Cartaxo: terra de bom vinho e boa gente

Reza a lenda que foi a Rainha Santa Isabel quem a nomeou ‘Cartaxo’, depois de ali passar e ouvir o chilrear de uns pássaros com o mesmo nome. Elevado a cidade em 1995, o Cartaxo, terra Ribatejana a cerca de 40 minutos de Lisboa, tem mais de 24 mil habitantes e oito freguesias com vários recantos e um património cultural rico para descobrir.

Por Ana Rita Costa

ONDE FICAR?

Hotel Quinta das Pratas

Se está a planear um fim de semana na cidade é importante que saiba que a oferta de alojamento dentro da cidade não é vasta. Para além do Hotel Quinta das Pratas, com 28 quartos que vão desde os 45 euros por noite, para uma opção single, aos 90 euros por noite, para as suites, existem apenas algumas ofertas de turismo rural nas freguesias que a rodeiam e o recém-inaugurado D’Vine – Country House.

D’Vine – Country House

Com portas abertas desde junho, este alojamento local em Vale da Pedra, uma das freguesias do Cartaxo, inspirou-se na tradição vinhateira do concelho para oferecer espaços cheios de detalhes vínicos e uma opção de turismo sustentável. Para além de piscina, uma sala comum com biblioteca e ginásio, o D’Vine conta, claro está, com provas de vinhos. Uma noite pode custar 45 euros, com pequeno-almoço incluído.

E se acha que estas opções não foram feitas para si, não desespere. Em breve arranca ainda a construção de um hotel de quatro estrelas dedicado ao vinho, na freguesia de Vila Chã de Ourique. Uma unidade hoteleira com 30 quartos que ficará situada na antiga propriedade da Sociedade Agrícola Casal do Conde.

Estão ainda previstos investimentos num hotel de quatro estrelas na Quinta da Broeira e um alojamento local na Ereira.

ONDE COMER?

A gastronomia da região sempre foi muito marcada por pratos como sardinhas assadas, bacalhau assado, migas, magusto, sopas de grão e de feijão com castanhas ou abóbora, toucinho e chouriços. Nas freguesias ribeirinhas, como Valada e Vale da Pedra, sempre foram muito comuns ingredientes como o sável, a fataça ou a enguia.

A Cernelha

Se quer provar alguns destes pratos, os restaurantes, A Cernelha, Taberna do Gaio, Taberna do Alfaiate ou O

Taberna do Gaio

Transmontano podem ser boas opções. Se é uma oferta mais moderna que procura, o restaurante Taxo, recente na cidade, tem recebido boas críticas, nomeadamente pela qualidade do serviço e pela vasta oferta.

 

O QUE FAZER?

DR

Património histórico para conhecer. Estima-se que a origem do lugar do Cartaxo seja remota. Um dos pontos de interesse da cidade, a Igreja Matriz de São João Baptista, deverá ter sido consagrado em 1522 por D. Ambrósio Pereira Brandão, bispo de Ressiona. Para além de uma ampla nave e de um altar em talha dourada, a igreja é revestida de azulejo e com algumas figuras que representam a vida de São João Baptista.

Mesmo ao lado é também possível visitar a Capela do Senhor dos Passos, um espaço com um portal quinhentista, sobre o qual se encontra um brasão esquartelado e cujas armas diz-se pertencerem aos Carvalhos e aos Costas. Esta é também a capela do antigo Solar dos Sousa Lobatos, que serviu de quartel, em 1810, ao general Wellington.

No Museu Rural e do Vinho pode recuar alguns anos para conhecer melhor a história do município e das suas gentes. Para além de documentos, máquinas e instrumentos das principais atividades agrícolas do concelho, o museu da cidade faz visitas guiadas e promove a prova e a venda de vinhos da região, uma das atividades económicas mais importantes do concelho.

Aldeia avieira da Palhota

A cidade do Cartaxo é ainda um ponto de interesse para os amantes de Literatura. No centro da cidade está erguida uma estátua que presta homenagem ao dramaturgo Marcelino Mesquita e na aldeia avieira da Palhota, que albergou uma vasta comunidade de pescadoras, é possível conhecer o local onde residiu Alves Redol, autor de ‘Avieiros’, obra que imortalizou os “ciganos do rio”.

Por outro lado, se é fã de desportos náuticos ou gosta apenas da tranquilidade que a proximidade com o rio oferece, aproveite e dê um ‘salto’ até Valada, onde recentemente nasceu o River Park Valada, um projeto de lazer onde para além de poder desfrutar de uma esplanada à beira do Tejo pode também usufruir de passeios de barco, aulas de desportos náuticos ou fazer campismo.

Se a adrenalina não é para si, pode optar pela oferta do Centro Cultural do Cartaxo, projeto que desde 2005 tem procurado devolver cultura à cidade com inúmeros espetáculos culturais e mostras de cinema no espaço do antigo Cine-Teatro Ribatejo, que abriu as suas portas em 1947 e esteve em funcionamento até 1988. Durante o mês de julho, todas as sextas-feiras, há cinema!

Festas e Feiras do concelho. Um dos ex-libris da cidade é a Feira dos Santos, evento que se realiza todos os anos a 1 de novembro e que durante décadas foi considerada uma das feiras francas mais importantes do Ribatejo. Hoje em dia, o evento é acompanhado pela ExpoCartaxo, uma parceria entre a Câmara Municipal e o Centro de Apoio à Dinamização Empresarial do Cartaxo em que as ‘estrelas’ são os negócios da região. Destaque ainda para a Festa do Vinho, que todos os anos, no 1º de Maio, é o ponto de encontro do povo do Cartaxo e dos vinhos produzidos na região, e para as Festas da Cidade, que em junho de cada ano juntam as associações culturais, desportivas e as coletividades do concelho no centro do município para promover a gastronomia e as tradições, com Corridas de Touros, garraiadas e espetáculos de música.

‘Cartaxo, Capital do Vinho’. Se já alguma vez passou pelas ‘portas’ da cidade, já terá visto o claim ‘Cartaxo, Capital do Vinho’, um projeto que tem procurado dinamizar uma das maiores potencialidades do concelho – o vinho.

Atualmente, a Adega do Cartaxo conta com 205 associados que têm apostado na reconversão e na replantação de vinhas com apoio da Cooperativa e da Associação de Viticultores da região, a Viticartaxo. Hoje em dia, a adega produz em média 7 milhões de garrafas por ano e conta com uma área total de vinha de 680 hectares, no total dos seus associados.

 

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