Madeira

A Madeira nasceu no meio do Atlântico como um perfeito jardim flutuante. A Pérola do Atlântico dá-se a conhecer por entre um sem fim de tons de verde das suas florestas, os perfeitos azuis translúcidos das suas águas e a história e alma de um povo acolhedor.

Por Sofia Soares Carraca

 

ONDE FICAR

­Belmond Reid’s Palace. É junto à dança entre os diferentes azuis do mar, no topo de uma falésia, que surge este hotel de 5 estrelas. Um lugar onde se mistura o conforto com o luxo e a boa maneira de receber do povo madeirense. Localizado no Funchal, este hotel histórico dono de vistas deslumbrantes recebe os seus hóspedes com todo o requinte há mais de um século. É o local ideal para desfrutar de momentos tranquilos passados nos seus exuberantes jardins subtropicais, na piscina “plantada” junto o mar, com os tratamentos inspirados na natureza do Spa, ou ao deliciar-se com as invenções criativas do chef Luís Pestana, do Restaurante William, um dos dois restaurantes da ilha galardoados com estrela Michelin.

Estalagem Ponta do Sol. Diz quem sabe que a Ponta do Sol é o local com mais horas de sol por ano em toda a ilha, um recanto abençoado com um clima ameno e convidativo. É no cimo de um penhasco, com vistas para esta pequena vila tradicional à beira mar que uma antiga quinta senhorial foi adaptada a bar e restaurante e à sua volta nasceu, em 2001, uma construção original, contemporânea, minimalista e em consenso com a natureza. Um hotel descontraído, ao mesmo tempo que sofisticado. A Estalagem Ponta do Sol é um Design Hotel que se integra perfeitamente e permite que os seus hóspedes se sintam um com a natureza envolvente.

 

ONDE COMER

Restaurante DC Atelier. Há muitas décadas existia um ilhéu ao largo do Funchal que ficou ligado a terra quando foi construído o porto da cidade. Hoje é um dos locais que oferece das vistas mais impressionantes sobre a capital da Madeira, do mar para a ilha. No topo do ilhéu nasceu a Fortaleza da Nossa Senhora da Conceição, em tempo casa de João Gonçalves Zarco, um dos descobridores da Madeira. Em 2015 o Molhe foi transformado em Design Centre Nini Andrade Silva, pela afamada designer de interiores madeirense. O espaço alberga uma exposição permanente, loja, bar e restaurante. O DC Atelier, no 1.º piso, tem uma vista de 360° para o anfiteatro natural da cidade por um lado e para a vastidão do oceano por outro. O espaço veste-se de preto e branco, com detalhes característicos dos ambientes da designer e cadeiras de vime a desvelar a tradição madeirense. A cozinha apresenta iguarias que combinam a inovação com a tradição, numa reinterpretação da gastronomia regional autêntica.

Talho do Caniço. O prato típico mais afamado da Madeira é, porventura, a sua deliciosa espetada. Por toda a ilha surgem inúmeros restaurantes que a preparam da maneira tradicional. Cada madeirense tem o seu restaurante de espetada favorito, numa discussão tão renhida quanto “onde se come a melhor francesinha?”. Contudo, há um local, no Caniço, onde a espetada é mais do que um prato, é uma experiência. Este restaurante é, na realidade, um talho, onde tem a garantia de ter acesso a carne fresca e de qualidade. Carne que pode escolher e é preparada na hora, com sal e louro, posta no espeto para que a possa assar na churrasqueira que se encontra no bar contíguo. Há quem dê uma ajuda a preparar a iguaria, que quando assada no ponto desejado é devolvida ao cliente. É tirar os cubos do espeto, colocar no pão e deliciar-se com este pitéu à boa maneira madeirense, como se come nos tradicionais arraiais da ilha.

