Da leveza e da luz

Gosto de trabalhar sobre as possibilidades do homem, pois, acredito que é na existência que encontramos a liberdade de sermos quem somos; entende-se, então, o desenvolvimento das possibilidades de ser próprio como o que distingue cada um de nós, na nossa individualidade,
na medida em que a nossa ação é transformadora.

 

não joana in www.zet.gallery

 

Se pensarmos o peso dos dias levitado por fios transparentes concluímos que até os fardos mais pesados podem ser aliviados. Procuramos ser mais livres e leves e esta busca é espelhada por uma artista da atual exposição da zet gallery: não joana. A sua obra de arte Suspense Suspenso recebe-nos na zet gallery.

Eis a ironia da peça que passa despercebida até ao mais atento dos visitantes: uma vez vista, é repetidamente circundada, em pura estupefação, como se a solução para as nossas equações impossíveis do quotidiano residisse naquela verticalidade. Inúmeras minúsculas circunferências de chumbo recordam-nos que a carga não tem de pesar. Ao mínimo toque dos fios transparentes, paralelos entre si, surge uma ligação. O meu peso é o peso dos outros, embora estejamos tão certos que só os nossos ombros o sentem.

A artista não joana esculpe delicadas constelações que pairam sobre matérias mundanas. O caráter hipnotizante dos vários jogos de luz, diferentes em cada obra de arte e novos a cada hora do dia, não é o seu único poder: a capacidade de nos relacionarmos com uma vida que não a nossa assombra e delicia, em simultâneo. A iluminação das suas obras de arte contraria o escurecer precoce de dezembro e guia-nos até ao fim do ano. É o regresso à casa inicial deste jogo artístico no qual nos movimentámos: a da inspiração dos dias, de todos, do comum que não é banal. Ao relacionarmo-nos com as suas referências, aproximamo-nos da vida de um autor que, embora permaneça desconhecido ao olhar, partilha as vivências.

Para além da referida obra de arte, as peças Alvoroço, Desconheço, Compreensão, Dou-me a ti, mas super desconfortável, também deste ano, ocupam a luminosa entrada da zet gallery e completam a seleção do corpo de trabalho da jovem artista que integra SINGULAR PACE. Até 5 de janeiro de 2019 é possível conhecer o trabalho de mais dezoito artistas provenientes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, cuja seleção teve origem na ação Galerias Abertas, da respetiva entidade. A entrada na exposição coletiva, com curadoria de Helena Mendes Pereira, é gratuita. Descubra aqui as obras de arte.

 

 

 

 

 

 

 

Por Catarina Martins

head of communication da zet gallery 

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