Kotor, entre a montanha e a baía

Kotor é uma pequena cidade, entre as montanhas e o mar Adriático, com muito charme. A cidade está cercada por uma muralha fortificada que se estende pela colina acima, serpenteando por mais de 1 km, até uma altura de 260 m acima do nível do mar. Kotor, com os seus mais de 200 anos, é um aglomerado medieval de igrejas, palácios e praças de inspiração veneziana. Património da Humanidade da UNESCO, Kotor é um dos mais bem preservados núcleos urbanos medievais do mediterrâneo.

As suas famosas muralhas são um exemplo da construção de fortificações da Europa, datando o início da sua construção do século IX.  Percorrer a muralhas leva-nos por um percurso ao longo da montanha, sempre a subir até ultrapassar os seus 1350 degraus.  A subida dura, sobretudo nos meses de verão, é altamente recompensada pela vista, para a cidade e sobretudo para o grandioso fiorde onde Kotor se instalou, há mais de 200 anos.  A meio caminho encontramos a pequena igreja de Nossa Sra. da Saúde. A igreja é simples e de pequena dimensão, mas não passa despercebida. A muralha termina no Forte de Kotor ou Castelo de São João.

Por seu lado a cidade é plana e compacta, muito fácil de visitar. A entrada é feita através da porta do Mar, construída durante o domínio veneziano. Por cima da porta é possível encontrar uma estrela comunista que assinala a data da libertação dos nazis na II Guerra Mundial, com uma frase de Tito, o líder que esteve à frente da antiga Jugoslávia após o fim da guerra. É ainda possível entrar na cidade por duas portas laterais, menos óbvias, mas que nos levam direto para as suas ruas labirínticas. A porta do Rio que dá entrada para uma rua mais calma e passa sobre as translúcidas águas do rio Skurda e a Porta Gurdić, a mais afastada e que nos leva por um estreito corredor, junto às muralhas que, por ser uma entrada menos procurada, nos permite sentir o espírito de outras épocas e o que seria entrar na cidade nessa altura.

Kotor tem ainda uma vasta riqueza patrimonial refletida nos seus monumentos mais emblemáticos como a Torre do Relógio, a Catedral de S. Tryphon , as Igrejas de Sveti Luka e Sveta Marija  e os inúmeros palácios como Bizanti, Buca, Pima e Grgurin. A Torre do Relógio é um dos símbolos da cidade desde 1602 e o seu relógio emblemático é mantido atualizado, através dos séculos, pela mesma família de relojoeiros. Já a Catedral de S. Tryphon, catedral católica do século XII, foi reconstruída diversas vezes devido aos múltiplos tremores de terra que abalaram Kotor ao longo dos séculos, um dos quais acabou por destruir totalmente a sua fachada, assim como as torres.

Destaca-se no seu interior os pilares de pedra cor-de-rosa, os recortes dos frescos originais que sobreviveram ao longo dos séculos e a peça do altar, um baixo-relevo de prata bastante impressionante. A igreja inclui ainda diversos relicários com partes dos santos, incluindo do próprio S. Tryphon, patrono da cidade. Outra igreja que merece visita é a Igreja de S. Nicolau, localizada numa das mais movimentadas praças da cidade. Como qualquer igreja ortodoxa cheira a incenso e a respeito, onde se destaca o fantástico iconóstase, a parede do altar que separa os fiéis dos líderes religiosos, nas igrejas ortodoxas. Ainda na mesma praça, a Igreja de S. Lucas, pequena, mas com uma história bastante interessante e atribulada, merece uma visita. Foi construída em 1195 como uma igreja católica, mas entre 1657 e 1812 o serviço acontecia de forma alternada, entre a doutrina católica e a ortodoxa, coexistindo os dois altares lado a lado. Atualmente é uma igreja ortodoxa, como atesta o seu fantástico iconóstase. Merecem ainda uma visita o palácio Pima, cuja arquitetura tradicional montenegrina (uma mistura de barroca com renascentistas) se destaca na Praça da Farinha (onde existiu um importante armazém de farinha, daí o nome peculiar).

A vida na cidade faz-se em redor das suas múltiplas praças, ponto de encontro e centro das mais diversas atividades. Atualmente preenchidas com cafés e restaurantes continuam a ser o local ideal para apreciar quem passa e colocar a conversa em dia. As ruas estreitas de pedra da cidade antiga são ideais para vaguear sem pressa e sem mapa, parando aqui e ali para um gelado, uma bebida fresca ou para provar, num dos muitos restaurantes, as especialidades locais de inspiração mediterrânica. Por tudo isto a cidade encontra-se protegida na lista da UNESCO como Herança Cultural Mundial, desde 1979.

Fora das muralhas, merece visita o pequeno mercado de produtos locais como azeitonas, azeite, queijos, frutas e legumes (bem guardados por dezenas de abelhas) e peixe fresco. É o local ideal para ficar a conhecer os sabores locais, tipicamente mediterrânicos. A “praia” é outro local indispensável, sobretudo nos meses de verão. A areia fina é substituída por pequenos seixos que magoam os pés ao entrar na água, mas as águas límpidas e tépidas são um convite impossível de resistir, sobretudo pela vista envolvente.

 

Guia Prático:

Como ir: autocarro, carro ou barco. Não existem alternativas mais rápidas uma vez que Kotor fica no meio do fiorde. Os acessos podem ser feitos, para quem chega de avião, através de Dubrovnik (cerca de 1h30 a 2h dependendo do transito na fronteira) ou via Podgorica, capital do Montenegro, cuja distância é um pouco maior, mas não tem a desvantagens das filas para atravessar a fronteira.

Onde ficar: existem uma série de hotéis mesmo no centro histórico. Recomendo o Hotel Villa Duomo. É um hotel construído num edifício tradicional recuperado e o quarto do sótão é um charme com a cama colocada na clarabóia.

Como se deslocar: a pé. Aliás, no centro não existe mesmo qualquer outra hipótese porque não circulam veículos automóveis na cidade velha.

Onde e o que comer: a cidade está coberta de restaurantes por todo o lado. Nas praças e até nas ruas mais estreitas. Recomendo o City e o Astoria. O primeiro para comida mais tradicional e o segundo para comida com um pouco mais de requinte. Os preços são médios e a comida muito próxima da italiana, mas com mais foco no peixe fresco e frutos do mar (mexilhões, peixe frito e grelhado, calamares, risotos de frutos do mar).

A moeda: a moeda é o € apesar do país não ser da União Europeia. Ficou assim definido em 2006 quando Montenegro se separou da Sérvia.

 

Por Sónia Dias

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