Vila do Peixe. É em Câmara de Lobos, não longe do miradouro onde Winston Churchill foi fotografado, sentado numa cadeira de vimes, de charuto na boca, a pintar a pitoresca baía, que se situa este restaurante que nos serve tudo o que de melhor os mares da ilha oferecem. O espaço apresenta uma decoração simples, com destaque para os grandes janelões que abraçam o restaurante, que se abrem em belas vistas sobre a vila e deixam entrar os raios de sol. Os pratos que serve refletem a forma tradicional madeirense de preparar o peixe. Peixe que não é fresco, mas fresquíssimo, saltando do mar para o prato. O peixe passa simplesmente pelas brasas ou é aproveitado para arrozes, açordas, caldeiradas, massadas e cataplanas. No menu visam iguarias tradicionais da ilha, como as doses de lapas e caramujos e ovas de espada fritas.

 

O QUE FAZER

Créditos: Fernando Guerra e Sérgio Guerra

Mudas. Museu de Arte Contemporânea da Madeira. A Casa das Mudas, na Calheta, é não só um museu cujo espólio reúne importantes obras de arte contemporânea, como é também, por si só, um marco arquitectónico. A coleção de arte contemporânea encontrava-se anteriormente instalada no Forte de São Tiago, no Funchal, mas foi crescendo ao longo dos tempos e precisava de uma casa maior. Engloba importantes obras dos anos 60, sendo uma referência nacional da produção artística portuguesa, com representação de artistas como Joaquim Rodrigo, António Areal, Helena Almeida, Nuno de Siqueira, Artur Rosa e Lourdes Castro. Já a própria Casa das Mudas, inaugurada em 2004, é um projeto premiado internacionalmente, do arquiteto madeirense Paulo David, com linhas retas e sóbrias a cinzento, que se misturam com o verde envolvente.

Fajã dos Padres. Toda a Ilha da Madeira está rodeada de encantadoras fajãs – pequenas extensões de terreno plano, situadas à beira-mar, formadas através do deslizamento de materiais desprendidos das arribas. Ainda assim, o destaque vai para a maravilhosa Fajã dos Padres. O acesso à terra lá em baixo é feito através de um teleférico, numa viagem de 2 minutos que desce 300 metros (10€ por adulto). Na fajã encontram-se edificações antigas que foram adaptadas a unidades de alojamento, para que nos possamos imergir neste ambiente singular. Há também um restaurante que serve iguarias da cozinha regional, de onde se destacam os pratos de peixe, com o tão apreciado atum e peixe-espada, e sobremesas e acompanhamentos que utilizam os frutos e verduras que crescem ali, junto ao mar. O teleférico parece dar acesso a uma sub-ilha tropical, um ambiente denso de árvores de fruto, vinha e palmeiras na primeira linha de praia. Para quem não se entende com o calhau da ilha, pode aproveitar as águas límpidas do mar através de uma plataforma e cais com guarda-sóis e espreguiçadeiras.

Levada do Alecrim. Laurissilva é o nome dado ao tipo de floresta típica da Macaronésia – a região formada pelos arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Uma floresta exuberante que se pinta em distintos tons de verde, onde a água é uma constante, as flores são mil e as árvores únicas. A Floresta Laurissilva da Madeira é Património da Humanidade da UNESCO e a melhor maneira de nos embrenharmos nela é através das tradicionais levadas. O nome surge de “levar”. Levar a água de onde existe em abundância até onde é precisa. São percursos de irrigação construídos há centenas de anos, que cobrem mais de 2.500Km da ilha. Os canais cavados na rocha, intercalados por túneis – em bom madeirense “furados” –, pontes e escadas, fazem-se acompanhar de percursos ideais para caminhadas. Há mais de 50 caminhadas ao longo da ilha, mas destacamos aqui a Levada do Alecrim. No Rabaçal, este percurso com cerca de 3Km é acessível a todo o tipo de caminhantes, sem grandes subidas e descidas ou troços vertiginosos. Prima pela luxuriante vegetação que o abraça e, sobretudo, pelo brinde que temos no final, uma queda de água que forma belíssimas lagoas, com destaque para a Lagoa Dona Beja onde nos podemos banhar nas águas cálidas.

