Águas alcalinas – moda ou saúde?

Cada dia que passa assistimos a mais adeptos à ingestão de águas alcalinas com o pressuposto do “milagre” da alcalinidade, que prometem neutralizar a acidez do sangue e purificar o organismo com ações antioxidantes, promovendo a capacidade de prevenção de doenças neoplásicas.

Contudo, a realidade é bem diferente, já que a comunidade científica não apresenta qualquer estudo científico que possa sustentar estas alegações.

O que sabemos é que o nosso corpo humano, máquina quase perfeita, possui um “sistema-tampão” capaz de neutralizar o pH de tudo o que entra no organismo (alimentos e medicamentos essencialmente) de modo a não permitir oscilações no pH do sangue e células.

Nós somos compostos por diversos pH´s. O pH da urina oscila entre 5,5 e 6,5, o do estômago entre 2,5 e 3,5. Assim, após absorção dos alimentos para a corrente sanguínea e transportados estes estarão já ajustados ao ambiente normal desses compartimentos corporais.

De facto, existem alimentos capazes de, após a sua absorção, alterar o pH da urina, não o do sangue; uma acidificação da urina não é tradução de uma acidose metabólica, nem de efeitos adversos para a saúde.

Em relação ao cancro, acontece uma fermentação aeróbica em que as células cancerígenas fermentam glicose e produzem ácido láctico levando a uma acidificação do meio envolvente (efeito de Warburg).

Assim, acidez dos tumores é uma consequência e não uma causa!

Considera-se uma água alcalina, aquela que apresenta um pH superior a 7.

O verdadeiro segredo da ingestão da água alcalina está na sua mineralização. Geralmente estas águas têm maior quantidade de minerais como o potássio, cálcio e magnésio, mas também maior quantidade de sódio. E só por esta razão, a ingestão destas águas deverá ser acautelada.

Ainda acresce dizer que se bebermos sempre água alcalina, ela vai neutralizar a acidez do estômago e como consequência negativa, diminuir a capacidade de digestão.

Em suma, a água é um bem essencial à sobrevivência, deve fazer parte da nossa rotina diária. A ingestão de água deve ser o fator mais importante na sustentabilidade de qualidade de vida de qualquer ser humano. Em relação a que água escolher, eu acho que o melhor é alternar entre a água da torneira (filtrada se necessário) e águas minerais, tendo sempre em atenção a escolha alternada entre marcas.

Mónica Santo

 

 

Por M. Carolina Santo

Dietista e autora do livro, em conjunto com Susana Alves, “Sopas, saladas e sobremesas detox” 

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