Amesterdão, uma cidade singular e cheia de boas energias

Amesterdão é uma cidade pitoresca e encantadora, moderna e cosmopolita, onde nos deparamos em cada casa e em cada rua com marcas da sua história de riqueza e prosperidade. Conhecida pela sua tolerância, pelo Red Light District e por ser a capital das bicicletas, Amesterdão é uma das mais sedutoras capitais europeias e um destino de eleição. Para além do famoso Red Light District, os canais, as igrejas e o mercado das flores são, a par do Museu Van Gogh e da Casa de Anne Frank, lugares a não perder.

E começamos precisamente pela zona mais famosa, as estreitas ruas iluminadas pela famosa luz vermelha e que expõe, sem pudores nem falsas modéstias, a mais velha profissão do mundo. Como tudo nesta cidade, este Bairro não nasceu do acaso, mas sim de uma tentativa de, em pleno século XV, organizar a profissão e de manter “as meninas” confinadas a um único ponto da cidade. Ficou até hoje e tornou-se um dos principais pontos de passagem de todos os que aqui se deslocam.

Outra das zonas mais emblemáticas da cidade é o chamado “Anel dos Canais”. Os canais de Amesterdão têm mais de 400 anos e foram construídos na Idade de Ouro da Holanda em pleno século XVII, quando a Companhia Holandesa das Índias dominava o comércio no “Novo Mundo”. São Património da Humanidade pela Unesco em 2010. Caminhando por estas ruas estreitas, sempre ladeadas por casas típicas e pelas águas calmas dos canais, percebemos a verdadeira alma desta cidade de contrastes. As casas são ao mesmo tempo tão similares e tão diferentes entre si e todas contam uma história que é interessante descobrir. Por aqui deambulamos sem mapas e sem pressas, virando ao acaso, aqui e ali, para contemplar este ou aquele detalhe. Há tanto para ver e descobrir que é impossível colocar por palavras. O Anel dos canais é a ainda a zona onde podemos visitar o famoso mercado das flores, Bloemenmarkt, com as suas bancas coloridas e cobertas dos mais variados tipos de flores, muito para além das típicas tulipas.

Amesterdão é igualmente conhecida por ser a cidade de Anne Frank e uma visita à sua casa é um momento marcante e solene. Durante toda a visita não conseguimos acreditar, apesar das provas e dos factos à nossa frente, que oito pessoas ali se esconderam durante quase dois anos, procurando escapar à perseguição aos judeus durante a II Guerra Mundial. A casa guarda a memória desses tempos e aprofunda uma história que muitos conhecemos, mas que nunca verdadeiramente compreenderemos.

As igrejas são outro dos pontos de visita imperdíveis em Amesterdão, em especial para quem está habituado às sumptuosas Igrejas Católicas. O interior das igrejas holandesas, na sua maioria protestantes, é desprovido dos ornamentos barrocos das igrejas católicas, em respeito aos 10 mandamentos “Não farás para ti qualquer imagem esculpida” e ”Não as adorarás nem lhes prestarás culto”. A Nieuwe Kerk, a Igreja oficial da Holanda, é um bom exemplo com uma decoração despojada de grandes ornamentos, altares exuberantes, estatuetas de anjos e Santos e mármores.

O mesmo se pode dizer da Oude Kerk, a Igreja mais antiga de Amesterdão, com cerca de 800 anos, e que convive, lado a lado e de forma bastante harmoniosa, com o frenético Bairro da luz vermelha. Só numa cidade de contrastes como Amesterdão podem conviver tão harmoniosamente uma igreja e as luzes do famoso Red Light District. Outra igreja a não perder é a Igreja Ons’ Lieve Heer op Solder (Igreja de Nossa Sra. do Sótão). Em 1597, quando a missa calvinista passou a ser obrigatória em troca de pagamento, tornou possível a outras religiões celebrar a sua missa, desde que o fizessem em locais secretos e irreconhecíveis por fora. Ons’ Lieve Heer op Solder é um exemplo destas igrejas clandestinas. Ocupa dois pisos do sótão de duas casas à beira dos canais, duas casas totalmente insuspeitas do lado de fora.

Nenhuma visita a Amesterdão fica completa sem um passeio pelo Bairro dos Museus. A cidade é reconhecida por albergar alguns dos melhores museus do mundo. No Museum Plein estão localizados alguns desses museus de reputação internacional, o Rijksmuseum, o Van Gogh Museum e o Stedelijkmuseum.

Cada um tem a sua especificidade e obras primas da humanidade que valem a pena visitar. No entanto, se só puder escolher um, recomendo o Van Gogh, onde vai percorrer a vida e obra de um dos maiores e mais incompreendidos pintores mundiais. As suas obras são tão díspares como dispare foi a sua vida e as influências que foi recolhendo em diferentes ocasiões, experiências e locais por onde passou. O museu percorre os diferentes momentos da vida do artista, durante os 10 anos em que se dedicou à pintura, as suas influências e a sua história de vida.

