A galeria que junta fãs de automóveis e arte

A antiga galeria Quadrado Azul foi transformada na UX Art Space by Lexus. Até meados de setembro é possível olhar para os automóveis de um outro modo: desconstruídos pela visão de jovens artistas.

Por Wilson Ledo

Quem aqui entra, sabendo ao que vem, procura de imediato o protótipo do novo Lexus UX. O veículo só chega ao mercado em 2019, mas não é por isso que se torna mais difícil encontrá-lo: está, em parte, revestido por uma camada branca de tinta. Assim, funde-se com o espaço da galeria temporária que o acolhe, a UX Art Space by Lexus.

Um ato de humildade, dir-se-ia, para dar protagonismo à instalação de Bence Magyarlaki e Inês Zenha. Ele nascido em 1992 na Hungria, ela em 1995 em Portugal. São os nossos guias nesta sua primeira exposição em conjunto. “UX Deconstructed” é então a protagonista da mostra, pelo tamanho e pela altura. “Começámos a olhar para os detalhes dos processos que a Lexus aplica aos seus carros”, explica Inês. Um lado artesanal reinterpretado na pesada estrutura que se sustenta a si própria.

Cada uma das camadas – a lembrar o “origami” do Japão, país desta marca automóvel – conduz-nos para um componente do Lexus UX. Depois, ao olhar o teto, uma escultura cinética (em movimento), reforça essa inspiração. “Temos de respeitar que há um produto e a inspiração vem desse produto”, remata Bence.

Embora essa ligação seja notória não se sente que ela funcione como um elemento de constrangimento. Pelo contrário, há um balanço entre o lado comercial e o modo como os artistas atingem o seu propósito. Nestas formas escondem-se histórias, prontas a ser descobertas, como o facto de este ser o “primeiro carro desenhado por uma mulher japonesa” ou os ensinamentos que Inês trouxe do pai, também ele ligado à indústria automóvel.

Se para os artistas, este trabalho “mudou a forma de ver os carros”, também para quem visita o UX Art Space by Lexus fica a promessa de um novo olhar. A mostra só fica completa com uma instalação sonora de Bence e Inês, a que se juntam trabalhos do português Pedro Henriques e da francesa Divine Southgate-Smith, a evocar uma certa ideia de movimento e velocidade.

A exposição está aberta ao público até 15 de setembro (embora se preveja que se estenda até outubro) no Largo dos Stephens, junto ao Cais do Sodré, num espaço onde outrora funcionou a galeria Quadrado Azul.

“Lisboa oferece todas as condições para criar”, garantem Bence e Inês, que chegaram à capital portuguesa em setembro do ano passado. Foram convidados para este projeto da Lexus pela curadora Carolina Grau, numa altura em que a marca automóvel decidiu apostar na arte contemporânea, também como forma de chamar outro leque de clientes, mais novos.

A vontade, ninguém esconde, é que “Ux Deconstructed” possa ser uma das primeiras peças de uma coleção de arte contemporânea que a Lexus venha a criar. A aposta é recente e dá a Lisboa uma responsabilidade adicional: do espaço desta galeria quer-se que entrem espectadores e saiam “exploradores urbanos”. Urban Explorers, UX, tal como o nome do novo carro. 

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