Entrevista a Mimicat. Aí está ela, confortável na sua pele

Só a chamam Marisa quando o assunto é mesmo sério. Mais senhora de si, Mimicat chega com o seu novo álbum, “Back in Town”. E uma agenda repleta de concertos que arranca já a 20 de Setembro. Nada esquisita. “Tanto tenho o sonho de tocar no Rock in Rio como nas festas da Amareleja”.

Entrevista de Wilson Ledo

 

Sabe bem estar “Back in Town” [de volta à cidade]?MIMICAT

Sabe muito bem. Com este álbum sinto-me mais descontraída. Não é uma pressão tão grande assumir e defender uma personagem, que criei se calhar como mecanismo de defesa. Ao longo do tempo fui-me distanciando e agora, com o álbum, estou 100% confortável na minha pele enquanto pessoa e artista.

Já deste pistas com as canções “Fire” e “Going Down”. Que surpresas guardas para o lançamento do álbum?

O álbum vai sair a 22 de Setembro. No dia 20 vamos fazer a festa de apresentação [O Bom, o Mau e o Vilão, em Lisboa, às 18:30]. Aí, as pessoas vão poder ouvir músicas que ainda não lancei. Duas delas são muito importantes para mim, a “Lord” e a “Nobody Knows”. Estou curiosa para ver qual vai ser a reação.

Cada canção é uma história. Que histórias nos trazes?

Quando acabei o álbum anterior, já estava a compor para este. Na verdade, vou compondo e, depois, aquelas que mais gosto e se adequam melhor, compilo. Nas primeiras canções, já notava alterações na minha personalidade criativa. Este álbum retrata essa evolução. Tive de ir mais ao fundo de mim e tentei perceber quem sou enquanto artista. O primeiro álbum foi para apalpar terreno. Neste já sinto que encontrei o meu caminho.

Dirias que é um álbum mais pessoal?

Fala das fases mais negativas, de como me sentia, do ultrapassar dessas dificuldades. Fala das minhas relações pessoais e a forma como as vejo. Isso inspira-me muito para escrever. Quem prestar atenção às letras, consegue conhecer-me um bocadinho melhor.

As letras são em inglês. Sentes-te mais confortável nessa língua?

Ultimamente, tenho estado a compor e a escrever muito em português Aconteceu do nada. Mas o inglês é a minha língua preferencial. Quando estou a compor, a maior parte das músicas que me surgem na cabeça é em inglês.

Quando se cria há influências. Que outros músicos se podem sentir neste álbum?

Ouvi muito o último álbum da Beyoncé, o “Lemonade”. Fiquei, até agora, agarrada ao álbum. Continuo a gostar de tudo o que o John Legend faz também. Outro artista, que era a colaboração ideal para mim, é o James Arthur. Quando ouço as músicas dele, penso que temos tanta coisa em comum.

MIMICATNeste álbum não há colaborações com outros artistas. É uma afirmação depois de um percurso que passou por uma banda?

Isso aconteceu-me com o primeiro álbum. Já não sinto essa necessidade de afirmação. Foi uma das coisas que eu resolvi neste processo de introspeção.

Começaste cedo na música e foste sendo uma autodidata. O que dirias hoje à miúda de nove anos que gravou um disco?

Aprende piano como deve ser. E fui aprender aos 11 anos. Tinha um professor péssimo e foi uma má experiência. Só voltei a tocar piano há uns anos. Toco o suficiente para compor e me acompanhar de uma forma muito simples. Quando era miúda aquilo não tinha grande significado. Sentia zero do que estava a dizer, não tinha noção de profundidade das palavras. Diria à miúda de nove anos para ela crescer um bocadinho e depois, mais velha, gravar um álbum.

Vivemos numa sociedade de espetáculo. É necessário criar uma personagem para vingar?

Achava que sim, que podia ser mais interessante. Quando dei os primeiros passos, havia gente à minha volta a dizer que devia ser mais assim ou assado. As pessoas criaram uma ilusão em relação àquela personagem. Ao vivo, comecei a desmistificar essa imagem e a quebrar a barreira. Na verdade, do que as pessoas gostavam era do meu eu mais verdadeiro.

Mas não a arrumaste completamente.

Em termos de espetáculo, claro que não sou como estou aqui. No palco, um artista tem essa vantagem: podes ser aquilo que quiseres. No palco tenho o meu pior e melhor juntos. É mesmo uma libertação.

Falando em palcos, há algum que gostasses mesmo de pisar?

Desde que tenha condições técnicas e pessoas disponíveis para ouvir a minha música, qualquer palco é bom. Não tenho o sonho de tocar num determinado palco. Tanto tenho o sonho de tocar no Rock in Rio como nas festas da Amareleja. É indiferente, desde que esteja lá o meu público.

Quais são os próximos sítios na agenda?

Vou andar aí pelas lojas Fnac a fazer promoção do álbum, com espetáculo no Colombo no dia 22 de setembro às 21:30. Vou estar a 28 de outubro no Centro Olga Cadaval em Sintra. E em novembro vou estar no Teatro Académico Gil Vicente em Coimbra, a minha terra natal.

Já te chamaram “a Amy Winehouse do Tejo”. Foi um bom elogio?

Claro. Tinha e tenho a Amy Winehouse como uma grande referência. Não estava nada à espera. No Brasil as pessoas pegaram nisso, a imprensa achou graça. Quando fui lá tocar tive uma receção de público incrível, que ainda não tinha tido aqui, com pessoas a voar de outros estados para ir ver o concerto. Foi incrível.

E agora, ainda te chamam Marisa ou só Mimi?

Cada vez mais Mimi. Já quase ninguém me chama Marisa, até mesmo a malta da banda. Só quando são assuntos mesmo muito sérios é que vem a Marisa à baila. 

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