Arte, gravidade e graça

Human existence is so fragile a thing and exposed to such dangers that I cannot love without trembling.

 Simone Weil: Gravity and Grace (1947)

Quando nos deparamos com as obras de arte de Ana Almeida Pinto compreendemos a sua referência à

Natureza Morta, 2018, de Ana Almeida Pinto. O desenvolvimento desta obra de arte integra a primeira fase do Simpósio ARTE&SUSTENTABILIDADE, em parceria com o IB-S (Universidade do Minho), com o apoio da CUP&SAUCER e do grupo ERT. A artista criou esta peça a partir de resíduos da CUP&SAUCER, em estrutura de ferro.

primeira obra literária da pensadora e ativista francesa Simone Weil: Gravity and Grace (1947). Ocupam parte da sala principal da zet gallery e transportam-nos para a geografia que é local de habitação e atelier colaborativo na maior parte do tempo: o Alentejo. Nem localização nem categoria artística são gavetas fechadas: a artista acredita na multiplicidade de possíveis ligações a partir da escultura. É do Porto e parte substancial do seu percurso foi no norte do país: em exposições individuais, coletivas e residências artistas. Confessa: se tivesse de optar apenas por uma matéria-prima, seria a pedra. Mas a inspiração não é estanque e a evolução do seu portefólio acompanha a harmonia do mesmo: incontestável e crescente.

Regressamos a Braga, à solitude do atelier de Miguel Neves Oliveira e ao espaço rural, ao qual ele próprio voltou, onde cresceu e se inspira. Trabalha a madeira, desde sempre a madeira… Mas não só: o progresso e ligação entre os diferentes materiais a que o artista recorre enriquece a sua obra. A esculturas invadem todo o nosso campo de visão – do piso à parede – e esvaziam o nosso espírito de qualquer pretensiosismo, surpreendendo pela honestidade das suas criações. O autor confidencia: A inspiração para mim é a vontade! Entre outras coisas, de voltar ao atelier e começar de novo ou continuar a obra que me espera… é o meu espaço de liberdade e isto é muito inspirador para mim. Os dois artistas integram a atual exposição da zet gallery, 7 FORMAS POÉTICO-CASUÍSTICAS, patente até dia 8 de setembro no 175 da Rua do Raio, Braga.

A coragem na obra de ambos é inegável: na continuidade da criação, permanente inovação e persistência pela autenticidade. Levamos os dois autores destacados, atualmente em exposição, até ao mês de outubro, desafiando a produção de obras de arte a partir de resíduos industriais. O Simpósio ARTE&SUSTENTABILIDADE propõe, ainda, que parte do processo de criação artística decorra em pleno espaço público – de forma efémera, durante duas semanas, período de tempo no qual todos somos convidados a conhecer e questionar os autores, ao vivo, em pelo centro histórico; de forma permanente, através da visita às peças que serão doadas à cidade. Acontece em Braga entre os dias 2 e 13 de outubro.

 

Por Catarina Martins

Head of Communication da zet gallery 

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