Quatro e Meia põem os “Pontos nos Is”

João Cristóvão Rodrigues (violino e bandolim), Mário Ferreira (acordeão e voz), Pedro Figueiredo (Percussão), Ricardo Liz Almeida (guitarra e voz), Rui Marques (contrabaixo) e Tiago Nogueira (guitarra e voz), são os Quatro e Meia. Um grupo que nasceu em Coimbra e que procura, de uma forma descontraída e bem-disposta, conferir novos olhares e sonoridades na composição de canções em português. Três médicos, dois engenheiros e um professor de música que dividem o seu tempo entre duas paixões: a sua profissão e a música.

“Pontos nos Is” é o nome do seu primeiro álbum, com o selo da Sony Music Entertainment, que acabam de apresentar ao público. Dia 14 de julho marcam presença no Meo Marés Vivas e a 12 de agosto estarão no Sol da Caparica.

O Onde Ir esteve à conversa com os elementos da banda para saber o que podemos esperar do seu primeiro algum.

Por Sandra Martins Pereira

Foto_Os Quatro e Meia 2

Quem são os Quatro e Meia?

Somos uma banda que nasceu em Coimbra em 2013, no âmbito de um sarau solidário para angariar fundos para que uma academia de ballet da cidade pudesse ir ao Canadá representar o país. E aquilo que era para ter sido uma prestação musical para esse sarau acabou por se transformar num projeto um pouco mais a sério. Nesse mesmo dia, literalmente éramos 4 elementos, mais um elemento que vale só por meio em termos de estatura, que é o meia leca, o Rui. Quando subimos ao palco perguntaram-nos o nome da banda e como ainda nem tínhamos pensado no assunto, olhando uns para os outros, improvisámos e ficámos os Quatro e Meia.

Mais tarde, passados uns quatro ou cinco meses juntou-se um sexto elemento que é o Pedro, mas o nome já estava enraizado e nós já tínhamos feito o terceiro concerto e assim ficámos, os Quatro e Meia.

São todos de Coimbra?

Estudámos todos em Coimbra, de Coimbra sou eu o Tiago e o João. O Mário é da Sertã, o Ricardo é de Braga e trabalha em Viseu, o Pedro é de Aveiro e trabalha em Cantanhede e o Rui é do Carregal do Sal e é lá que trabalha também. Ou seja, Coimbra foi a cidade que nos fez juntar enquanto grupo e também é a cidade que nos mantém lá como ponto de encontro. É lá que ensaiámos, que gravámos o álbum e o lançámos.

E as vossas profissões nada têm a ver com música…

Exceto o João que é professor de música. Nós não somos propriamente a banda tipo em que alguns elementos se juntaram para fazer música e fazem disso vida, somos pessoas que têm a sua profissão, o seu trabalho ou a sua área, e que para além disso, nos tempos livres quase todos, acabam por tentar ter um lado B que levamos a sério. Ou seja, não consideramos sequer um hobby, porque trabalhamos com uma estrutura profissional quer a nível de editora quer a nível de agência e de equipa técnica.

É uma paixão meio a meio?

São duas paixões, dois amores.

“Pontos nos Is” é o nome do álbum, falem-me sobre ele.

“Pontos nos Is” é o nome do álbum e é o nome também do primeiro tema do álbum, é o nosso primeiro CD, tem 11 temas originais.

Nós fazemos as nossas próprias músicas, mas obviamente com influência e ideias de cada um, sempre partindo de alguns retalhos, um bocadinho de música e letra, que depois se vai juntando às ideias que os outros têm e esses 11 temas feitos por nós e produzidos por nós, são um bocadinho aquilo que é a nossa história nestes primeiros quatro anos de existência, por isso acaba por se chamar Pontos nos Is. Porque cada música é um pontinho no i da nossa identidade enquanto grupo. São temas muito variados entre eles, mesmo em estilos musicais e em temática, mas isso também acaba por definir um bocadinho aquilo que nós somos enquanto grupo, somos extremamente diversos e diferentes uns dos outros, temos gostos diferentes e o álbum espelha um bocadinho disso.

O que é que vamos encontrar?

Muita coisa diferente, há uma sonoridade de música tradicional, até porque os nossos instrumentos são acústicos, mas vamos encontrar letras sobre coisas mais atuais, a intensidade com que vivemos, o nosso dia a dia, o trânsito de manhã antes de ir para o trabalho ou então o dia em que chegamos a casa depois de um dia horrível em que parece que tudo corre mal e o que é que acontece no final desse momento.

Em termos de sonoridades estamos a falar de quê?

Estamos a falar de um estilo que é difícil de definir até para nós e até porque não o queremos fazer. Nós não queremos propriamente ter um rótulo, não queremos ter um estilo muito definido, ou seja, nós tocamos as músicas como gostamos, com as nossas influências musicais e tentamos ter nem um público-alvo ou uma faixa etária de público-alvo, tentamos ter música quase para toda a família. Vamos cantando conforme nos vai surgindo.

Como é que a Sony Music vos descobriu?

