Há 15 dias de festa com o ano novo tibetano

O restaurante “Os Tibetanos”, em Lisboa, está a celebrar o “Losar”. A mudança deu-se esta sexta-feira, o nosso 16 de fevereiro, mas vai poder descobrir que sorte lhe reserva o “khpase” para os próximos meses. O jantar tem o dedo de um casal que já cozinhou para o próprio Dalai Lama. Bem-vindo a 2145.

Por Wilson Ledo

Phuntsok Dolma chegou a Portugal em 2000. O marido, Dawa Tashi, um ano depois. Vieram dar mais sabor a um restaurante bem no centro de Lisboa. O nome, “Os Tibetanos”, retira o mistério às suas origens.

Falar deste restaurante é recuar 40 anos, a 1978, quando ele nasce no seio de uma comunidade budista, então chamado de “Varanda Finisterra”. Era uma forma de ganhar dinheiro para os projetos que havia para desenvolver.

Neste restaurante não entra carne, só os seus substitutos como seitan ou tofu. E legumes, muitos legumes, mesmo que no Tibete – pela sua altitude – eles sejam escassos. O que conta são a forma e os sabores com que são cozinhados, mesmo com adaptações ao paladar português.

Esta sexta-feira, 16 de fevereiro, é dia de festa. Celebra-se o ano novo tibetano, o “Losar”. Entrar neste restaurante será também entrar no ano de 2145, ano do cão e da terra. A combinação garante um bom momento para mudanças.

Mas há coisas que são para manter, como as tradições e os rituais que antecedem o “Losar”. Dawa e Phuntsok, assim como a reduzida comunidade tibetana em Portugal, tendem a fazê-los em casa.

Há um dia de limpeza, para expulsar os espíritos maus. Grita-se “para ele não voltar”, conta Dawa. Depois muda-se a própria casa, para que o espírito, se for teimoso, sinta que já não pertence ali.

“No primeiro dia do ano não andamos em nenhum lado, ficamos em casa”, diz Dawa. Porque se acredita que o que acontece neste dia é bênção e se multiplicará ao longo do ano. Assim não se correm riscos de, por exemplo, ir à rua e gastar muito dinheiro.

A festa prolonga-se por 15 dias e é isso mesmo que vai acontecer no “Os Tibetanos”. Quem visitar o restaurante vai poder provar o “khpase”, um pequeno doce, a lembrar um biscoito, com uma mensagem lá dentro.

Antes disso, é preciso deixar-se levar pelas sugestões do menu. A garantia é de que irá provar iguarias com a assinatura do casal que tratou das refeições do líder espiritual Dalai Lama numa das suas visitas a Portugal. Com sorte, ainda pode dar uma espreitadela ao templo, que fica no piso de cima.

No meio de tantas cores, no prato e na sala, o “khpase” trará uma lição para este novo ano tibetano. “O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora”, foi a mensagem que calhou em sorte ao Onde Ir.

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