Ana Marques fala do seu livro “O vinho que Lisboa tem”

“O vinho que Lisboa tem”, assim se chama o livro da jornalista Ana Cristina Marques, editado pela Caminho das Palavras. São 96 páginas, onde os amantes do néctar dos deuses vão encontrar 16 quintas produtoras, 26 wine bars e ainda 10 garrafeiras dedicados ao vinho da região de Lisboa. Um livro que pretende levar o leitor a conhecer as quintas produtoras de vinho com valência de enoturismo, na região vitivinícola de Lisboa, mas também os wine bars onde se serve vinho a copo e os petiscos tradicionais que chegam à mesa.

Por Sandra Martins Pereira

Fotografia Ricardo Bernardo/adegga

O Onde Ir esteve à conversa com a autora do livro e colocou-lhe algumas questões:

Ana qual foi a maior dificuldade que encontrou para reunir a informação que disponibiliza neste livro?

Ana Marques: Talvez a maior dificuldade tenha sido o facto de o enoturismo ser algo recente da região Vitivinícola de Lisboa, o que faz com que não esteja tão publicitado como noutras regiões. Um bom exemplo é o facto de ter encontrado mais uma ou outra quinta quando achava que o trabalho estava terminado. E certamente haverá mais projetos do género, que espero poder contemplar no futuro.

Contemplou 16 quintas produtoras da região de Lisboa. Pensa que os leitores têm ideia da existência de tantos produtores?

Acho que, de um modo geral, quem não trabalha na área do vinho (ou não é seu grande amante) não tem ideia das propostas interessantes da região. Confesso que nem eu tinha a real noção disso até começar a fazer este trabalho. Foi uma surpresa descobrir que posso ir visitar tantas quintas interessantes a tão curta distância da capital, sobretudo numa altura em que o vinho e o turismo a ele associado está tão em voga.

Fala-se muito das regiões do Douro ou do Alentejo, mas a de Lisboa, é ainda um pouco desconhecida. No que diferem estas regiões umas das outras e o que falta a Lisboa para promover os seus vinhos de igual forma?

Primeiro, Lisboa é diferente do Alentejo e do Douro tendo em conta os seus cenários. Ou seja, lá em cima o Vale do Douro e os seus socalcos são um grande cartão-de-visita. Acho que se pode dizer o mesmo da paisagem alentejana. Lisboa talvez tenha um cenário menos incomum, mas que não deixa de ser interessante e de merecer uma visita. O perfil dos vinhos de Lisboa é também muito único, e isso é uma grande mais-valia. Não sei dizer ao certo o que falta para a região ser mais conhecida (talvez uma cada vez maior aposta no enoturismo), mas espero sinceramente que este guia ajude.

Tem algum livro de eleição entre esta recolha que fez?

Antes de começar a trabalhar para este guia fui à procura dos que já existiam. Felizmente, a parte da pesquisa coincidiu com o lançamento ou relançamento de vários livros. É evidente que estudei muito os guias de enoturismo da Maria João de Almeida e também o do Expresso. Também devorei o livro dedicado ao Barca Velha da Ana Sofia Fonseca por gostar muito do seu estilo de escrita. Consultei estes e outros livros, para ter uma ideia do que é esperado de um guia. O livro do Tiago Pais “As 50 melhores tascas de Lisboa” também foi livro de mesa-de-cabeceira, até pelo design incrível e estrutura prática.

Como está a correr o lançamento do livro? Quais as opiniões?

Até agora o feedback tem sido muito positivo. As pessoas têm achado o livro bonito e interessante. Fiquei muito contente quando um especialista de vinhos, que esteve na Wine Summit no Estoril, me veio dar os parabéns pelo trabalho.

Tem na forja outras regiões para novo livro?

Quando escolhi o título do livro tive consciência de que o mesmo deixava muito em aberto. Já me fizeram essa pergunta várias vezes, inclusive na apresentação. Se tudo correr bem… porque não?

Que conselhos dá aos nossos leitores quando vão comprar um vinho?

Que conselhos dar? Que comecem por escolher o vinho pela região preferida e que, depois, prestem atenção às castas e ao ano de colheita. Este pode ser o começo para saber identificar os vinhos de que se gosta mais ou menos. E que, volta e meia, comprem vinho numa garrafeira, onde há muitas propostas a preços muito mais acessíveis do que se julga.

O preço do vinho vs qualidade é mito ou verdade?

Acho honestamente que Portugal tem uma boa relação preço / qualidade. Basta ir lá fora para o confirmar (sei que nos EUA os vinhos são caros, comparativamente com Portugal, até os entrada de gama). Acho que, de vez em quando e sempre tendo em conta as possibilidades financeiras de cada um, se deveria apostar em pagar um pouco mais por uma garrafa de vinho (não é garantido que vai correr tudo bem, mas há uma probabilidade elevada de que isso aconteça).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *