Olhares do Mediterrâneo: Entrevista a Antónia Pedroso de Lima e Sara David Lopes

O Cinema São Jorge, em Lisboa, vai ser a casa da quarta edição do Olhares do Mediterrâneo, de 28 de setembro a 1 de outubro. As organizadoras Antónia Pedroso de Lima e Sara David Lopes contam ao Onde Ir como foi organizar este festival, da seleção dos filmes aos temas que acabaram por se afirmar.

Antónia
Antónia Pedroso Lima

O vosso foco passa pela combinação de filmes que sejam produzidos e que reflitam o papel da mulher. Como chegaram a este foco, o que vos inspirou?

​O nosso objetivo é mostrar filmes que reflitam o olhar das mulheres sobre o mundo em que vivem.  As mulheres e os homens vivem diferentemente nos mesmos mundos sociais e por essa razão têm olhares diferentes sobre o que os rodeia. O nosso interesse é o de mostrar essa diversidade de olhares sobre a realidade e não necessariamente mostrar filmes que reflitam os papéis das mulheres. Neste sentido, alargámos a seleção a filmes que mostrem esse olhar no cinema, não apenas através de filmes realizados ou produzidos por mulheres, mas também pela marca destas na fotografia, argumento ou montagem.

Que temas procuraram refletir este ano no festival Olhares do Mediterrâneo?

Os temas chegam-nos sempre através dos filmes e não o contrário. Nos filmes que nos foram submetidos encontrámos uma diversidade de temas transversais aos géneros de filme ou suas origens, mas destacam-se sempre alguns temas. Este ano, entre outros, destacamos a igualdade de género, a violência doméstica, questões relacionadas com a deficiência e a velhice, preocupações das crianças e dos jovens, os efeitos da crise nas famílias, o habitual regresso às origens. E as migrações forçadas, claro. Sempre. Curiosamente, este ano, migrações de outros tempos também.

Teremos apenas filmes assinados por mulheres ou haverá também alguma representação masculina?

Temos dois filmes realizados por homens. Aqui, o critério de seleção assentou nas mulheres da equipa, num caso uma montadora e uma argumentista.

Sara David Lopes
Sara David Lopes

No mundo atual, em que nos deparamos com alguns retrocessos em direitos que considerávamos conquistados, inclusive nos direitos da mulher, que papel pode ter o cinema para despertar consciências.

Não nos parece que, de uma forma geral, se possa falar em retrocessos neste âmbito. Apesar de tudo, nunca o mundo foi tão consciente da questão dos direitos das mulheres (ou da falta deles), o que é sempre o primeiro passo para o seu reconhecimento. Mostrar cinema feito por mulheres, tal como a exibição de outras formas de participação de mulheres na vida pública, é necessariamente uma forma de despertar consciências e de mostrar que as mulheres participam de forma igualitária neste domínio.

O programa vai além do grande ecrã e inclui exposições e “workshops”. Pôr o público a conversar e trocar ideias é essencial num festival de cinema?

Achamos que este olhar sobre o Mediterrâneo tem várias manifestações complementares. Interessa-nos envolver o público numa pluralidade de atividades que transmitam essa diversidade e que transformem o Festival num espaço de reflexão sobre o Mediterrâneo onde cabem outras coisas que não o cinema, sem perder de vista a sua centralidade no Festival.

Que países vão estar representados entre os 17 que já anunciaram?

Argélia, Croácia, Eslovénia, Espanha, Israel, Itália, Jordânia, Marrocos, Palestina, Portugal, Tunísia e a Turquia. Incluem-se também a Alemanha, a Suíça e a Inglaterra em coprodução.

Como é feita a escolha dos representantes internacionais e portugueses?

O festival abre um período de submissões durante o qual aceita filmes. Os filmes submetidos são depois vistos por uma equipa que inicia um processo de triagem. Chegamos a uma lista mais pequena e procuramos espelhar a diversidade de temas e países que nos chegam nesse “call” para submissões.

Que nomes podem destacar entre as presenças portuguesas?

Temos seis filmes portugueses e dado que estão todos em competição, não seria justo destacar nenhum!

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