Intestino, o segundo cérebro

O intestino é hoje em dia considerado o segundo cérebro, e não sou eu que o digo, mas sim a comunidade científica.

O intestino humano abriga uma enormidade de bactérias que compõem a microbiota intestinal humana e a sua composição pode fazer a diferença entre a saúde e a doença.

Sendo também o responsável pela produção de diversas substâncias fundamentais que atuam como neurotransmissores. Estudos recentes indicam que grande percentagem da serotonina, o neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar e felicidade, é produzida no intestino.

Desta forma, assume-se que o intestino é capaz de comunicar com o cérebro através do nervo vago de forma dinâmica e complexa, formando um eixo bidirecional, apelidado de eixo intestino-cérebro, cujo equilíbrio depende da composição da comunidade microbiana que habita no intestino.

A alteração do equilíbrio deste eixo causa disfunção tanto ao nível gastrointestinal como do sistema nervoso central, traduzindo-se em doenças inflamatórias intestinais, perturbações funcionais gastrointestinais, alterações do comportamento alimentar (anorexia, obesidade), perturbações do espectro do autismo e perturbações do humor, ansiedade e até depressão.

As sociedades mais evoluídas, com mais recursos económicos e financeiros, foram submetidas a intensas alterações do estilo de vida ao longo das gerações que trouxeram melhorias das condições de vida, dos índices de sobrevivência a infeções com a utilização de antibióticos. Contudo, também estes fatores parecem por outro lado conduzir a alterações da microbiota, provocando uma disbiose (desequilíbrio da flora intestinal, entre os bactérias benéficas e patogénicas, que resulta em uma situação desfavorável à saúde).

Estudos indicam que, a manutenção de uma flora intestinal saudável poderá prevenir ou até mesmo tratar patologias distintas.

ALIMENTAÇÃO

A alimentação marca a diferença entre uma diversidade saudável e um desequilíbrio na microbiota, tanto em quantidade como em variedade, com possíveis consequências para a nossa saúde.

São muitas as formas de manter a microbiota intestinal saudável, o que envolve especialmente bons hábitos, além de boa alimentação. Evitar o tabaco e as bebidas alcoólicas, alimentos industrializados, açúcares refinados e adoçantes artificiais; manter uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais, ingerir uma quantidade adequada de água e praticar atividade física.

Os probióticos, alimentos fermentados como iogurtes, kombucha, pasta miso, kefir, assumem um lugar de destaque, já que levam à recolonização intestinal com microorganismos benéficos, restabelecendo o equilíbrio intestinal, a integridade da mucosa e, consequentemente, o equilíbrio funcional do organismo.

 

Mónica Santo

 

 

 

 

 

Por M. Carolina Santo

Nutricionista e autora do livro, em conjunto com Susana Alves, “Sopas, saladas e sobremesas detox” 

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