Outros pontos a não perder:

O Palácio Koninklijk é um edifício sumptuoso com os interiores em mármore que contam a história da influência colonial holandesa durante o século XVII. O Palácio foi construído em solo pantanoso, sendo suportado por mais de 13.600 pilares de madeira.

O Begijnhof, um amplo pátio, mais ou menos escondido junto à Praça Spui, que foi o santuário da irmandade católica de Begijntjes. Este pátio guarda algumas curiosidades como a casa de madeira mais antiga da cidade (nº34), uma parede que reúne uma impressionante coleção de placas com motivos religiosos e uma igreja católica clandestina.

A Praça Spui, uma das mais animadas com diversos café e restaurantes, incluído o mítico Café Hoppe, um dos mais antigos Brown Coffees de Amesterdão (inaugurado em 1670).

O quarteirão judeu onde ainda se encontram marcas da rica e vasta história e cultura dos judeus em Amesterdão. No inicio do seculo XX viviam em Amesterdão cerca de 60.000 judeus, quase todos nesta zona onde está localizado o Museu Histórico, a Sinagoga Israelita-Portuguesa e o Hollandsche Schouwburg, local onde, durante a II Guerra Mundial, aguardavam antes de serem deportados para campos de concentração.

Algumas curiosidades sobre a cidade:

– Apesar de Amesterdão ser a capital da Holanda, o governo situa-se em Haia.

– Amesterdão tem atualmente mais de 160 canais, 1200 pontes (80 das quais só na zona do Anel dos Canais), num total de 14 km de extensão.

– Algumas casas dos canais estão construídas com uma inclinação que permitia a movimentação de mercadorias sem que estas embatessem nas fachadas.

– As casas dos canais, pela forma como os seus construtores procuraram marcar a diferença e originalidade das suas construções. No topo de cada casa é possível encontrar empenas e cornijas decorativas, das mais diversas formas e feitios. Na verdade, existem vários tipos de empenas (espécie de telhado) – simplesmente triangulares, em escada, em concha, em sino, em gargalo e pontiagudas – e muitas delas são ricamente decoradas com os mais variados motivos.

– Casas gémeas! Casas idênticas, construídas lado a lado com o objetivo de reduzir os custos de construção.

Amesterdão é definitivamente uma cidade de contrastes, liberal e única como nenhuma outra. Mas ao mesmo tempo faz lembrar uma aldeia rural, com as suas lojinhas, as bicicletas por todo o lado, as suas casas simples e discretas e o seu ambiente familiar, que transborda em rua apinhadas de gente que se diverte e convive como se fossem todos vizinhos e amigos de infância.

 

Guia Prático

Como ir: O avião é sempre a melhor opção.  Do aeroporto para a cidade basta apanhar o comboio para Central Station e dali apanhar o tram para a estação mais próxima do hotel. Não leva mais de 30 / 40 minutos.

Quando ir: Na primavera é a melhor altura, menos frio, mas tem mais turistas. De outono e inverno a chuva e o frio são dissuasores, mas se não tiver medo de uma chuvinha é a altura com menos gente.

Onde ficar: Em Amesterdão não faltam grande cadeias hoteleiras, mas recomendo ficar num dos hotéis mais modestos e mais pequenos que foram nascendo nas casas mais tracionais, junto aos canais. O único senão é que não têm elevadores e temos que carregar malas escada acima.

Como se deslocar: Essencialmente a pé ou de barco, para um passeio pelos canais.  Ou em transportes públicos. Apesar de Amesterdão não ser uma cidade muito grande os transportes públicos são também uma boa opção, sobretudo se tiver poucos dias. As ligações aos principais pontos turísticos são ótimas e permitem ver mais em menos tempo. Outra sugestão é embarcar num dos muitos cruzeiros disponíveis e percorrer os principais canais da cidade; Singel, Herengracht (Cavalheiro); Keisergracht (Imperador); Prinsengracht (Príncipe).

Cartão I am Amsterdam: Com este cartão é possível entrar em inúmeros museus e monumentos a custo zero, assim como ter desconto noutros tantos locais. O cartão inclui ainda os transportes públicos (todos grátis) e um cruzeiro nos canais. No total, é possível poupar, pelo menos, 40€ com a aquisição do passe de 3 dias.

Visita à Casa de Anne Frank: Não esquecer de comprar o bilhete online que dá entrada direta no edifício. Só assim é possível evitar as filas gigantes que se acumulam á porta.

Onde comer:  O restaurante Haesje Claes, na Spuistraat, muito perto da praça Spui, é o local ideal para provar a gastronomia local, num ambiente que nos remete para os séculos de prosperidade de Amesterdão. E claro, uma passagem pelo Hoppe para uma deliciosa tarte de maçã com chantilly, acompanhada por um chá ou um cappuccino.

Por Sónia DiasBlog de Viagens | Travel Random Notes 

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