Um dia… na Mouraria

Um dia chega para conhecer a Mouraria? Não, mas já é um bom começo

Muito mudou desde as obras de remodelação na Mouraria. O que era um bairro degradado transformou-se numa das zonas mais in da cidade, com novos cafés, restaurantes e pequenos largos onde apetece estar e ficar. E o curioso é que, apesar das remodelações e da presença cada vez mais acentuada de turistas, ainda é possível ter aquela vivência típica de bairro, nomeadamente a leitaria que continua a ser ponto de encontro dos habitantes todas as manhãs, ou das crianças que continuam a brincar despreocupadamente nas ruas.

Aqui, apesar de estarmos no centro da cidade e a 10 minutos a pé do Castelo de S. Jorge, ainda se vive uma tranquilidade e um silêncio difíceis de encontrar noutras zonas da cidade. Quer ver com os seus próprios olhos? Siga este roteiro.

Como chego à Mouraria?

Primeiro conselho: deixe o carro em casa! Não é brincadeira, é mesmo a sério. Aventure-se pelos transportes da cidade e venha até à baixa de autocarro ou de metro. Não tem de se preocupar com o estacionamento e vai ficar muito mais descansado. Se vier de metro tem duas opções:

Saia na linha azul na Baixa/Chiado no sentido Rua do Crucifixo, atravesse a baixa até encontrar o Elevador do Castelo. Carregue no botão B, saia para a Rua da Madalena, passe o largo Adelino Amaro da Costa e aventure-se por S. Cristóvão.

Saia na linha verde no Martim Moniz e virado de costas para o rio siga para a direita à procura da Rua da Mouraria. Procure a estátua com uma guitarra portuguesa e siga pela Rua do Capelão.

É seguro?

Sim. Toda a zona da Mouraria é segura e com a afluência cada vez maior de turistas, praticamente todas as ruas são muito movimentadas. No final da Rua do Capelão é possível encontrar um ambiente ‘peculiar’, mas o segredo é ignorar e continuar a sua marcha.

Fábrica Lisboa

Vou de manhã. Onde tomo o pequeno-almoço?

Existem várias opções para todos os gostos. Se saiu na Baixa/Chiado, ao chegar à Rua da Madalena vire à esquerda e vai encontrar a Fábrica Lisboa. Deixe-se encantar pelo ambiente vintage que por certo o vai transportar para a sua infância, pelos objectos que decoram o local, e com um sorriso no rosto peça um croissant francês, uma das especialidades da casa. São considerados dos melhores de Lisboa.

O Ninho

Outra opção mais recente, perto da Igreja de S. Cristóvão, é o Ninho, o novo café com um toque francês e com um ambiente muito calmo. Têm sempre bolos caseiros, servem brunch e nas traseiras têm um pequeno pátio delicioso.

Há opções culturais?

Sim e a Casa da Achada é uma delas. Também conhecida por Centro Mário Dionísio, inclui a Biblioteca privada de Mário Dionísio e de Maria Letícia Clemente da Silva. Também funciona como local de investigação, estudo e de consulta. No Largo da Achada também encontra alguns edifícios que resistiram ao terramoto de 1755.

E lojas?

Na Mouraria pode descobrir algumas lojas que não encontra em outros locais de Lisboa, como A Loja, da francesa Gabrielle de Saint Venant, mesmo em frente à Igreja de S. Cristóvão. A beleza de Lisboa encantou a fotógrafa francesa, que se mudou de armas e bagagens para a capital e que vende na sua loja artigos típicos portugueses.

Em frente à Loja encontra a pequena mercearia da Dona Laurinda, com produtos de outros tempos e que já são difíceis de encontrar em Lisboa, a preços bem acessíveis.

E se é fã de azulejos, na Calçada de Santo André existe uma loja que vende verdadeiras preciosidades de outros tempos, como azulejos mais industriais.

Calçada de Santo André

Na Calçada de Santo André também encontra todo o tipo de lojas indianas ou paquistanesas, ou não estivéssemos nós numa zona que mistura várias nacionalidades em perfeita harmonia.

Já estou com fome. Onde posso almoçar?

Há vários restaurantes onde pode saborear bons petiscos. Para quem gosta de comida tradicional portuguesa e não se importa

Largo dos Trigueiros

com restaurantes barulhentos destacamos o Zé da Mouraria pelo ambiente castiço e pelas travessas de bacalhau, ou a tasca Zé dos Cornos, com bancos corridos e onde cada um se senta onde houver lugar. O entrecosto com arroz de feijão é um dos pratos mais famosos. Para quem prefere ambientes mais calmos pode optar pelo Trigueirinho, no Largo dos Trigueiros, que também serve típica comida portuguesa.

Comeu muito e apetece-lhe andar? Vá ao Castelo de S. Jorge

Há quanto tempo não visita o Castelo de S. Jorge? Aproveite que o bilhete é gratuito para os residentes de Lisboa e vá desfrutar de uma das melhores vistas sobre a cidade. Avisamos já: da Mouraria ao Castelo são 10/15 minutos, mas sempre a subir! Uma coisa é certa: vale a pena o esforço!

Teatro da Garagem

O segredo mais bem guardado

Quando começar a descer de volta à Mouraria faça um pequeno desvio pela Rua do Castelo e procure pelo Teatro da Garagem . Desça à cave e fique pasmado a olhar para a vista sobre a colina da Graça. É um dos meus locais favoritos da cidade! Tem free wifi, pelo que pode aproveitar para atualizar as redes sociais com as fotos que foi tirando dos locais que descobriu, e tem um bolo de chocolate delicioso!

O largo mais tranquilo e boa onda

Continuando a descer vai encontrar o Largo dos Trigueiros, um dos largos mais tranquilos e com good vibe do bairro. O café O Corvo serve refeições ligeiras e bebidas deliciosas, e a esplanada é ótima para relaxar e deixar o dia correr.

Ginjinha da Severa

Voltando à Rua do Capelão encontra a Ginjinha da Severa, uma típica tasca lisboeta onde pode provar a ginjinha e se tiver sorte assistir a algum concerto espontâneo de fado. Mesmo ao lado encontra a Maria da Mouraria, um edifício renovado e que serve almoços e jantares por marcação e onde pode ouvir fado mais a sério.

E para os vegetarianos, há alguma coisa?

Certamente que sim, pelo menos desde que Alice Ming abriu o seu Food Temple. O restaurante vegetariano já tem tanta fama que é complicado marcar mesa, mas não é impossível. O espaço é pequeno e no verão é normal as pessoas optarem por jantar nas escadinhas em formato anfiteatro, num ambiente descontraído. No final da refeição, para beber mais um copo, o Jasmim mesmo ali ao lado serve vinho a copo e é uma boa opção.

Ah, mas agora não quero ir já para casa. Posso dançar?

Pode e deve! Na Rua da Madalena, o Clube Noir é uma das opções para quem gosta de ambientes mais dark e com boa música, desde indie a 80’s e música mais alternativa. Não se admire se encontrar elementos decorativos que não conjuguem com a sonoridade. É que em tempos funcionou aqui o bar Bora Bora e a decoração acabou por ficar.

E como volto para casa sem carro?

Veio de metro e agora não tem como voltar? Chame um táxi ou um uber e vá descansado para casa. Amanhã é outro dia.

 

Por Sónia Ramalho Blog Lisbon Where To 

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