Covilhã: Da “Manhattan Portuguesa” às artes

Os leitores do Onde Ir estarão recordados de ver algumas fotografias da Covilhã que fomos publicando durante o fim de semana de 4 a 6 de maio. Pois bem, hoje contamos o que andámos a fazer nesta cidade tão pertinho da Serra da Estrela e que tem muito para mostrar quer vá sozinho, a dois ou em família.

Por Sandra Martins Pereira

Partimos de Lisboa por volta das 15h30 em direção à Covilhã, na sexta-feira, dia 4 de maio. Esperava-nos um jantar no Puralã Wool Valley Hotel & Spa para degustarmos a nova carta de primavera/verão desta unidade hoteleira, com classificação de quatro estrelas, seguido de um desfile de moda da coleção bikinis “Tricot Brancal” by “Do Amor” e “Pomme de Terre”.

Sem grandes pressas conduzimos pelas autoestradas A1 e depois pela A23, chegando ao nosso destino com tempo suficiente para conhecermos o nosso quarto e mudarmos de roupa para o evento que nos esperava.

O único boutique & lifestyle hotel da região, posicionando-se também como o hub do destino Serra da Estrela, resulta da remodelação integral do antigo Hotel Turismo da Covilhã, num investimento que rondou os €1,5 milhões de euros.

Com 100 quartos (10 suites e 2 romantic room), o Puralã Wool Valley Hotel & Spa espelha um passado e um presente fortemente marcado pela indústria da lã, que durante séculos foi o principal motor económico, social e cultural da cidade, também conhecida pela “Manhattan Portuguesa”, devido à quantidade de fábricas que ali se encontravam. Os quartos, decorados com apontamentos de lã, em tons castanhos, conferem um ambiente acolhedor e a manta e as almofadas feitas em tricot na cama antecipam uma noite agradável.

Vasco Pinho é o designer e decorador de interiores responsável pelo conceito da unidade hoteleira, inspirando-se nas fábricas de lanifícios e no espírito rústico da lã. A pedra, a madeira, os móveis modernos, mas acolhedores convidam a uma estadia sem pressas para desfrutar o que a cidade tem para oferecer e não é pouco.

A herança dos lanifícios é singelamente representada através de um mural da autoria de Fátima Pereira Nina no restaurante, em que retrata a evolução da indústria e da cultura da cidade da Covilhã, desde os inícios dos tempos até à atualidade.

Nova carta primavera/verão

Mas voltemos à nossa visita e ao jantar servido no Restaurante do Puralã Wool Valley Hotel & Spa, onde o chef Helder Bernardino dá cartas, tanto nas “tábuas” do Bar Bistro, como na cozinha de fusão onde associa os sabores e aromas serranos nos pratos que idealiza. Uma interpretação da herança gastronómica da Covilhã, dando uso a ingredientes bio e genuínos: queijos, enchidos e vinhos premiados DOC da Beira Interior.

Na noite do dia 4 de maio não foi diferente e a apresentação da nova carta primavera/verão mostrou-se em cada prato servido pelo chef. Na entrada, o Carpaccio de polvo com pimentos marinados, molho pesto e parmesão casava na perfeição com o espumante Beyra Bruto Vinhas Velhas. Seguiu-se uns Raviolis de camarão e gengibre, robalo de linha e jus de camarão e coentros, tudo regado com um vinho Beyra Reserva Branco. Mais uma vez, nada a apontar.

E porque estamos perto da Serra, o borrego não podia faltar. Daí que o chef nos tenha brindado com um Carré de Borrego da Beira em millet de legumes, cogumelos e caril. O vinho escolhido foi o Castelo D’Alba Vinhas Velhas.

A fechar a refeição, um Mil folhas com mousse de avelãs e baunilha, frutos vermelhos e gelado de pistacchio. O licor Flor de Sabugueiro regou o resto.

Ficámos ainda a saber que da nova carta primavera/verão constam pratos como Camarão salteado al ajillo, pasta de amendoim e compota de manga, Filetes de polvo assado com seu arroz de ameijoas e berbigão, Lombo de Bacalhau confitado em novelo de cogumelos e pimentos e ainda a opção vegetariana com Hambúrguer de quinoa e grão de bico em pão de beterraba com legumes desidratados e chutney de pimentos.

A noite fechou com o desfile de moda da coleção de bikinis em tricot.

 

Street Art e New Hand Lab

Novo dia e um sem número de coisas para fazer e aprender. Depois de um pequeno almoço revigorante e com grande variedade, está na altura de uma pequena visita ao hotel, que para além do Restaurante e Bar que aqui já falámos, conta ainda com o Natura Clube & SPA (de que falaremos mais à frente) e três salas de reuniões que podem receber vários eventos.

Deixámos então a unidade hoteleira e partimos para o centro histórico da Covilhã, para, na companhia de Pedro Rodrigues – um dos três organizadores do Woolfest, o festival de arte urbana que entre 2 e 10 de junho estará na rua uma vez mais. A primeira edição decorreu em 2011 e a partir daí, embora com algumas interrupções, muito por falta de apoios, o festival regressa uma vez mais dando cor às paredes dos prédios.

Num percurso quase circundante ao centro histórico da cidade, que se faz em uma hora, o visitante pode optar por realizar esta visita sozinho ou pedir a um guia que o acompanhe.

Bordalo II

Entre as várias obras encontra artistas nacionais, mas também estrangeiros, à semelhança do que irá acontecer na edição deste ano, que conta ainda com uma programação paralela, com palestras, vídeos, documentários e uma exposição. Pantónio, MaisMenos, Vhils, Lata 65, Third, Add Fuel, Reeg, Tamara Alves, Bordalo II, entre tantos outros são alguns dos nomes dos autores responsáveis pelas obras que ali vai encontrar. O percurso é de fácil acesso, mas ainda assim aconselhamos a que leve calçado e roupa confortável.

New Hand Lab

E do Woolfest passamos para uma outra visita que não deverá mesmo perder. Trata-se do New Hand Lab, uma antiga fábrica de lanifícios que serve agora de casa para vários artistas e instalações. Um espaço improvável que Francisco Afonso, proprietário do espaço disponibiliza com carinho ao mundo das Artes. Concertos, workshops de cinema e fotografia, confeção de bonecos de trapo contando a lenda de cada aldeia serrana são apenas alguns exemplos deste espaço, que conta ainda com um pequeno bar.

Natura Clube & Spa

E depois desta longa caminhada, nada melhor do que relaxar numa das três salas de tratamento que o Natura Clube & Spa disponibiliza. Aqui, mais uma vez, o hotel associa também à lã momentos únicos de relaxamento. Os hóspedes são convidados a envolverem-se num ritual estimulante com produtos genuínos da Serra da Estrela.

Nós experimentámos a massagem de corpo inteiro, com aplicação, através da lã, de um óleo quente 100% biológico à base de azeite extra virgem da Beira Baixa, o Ritual da Lã. Confessamos que “passámos pelas brasas”.

O Natura Clube & SPA, dispõe ainda de uma piscina interior e exterior, jacuzzi, sauna, hammam e vichy para além dos tratamentos e massagens.

Muito ficou para ver e sentir e a promessa de que regressaremos para nova visita. 

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