Estátuas de sal e ferro

Palmilhei capitais europeias. Sonhei nas terras úberes de África os mais puros, os mais ardentes sonhos telúricos. (…) E não posso esquecer Paris – a sedução, o charme de Paris, na grandeza dos Campos Elíseos ou nas ruelas cosmopolitas e boémias de Saint-Michel. Tenho de lembrar o perfil dos monumentos de Londres por entre os véus do nevoeiro ou o chuvisco gelado. Tenho também de confrontar Angola com Macau para saber que há sangue e saber que há sono. Mas, acima de tudo, quero encontrar-me comigo.

Maria Ondina Braga, Estátua de Sal (1969)

Se me perguntarem onde encontro o silêncio, falarei sobre este local. Em pleno centro de Braga, um espaço particular transporta-nos para longe do ruído. Cruzo trânsito, avenidas, comércio e esplanadas para chegar ao mais belo dos jardins e às novas criações que surgiram a partir de edifícios desocupados: o Espaço Maria Ondina Braga e o Jardim do Chá, escondidos pela belíssima fachada do Museu Nogueira da Silva. Como todos os bons projetos, este tem várias assinaturas: a de quem lhe dá nome, António Augusto Nogueira da Silva, ao projeto arquitetónico, do Arquiteto Rodrigues Lima, à Universidade do Minho, entidade à qual foi doado em 1975 o, hoje, Museu Nogueira da Silva.

Às suas infinitas possibilidades – de galeria, auditório, fototeca, espaços para concertos e conferências – acrescentaram os dois belíssimos recantos desvendados, a partir da materialização do espólio da escritora, recriando o seu lugar de criação.

Maria Ondina Braga percorreu o mundo antes de parar, definitivamente, em Braga. Goa e Macau fazem parte dos destinos onde ensinou português e inglês, após ter estudado em Paris e Londres. Regressa a Portugal e é recebida pela Medalha de Ouro da cidade e agraciada com uma exposição bibliográfica pela Biblioteca Pública de Braga. Após uma vida em viagem, um único desejo: o de se encontrar com ela própria.

Ousámos desenhar um mapa para este encontro onde todos queremos chegar. Ousámos encurtar a distância entre a galeria shairart dst e o Museu Nogueira da Silva, com paragem obrigatória na Basílica dos Congregados. O circuito de arte contemporânea, que surgiu pela exposição do artista Paulo Neves – OS INSTANTES DA MATÉRIA – revela um consagrado escultor e aproxima-nos de um dos espaços da cidade e da reconhecida autora Maria Ondina Braga. Como todos os bons projetos, o encontro de todos os criadores: a shairart, a Universidade, a Basílica, o ferro (do artista) que abre caminho pelas roseiras do jardim (da Ondina). Para visitar até 23 de junho de 2018 nos três locais e revisitar, para sempre, aqui.

 

 

 

 

 

Por Catarina Martins

Head of Communication da shairart 

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