Convento de São Saturnino: Silêncio de ouro, paisagem celestial

Quem segue o Onde Ir já se deve ter dado conta que gostamos de “paz”. Muitas vezes partimos em passeios ou fins de semana não planeados, porque a vida também deve ser uma surpresa. E por vezes deparamo-nos com muito boas surpresas.

Por Sandra Martins Pereira

Esta que vamos desvendar agora surgiu por mero acaso, enquanto fazia uma busca por hotéis não muito longe de Lisboa. Numa pesquisa rápida num motor de busca sobejamente conhecido, ficámos encantados com as imagens de apresentação. O preço pareceu-nos bastante razoável, ficava entre Cascais e Sintra e mais importante, nunca tínhamos ouvido falar. Fizemos a reserva e lá fomos nós.

Aproveitámos o momento e fomos pela Marginal em direção a Cascais e depois Cabo da Roca até chegarmos ao desvio para a Azóia. Até aqui o caminho era-nos familiar, até porque conhecemos o Bar Moinho e sabemos que se virarmos à direita iremos encontrar o Cabo da Roca. O que não sabíamos é que se seguíssemos o caminho do bar e virássemos à esquerda iríamos descobrir o Convento de São Saturnino.

Escondido por entre as curvas que nos levam a um vale da reserva natural da Serra de Sintra-Cascais, ali estava ele, caiado de branco, tendo o mar como pano de fundo. Originalmente erguido no século XII, acabou por vir a ser recuperado em 1998, por um casal francês que escolhera Portugal para passar férias amiúde. Durante cinco anos, aquilo que era um terreno e umas ruínas vieram dar lugar a uma casa de férias e mais tarde uma unidade hoteleira de charme que em 2002 abriu portas ao público.

Hoje é o filho e a nora do casal, Jonathan e Sharon, que tomam conta do Convento de São Saturnino, “um projeto que é feito com o coração”, como gostam de dizer. “Os meus pais entretanto voltaram para França e nós ficámos em Portugal com os nossos filhos”.

Recantos bucólicos

Regressemos ao Convento. Acabados de dar a última curva apertada encontramos um enorme portão que ao toque da campainha se abre para nos desvendar um dos segredos mais bem guardados daquela região.

À nossa frente está uma casa na árvore, que desde logo nos transporta à nossa infância e ao mundo do imaginário. Este é um projeto que Jonathan tem com os filhos. Muitos são os hóspedes que lhe perguntam se irá alugar como quarto, mas para tristeza de alguns, não será esse o seu fim, porque como nos explicou mais tarde “é demasiado pequeno e não tem condições para albergar ninguém”.

No caminho para a receção deste alojamento turístico ouve-se a água. Um lago com patos à nossa esquerda acompanha-nos, segue-se um outro com nenúfares e eis que entramos neste mundo mágico.

À entrada do Convento de São Saturnino estão alguns santos e quadros, peças antigas que nos transportam no tempo.

Abrimos a porta e depois de descermos umas pequenas escadas temos a receção. Pequena, mas acolhedora. É ali num quadro na parede que se guardam as chaves dos 9 quartos que compõem esta unidade.

Com simpatia acompanham-nos ao quarto. Descemos por mais umas escadas e logo encontramos a sala de refeições. Algo parecida com um refeitório no filme de Harry Potter. A extensa mesa em madeira, os candeeiros que caem do teto e aquela meia-luz criam o cenário completo. É ali que se tomam os pequenos-almoços (incluídos na estadia) e ainda almoço ou jantar, desde que pedidos com antecedência na receção.

Espreitamos a sala em frente, uma antiga cozinha, onde não faltam uma pia em pedra com torneiras antigas, tachos e panelas antigos, uma lareira e no centro uma “amassadeira” que nas manhãs serve de suporte aos variados pães e croissants do pequeno-almoço.

Quando pensamos que as surpresas terminaram, encontramos uma outra sala e mais outra, de estar decoradas com objetos que o pai de Jonathan foi colecionando durante a vida. A enorme lareira e os confortáveis sofás convidam a longas conversas, que podemos acompanhar com uma bebida.

Pode servir-se do que há na pequena mesa, basta que registe num papel o que tomou e o número do quarto.

E é ao quarto que ainda não chegamos. Descemos novo lance de escadas de pedra. Um pequeno corredor se depara diante de nós. Por trás da porta vermelha está o nosso quarto.

Com uma decoração sóbria, todos têm a sua personalidade, seja pelos tetos em caixotão, pelas camas altas e imponentes, pelos quadros de família pintados a óleo ou pelos desenhos a carvão expostos nas paredes caiadas de branco. O nosso não é diferente. As grandes portadas em madeira na janela e os bancos em pedra dão-lhe o charme. Em frente à cama uma outra janela se abre para um pequeno terraço e ali está ela, a paisagem verdejante do vale com o mar lá ao fundo.

O silêncio, esse só é interrompido pelo barulho do vento a passar pelas folhas das árvores e a água que corre no riacho. Mais à frente, encontramos novo bloco de casinhas, como se de outro convento se tratasse. É a Casa da Luz que tem três suites que se erguem frente ao mar, mas que pode ser alugada na totalidade, pois tem uma cozinha também.

 

Mas há mais. Já depois de deixarmos as bagagens no quarto decidimos partir à descoberta. É impossível não querer saber mais. Recantos, escadinhas e uma passagem para o outro lado, onde está a piscina construída a partir de um antigo tanque, que provavelmente abasteceria a comunidade local, é um pequeno oásis, num lugar solarengo e com uma vista única sobre o mar e para o majestoso Vale do Touro.

Tudo está meticulosamente bem cuidado, incluindo o exterior, onde podemos ainda encontrar um burro e algumas cabras, que Jonathan explica: “Gostamos de animais, grande parte são resgatados, como o porco e eles mantêm o terreno limpo para prevenção dos incêndios.

Queremos que os hóspedes se sintam em casa, tentamos ser invisíveis, mas ajudando sempre que necessitem. Muitas vezes confundem-me com um jardineiro, porque ando com roupa de trabalho a cuidar do jardim [risos]”.

 

Mais informações:

Convento de São Saturnino

2705-001 Azóia – Sintra
Portugal

http://www.saosat.com/pt-pt/
contact@saosat.com
(+351) 219 283 192
M. (+351) 915 195 207 / (+351) 915 195 208
F.   (+351) 219 289 685


Preços: a partir de 120€ consoante a época do ano

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