Ponta de São Lourenço. Outra caminhada imperdível é a Vereda da Ponta de São Lourenço, a ponta Este da ilha. A Península de São Lourenço, de origem vulcânica, deve o seu nome à caravela de João Gonçalves Zarco. O caminho que a percorre é como nenhum outro na ilha. Faz-se num cenário árido e dourado que mais se assemelha ao Porto Santo. O percurso oferece uma vista desafogada por um lago para a vertente sul e por outro para a vertente norte da ilha, bem como para os dois ilhéus que parecem um continuar interrupto da península. Ao fundo, se a meteorologia assim o permitir, é ainda possível avistar a Ilha Dourada, o Porto Santo. À direita alonga-se um mar que mais parece um lago, em tons de azul-turquesa, que contrasta com a irreverência do mar azul-escuro que se bate em espuma branca contra a encosta norte. É a par com o grito invulgar das cagarras, que juntamente com outras aves marinhas aqui nidificam, que vamos palmilhando caminho e a terra vai estreitando. Depois de subir e descer, de curvas e contracurvas, chegamos, por fim, à Casa do Sardinha, onde podemos descer até ao Cais do Sardinha. Esta minúscula praia de calhau com um pontão também ele pequeno dá acesso a um mar tão límpido e transparente que custa acreditar ser real. Um mar profundo que parece superficial onde avistamos, sem ser necessário óculos de mergulho, estrelas-do-mar, esponjas do mar e um sem fim de peixes e quem sabe, lá mais ao fundo, um ocasional lobo-marinho.

Funchal. A capital da ilha é uma cidade que reúne uma multiplicidade de espaços de interesse. Se é beleza natural que quer conhecer é dirigir-se ao Jardim Botânico da Madeira, um espaço com mais de 2.000 plantas exóticas oriundas de todos os cantos do mundo e que conta também com um Museu de História Natural. No centro da cidade conta ainda com o Parque de Santa Catarina, com vistas fantásticas sobre o Porto do Funchal e localizado ao lado do Casino da Madeira. A nível de património edificado e museológico há muito para descobrir. O Teatro Municipal Baltazar Dias, para além de centro cultural da ilha apresenta uma sala de espectáculo verdadeiramente encantadora. O Palácio de São Lourenço, antiga fortaleza de anos de 1500, está aberto a visitas que dão a conhecer salões ricamente decorados, jardins e a arquitetura militar desta antiga residência dos Capitães Donatários do Funchal. Para desvendar os requintados pormenores do Vinho Madeira é visitar o Blandy’s Wine Lodge, nas Adegas de São Francisco, as mais antigas da ilha. A história e cultura madeirense é contada através de espaços como a Casa-Museu Frederico de Freitas, o Museu de Arte Sacra do Funchal e o Museu da Quinta das Cruzes. Do património religioso destaque para a Sé Catedral do Funchal, de linhas hispano-árabes e romano-góticas, com características manuelinas, e a Igreja do Colégio, um dos mais belos monumentos do séc. XVII. É preciso, ainda, dar especial alento ao fantástico Mercado dos Lavradores, a melhor montra para tudo o que é regional. O mercado é um quadro vivo de cores e cheiros das dezenas de frutas exóticas e coloridas flores da ilha. Por fim, a noite urge uma visita à Zona Velha onde se reúnem restaurantes e bares onde é possível degustar a tradicional poncha e gastronomia madeirense. Este bairro é atravessado pela Rua de Santa Maria que foi alvo de um projeto de requalificação em que as suas portas foram transformadas em obras de arte por diversas entidades ilustres do panorama artístico madeirense. É desta zona que parte o teleférico que cruza os céus da capital até ao Monte, outra visita imperdível. 

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