Essa é uma pergunta que nos fazemos todos os dias [risos]. A partir de junho do ano passado passámos a ser agenciados pela Primeira Linha, uma agência do Porto. Penso que parte da ligação com a Sony vem dessa ótica. Houve uma aposta da Primeira Linha no nosso projeto e a Sony acabou por surgir depois como um aliado natural, uma vez que já trabalham em parceria entre eles. Por outro lado, a Sony já tinha alguma noção do que nós fazíamos, penso que esta ligação a partir de junho tornou as coisas um bocadinho mais sérias, levou o patamar para um nível diferente e isso despertou na Sony um maior interesse. Também fez com que nós deixássemos e tivéssemos a obrigação de terminar este disco, ou seja, já tinha sido começado, mas não havia propriamente uma data de lançamento ou de fecho, havia sim o objetivo de criar vários temas e de os gravar e depois vir a gravar o álbum. A partir do momento em que passámos a ter uma editora surgiu a necessidade de fechar o trabalho e completá-lo da melhor forma, e fechar um disco chamado “Pontos nos Is”.

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Vocês têm tido muitas visualizações no Youtube…

Temos famílias muito grandes [risos]. Para quem como nós não esperava nada quando criámos o grupo, ou seja, juntámo-nos para um concerto e a partir do momento quando o continuamos e sentimos que havia recetividade do público, tudo aquilo que surgir e vier é lucro. É lógico que temos alguma curiosidade de perceber como isto vai funcionar, se para além daquele público que já temos se vai interessar a mais gente, mas não é propriamente uma obsessão. Sabemos o que fazemos, gostamos do resultado que temos, agora resta entender se o resto do público vai achar piada ou não vai? Mas nós estamos convictos de que sim, de que vamos ter uma recetividade boa e estamos muito curiosos no que toca quais são as músicas que vão mais longe.

Mas nestes quatro anos e meio vocês foram fazendo concertos?

Sim, mesmo antes de termos um agenciamento, nós próprios fazíamos o nosso agenciamento um pouco por todo o país. Em 2016 fizemos um concerto no Teatro do Bairro de forma autónoma, também no Teatro da Cerca, em Coimbra e registámos esse concerto.

É muito difícil conciliar as vossas profissões com esta parte da música?

É extenuante.

Mas sabe bem no final?

Sabe imensamente bem, porque também não existe propriamente um sentimento de que deixámos as coisas a meio. Terminámos um dia de trabalho, está terminado, obviamente que não é possível não pensar nisso depois de sair, mas temos aquela hipótese de nos ligarmos a outra coisa de alma e coração e é bom.

E funciona como escape?

Funciona como escape, às vezes até de uma coisa da outra, porque enquanto profissionais damos tudo quanto o que podemos e depois vamos para a música e damos tudo o que podemos e por isso acaba por ser extenuante, porque estamos sempre em alta rotação. O mundo da música também é exigente, porque também nos coloca alguma pressão para que as coisas surjam. Quer um trabalho quer outro são um escape. Nós estrearmos uma música é a forma de pressão que temos sobre nós, porque temos de criá-la, de prepará-la, temos de ensaiar mais do que o normal. No início a Sony foi fundamental porque nos fez criar objetivos e prazos.

E os vossos pacientes sabem que têm esta faceta artística?

Alguns doentes sabem, descobrem mais tarde, porque há sempre alguém que trabalha connosco que faz questão de o dizer. E as pessoas têm alguma curiosidade e vão ver o nosso trabalho e chegam a aparecer nos concertos mais tarde e, inclusivamente às vezes, algumas pessoas com quem nos cruzamos na nossa atividade enquanto médicos, também são músicos e encontramo-nos mais tarde num festival qualquer.

“Sentir o Sol” é o vosso single de lançamento…

O videoclip foi pensado e escrito por nós, ou seja, tentámos dar o máximo de influência no que toca a essa mensagem que queremos passar na música. A ideia do relógio não pretende simbolizar o escape ao trabalho, mas sim à vida apressada que todos levamos, todo o videoclip acaba por ser uma fuga àquilo que vivemos e apreciarmos aquilo que a natureza nos dá e que neste caso é a praia e o sol.

Acabaram de lançar o álbum, já estão a preparar o próximo?

Estamos a preparar sobretudo os próximos concertos, achamos que temos de mostrar da melhor forma possível a música deste álbum e adaptada aos vários palcos, porque o maior desafio que temos nos próximos meses são os vários palcos diferentes. Ou seja, o nosso habitat natural são os auditórios, é daí que nós surgimos, mas os próximos palcos que vamos ter são exteriores em que temos de adaptar as músicas quer ao nível de ritmo, de introdução e de passagens de músicas.

Nós temos centenas de ideias para novas músicas, mas também queremos saborear esta experiência de ser o primeiro álbum e é óbvio que queremos dar os melhores concertos possíveis quer seja no exterior quer seja em auditório.

Quais são os próximos concertos agendados?

Dia 15 de julho estaremos na Fnac do NorteShopping, no Porto, para sessão de autógrafos. Estaremos no Marés Vivas dia 14 de julho, mas também vamos estar no Sol da Caparica a 12 de agosto, em Souver do Vouga, em Mirandela, Vila de Rei e depois em setembro vamos estar nos recintos mais fechados, vamos estar em Castelo Branco, etc. Talvez também nessa altura comecemos o processo de criação, apesar deste ser constante.

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