Carolina Piteira: “Fomos para a Índia à procura da cor, mas acabámos por encontrar a cor onde menos esperávamos”

A exposição ‘Dear India’, bem como o livro com o mesmo nome, nascem da vontade da pintora Carolina Piteira, do documentarista HumanEyes e do fotógrafo Roberto Zampino em mostrarem que a comunicação e a partilha têm maior impacto do que a individualidade, juntando as três perspetivas sobre os momentos vividos nesta aventura que une propósito, arte e inspiração. Até 3 de junho é possível visitar esta mostra, de entrada gratuita, no número 134 da Rua da Conceição, em Lisboa, das 14h00 às 20h00, de quarta-feira a domingo. O Onde Ir quis saber mais pormenores e conversou com Carolina Piteira.

Por Sandra Martins Pereira

 

“Dear India” é o nome da exposição que inaugura agora em Lisboa. Do que fala esta exposição?

Fomos para a Índia à procura da cor, mas acabámos por encontrar a cor onde menos esperávamos. Nos sorrisos das crianças, nas ruas estreitas, nas viagens de comboio ou nos rituais religiosos locais. Percebemos rapidamente que o tema principal desta viagem era a comunicação. Uma comunicação verdadeira e humana.

Em que se inspirou e de que forma tentou transmitir essa ideia para a tela?

O percurso da exposição começa com uma sala cheia de cor com o quadro “Unveiling colour”, um homem no Mercado de Jaipur a vender Saris. À medida que vamos andando deparamo-nos com vários retratos pequenos, cada retrato tem o nome de uma cor, precisamente porque fomos à Índia à procura da cor e encontrámo-la nas pessoas. Depois passamos pelos animais, algumas cenas dos mercados com mulheres e na última sala, muito mais ténue, encontramos o nosso equilíbrio nas paisagens serenas do Rio Yamuna, quase sem cor. O percurso mostra-nos aquilo que fomos sentindo ao longo desta viagem. Desconectámo-nos do nosso mundo e olhámos para dentro… reduzimos a velocidade e criámos laços. As barreiras linguísticas foram quebradas e tornámo-nos um só. Tornámo-nos Índia.

Porque decidiu fazer esta exposição?

Queria muito fazer uma exposição em Portugal, diferente, sem seguir dogmas ou regras a que estamos habituados. Estou cansada de conservadorismo, de ter receio de arriscar, estou cansada de pessoas que não acreditam, estou cansada do conformismo e de energias negativas.
Acho que os jovens artistas devem arriscar! Temos de ter coragem de ousar, como dizem os franceses, Il faut oser!

Queria fazer uma exposição sensorial, com várias artes e jovens talentos. Acho que é essencial a nossa geração unir-se, juntos temos mais força. Crescemos individualmente e mais facilmente conseguimos levar os artistas Portugueses para o resto do mundo. Somos um país pequeno, só temos a ganhar se nos unirmos.
Convidei 2 jovens artistas a fazer parte desta aventura e desafiei-os a irem um mês comigo para a Índia. Sem rotas traçadas, sem horários, longe dos locais turísticos. Desafiei-os a embarcar numa viagem onde o importante era viver cada momento intensamente.

Até quando podemos visitá-la? Estará apenas em Lisboa?

Esta exposição pode ser visitada até 3 de junho, de quartas a domingos, das 14h às 20h.
Estará apenas em Lisboa.

Que técnicas utilizou?

Gosto muito de misturar diferentes técnicas. Quase todos os meus quadros são técnica mista: acrílico, pastel de óleo e colagem sobre tela ou papel. Os meus quadros têm sempre materiais que trago das viagens que faço. Neste caso, vários quadros têm tecidos indianos, papel feito à mão e madeiras que trouxe da Índia.

Tem como convidado Roberto Zampino. Como surgiu este convite?

Comecei a trabalhar com o Roberto há alguns anos em Londres. Tenho uma admiração grande pelo seu trabalho e por ele, como pessoa. É extraordinário.

Em que é que se identifica com o Roberto na sua arte?

Focamo-nos os dois no retrato. Gostamos do figurativo, da cor, de pessoas e das suas histórias, mas principalmente, gostamos os dois de viver momentos únicos que queremos guardar para sempre numa fotografia ou numa pincelada.

Recebeu o prémio Woman Art 2018. Que importância tem para si este galardão?

É sempre uma honra receber uma distinção e se isso significar um maior reconhecimento dos artistas portugueses, ainda melhor.

A Carolina vive entre Lisboa e Londres. É difícil crescer em Portugal enquanto artista?

O Mercado da Arte em Londres é muito maior, portanto há mais oportunidades. Em Londres, em Lisboa ou qualquer outra parte do mundo, o importante é trabalhar e nunca desistir. Acho que como em todas as profissões.

Que convite pode deixar aos leitores do Onde Ir para que visitem esta “Dear India”?

Venham conhecer a Índia que os turistas desconhecem, uma viagem que nos alertou para a importância da comunicação e partilha de experiências.

One thought on “Carolina Piteira: “Fomos para a Índia à procura da cor, mas acabámos por encontrar a cor onde menos esperávamos”

  • 16 de Agosto de 2018 at 2:42
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    Adorei tudo o que aqui foi dito das motivações. Adorei onde foram encontrar as cores, até no simples sorriso de uma criança, pq elas são a nossa motivação.
    Tive pena de não saber da exposição, pois teria ido por certo ve_la, pois gosto de arte. Obrigada pelo testemunho e parabéns Carolina.
    Mgabriela Piteira Delgado

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