Almeida: a vila defensiva

Ruas limpas, casas caiadas e em pedra, janelas com os vidros adornados com cortinados rendados, flores nas varandas e a cada canto um pedaço da História de Portugal para contar. Assim é Almeida, a vila do distrito da Guarda, quase ao pé da fronteira com Espanha, junto a Vilar Formoso, que vive dentro da “muralha estrelada”.

Por Sandra Martins Pereira

Desempenhou importantes papéis na crise de 1383-85, nas guerras da Restauração, aquando do domínio Filipino e até nas invasões francesas. Fica a cerca de 360 km de Lisboa e a 156 km do Porto, e passear pelas suas ruas é quase obrigatório.

Vários são os pontos de interesse, por isso, comece por passar pelo Posto de Turismo logo à entrada da Fortaleza. Pode levar o automóvel para o interior das muralhas e aí estacionar, para depois passear a pé. Peça um guia e siga os locais de interesse a visitar. Ou se preferir aventurar-se sozinho parta à descoberta e vá pedindo indicações aos habitantes locais, que gentilmente o ajudarão.

Há, no entanto, pontos de interesse que não deve perder, como por exemplo o Museu Histórico Militar, antigas casamatas – localizadas no subsolo do Baluarte de S. João de Deus, são 20 casas subterrâneas construídas em abóboda, que serviam para abrigar a população da vila e como armazém de víveres.

 

Do lado oposto da muralha encontra o Centro de Estudos e Arquitetura Militar de Almeida, que se localiza nas Casas da Guarda das Portas Exteriores do Revelim de Santo António.

Fizemos uma paragem obrigatória no Picadeiro d’El Rey, que embora tenha vindo a sofrer algumas alterações ao longo dos tempos, se mantém a funcionar.

Se gostar de cavalos como nós vai mesmo querer experimentar uma visita. Foi o que fizemos, acompanhados pelo senhor António Pereira, que trocou o Porto por Almeida, partimos à aventura pelas muralhas de Almeida. Se gostar de coisas mais calmas, então opte por um passeio de charrete. Os cavalos são “os donos” do Picadeiro, por isso não se admire se algum deles andar a pastar fora de portas.

Naquelas instalações encontra ainda, numa sala à parte, alguns exemplares de automóveis e motorizadas antigos.

Mas continuemos a visita. A Casa da Roda dos Expostos datada de 1843 é a paragem que se segue. Instituídas por Pina Manique, no século XIX, as casas da roda recolhiam crianças abandonadas. Atualmente é um núcleo museológico.

Passe pelo Terreiro Velho, numa alusão aos antigos alpendres do mercado que se localizavam na Praça Velha, e onde hoje está o edifício da Câmara Municipal, na rua dos Combatentes Mortos pela Pátria.

Ao longe e sempre altaneira segue-nos a Torre do Relógio, na zona do castelo e da já desaparecida Igreja Matriz de Nossa Senhora das Candeias. De planta quadrada mostra quatro aberturas sineiras acessíveis por uma escadaria interior de madeira.

Há muito mais para visitar, mas não lhe vamos contar tudo. Se ainda lhe sobrar tempo, não deixe de ir também a Vilar Formoso para visitar o Museu Fronteira da Paz, que presta homenagem aos refugiados do regime Nazi e a Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português que os ajudou.

 

Um pouco de História

No rescaldo do domínio Filipino e perante a necessidade de modernizar as estruturas defensivas medievais que dispunha e que se encontravam obsoletas, logo após 1640 fica instalada na Vila, a sede do Governo das Armas da Província da Beira e em 1641 têm início as obras na fortificação. A praça-forte de planta hexagonal é constituída por seis baluartes (de São Francisco, de São Pedro, de Santo António, de Nossa Senhora das Brotas ou do Trem, de Santa Bárbara e de São João de Deus), aos quais corresponde o mesmo número de revelins (Revelim da Cruz, dos Amores, da Brecha, de Santo António, do Paiol Doble ou Hospital de Sangue). A reforçar a defesa da praça há guaritas em todos os ângulos dos baluartes e duas no meio das cortinas. O reparo e os revelins são contornados por um fosso que para além de funcionar como dispositivo de defesa servia ainda como bacia de drenagens. Em 1927, no entanto, perderia a função de praça de guerra, mas mantém-se digna de visita, de tão bem conservada que se encontra.

 

Casa do Ti Messias

ONDE FICAR

Almeida não é muito grande, mas ainda assim encontra algum alojamento hoteleiro no interior da muralha, como o Hotel Fortaleza de Almeida, com classificação de quatro estrelas, na rua das Muralhas, ou ainda O Revelim, um alojamento local, na rua dos Combatentes Mortos pela Pátria, nº 42.

A Casa do Ti Messias, um alojamento local, na rua Afonso de Albuquerque.
ONDE COMER

Posta à Mirandesa, bacalhau e cabrito são alguns dos pratos que podemos encontrar nos restaurantes em Almeida. Nós experimentámos o Restaurante A Muralha, no Bairro de S. Pedro, e ficámos bem impressionados com a relação qualidade/preço.

Apesar de não termos experimentado, porque estava fechado, garantiram-nos que o Restaurante “Granitus”, no Largo 25 de Abril, também é uma boa opção para gosta de comida portuguesa tradicional. Telefone: 271 574 834

Já no Snack-Bar “1810”, na rua dos Combatentes Mortos Pela Pátria 15, no interior das muralhas experimentámos o Bacalhau com cebolada e o bife. Telefone: 964 643 116
A NÃO PERDER

Ginjinha da Amélinha

Fica no antigo Pátio da Ginjinha, no número 11 da rua Afonso de Albuquerque. Uma pequena tasca, onde se serve a tradicional Ginjinha da Amélinha. Uma bebida licorosa que é feita desde 1883. Amélia, hoje com 89 anos, veio viver com as tias para Almeida e aí começou a aprender a fazer a receita. Ginjas, aguardente e “um segredo”, que a filha, hoje à frente do negócio não revela. Por nós está aprovada e ainda trouxemos um exemplar para casa.

 

 

 

One thought on “Almeida: a vila defensiva

  • 12 de Outubro de 2018 at 10:12
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    UMA MARAVILHA A VILA DE ALMEIDA a . . . ESTRELA DO INTERIOR.

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