca vai morrer. Um fadista por cantar outros géneros não deixa de ser fadista. A Amália [Rodrigues] cantou todos os géneros em todas as línguas do mundo e nunca deixou de ser fadista. O fado tradicional estará sempre vivo e o fado mais moderno também ajuda a manter vivo o fado tradicional. Este fado que se tornou Património Mundial na voz de Amália Rodrigues não foi o tradicional, mas estas canções ou fado canção: conquistaram o mundo e o fado continua vivo e cantado de várias maneiras. No meu disco existe fado – é o género que mais amo e mais gosto de cantar – mas também folclore, músicas de infância, música popular e até [com inspiração de] África ou Brasil. É um disco eclético, como eu, neste momento da minha vida. Um disco é o reflexo da verdade que quem o canta e a verdade é que oiço muita música e tenho muitas influências. Quando há fado, há fado e ponto. Quando não há, não há. Um não se mistura com o outro.

O álbum saiu a 10 de novembro. Onde podemos ouvi-la nos primeiros tempos?
Faremos vários concertos aqui em Portugal e fora até março. Em março [de 2018] arrancamos com uma grande “tour” cheia de “Luz”. Não posso avançar mais com as surpresas, mas vai ser uma “tour” muito especial.

O álbum chama-se “Luz”. Sendo Lisboa a cidade do fado, também conhecida pela sua luz, qual é o seu lugar preferido para apreciar a luz de Lisboa?
O avião. Quando chego e vejo esta Lisboa linda deitada no rio, de manhã, de tarde ou de noite, Lisboa é a luz do mundo.

Que fado, daqueles que constituem o nosso imaginário coletivo, gostaria de interpretar/adaptar num futuro próximo?
Quero gravar ainda muitos fados. Um dos que mais gosto e ainda não gravei é o “Noite de Santo António”. 

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