4.0: competitividade não é desumanização

Cada vez mais as pessoas estão ligadas em rede, é cada vez maior o número de plataformas digitais que disponibilizam informação em tempo real e interligam, produtos, serviços e máquinas.

Vivemos uma nova Revolução, a Indústria 4.0 que, como não podia deixar de ser, abrange também o Turismo.

E o sector está também ele “sob pressão” de novos desafios, novos conceitos, novas tecnologias. Falamos já de Smart Destinations, Smart Cities, que nos remetem para a Internet das Coisas – Internet of Things. Mas além das “coisas” coexistirem entre o mundo digital e o mundo real, entramos já num outro patamar, o do tratamento de dados, de informação, através de algoritmos e novos software, que nos impelem a compreender melhor e colocar ao nosso serviço quer Big Data quer a Inteligência Artificial.

Queremos tornar os nossos destinos, os nossos produtos, os nossos serviços, no fundo as nossas empresas mais competitivas. Queremos um Turismo que consiga promover uma oferta diversificada, que descentralize e promova regiões, queremos promover melhor a hotelaria, a restauração, queremos fidelizar os nossos clientes?

Então precisamos capacitar esta indústria que alcançar maior sucesso exige um investimento claro e abertura das empresas à inovação, apostando na qualificação e na formação dos colaboradores, dotando-os de novas competências, as e-skills.

É urgente fomentar os grandes repositórios de dados, de informação, analisá-los e colocá-los ao serviço da produção e promoção de oferta concreta, direcionada para a procura; para quem procura, para o que procura.

Se há por um lado, turistas que procuram para as suas viagens ou férias, o repouso absoluto, desligados ou desconectados do mundo virtual, por outro, há quem desde o momento primeiro da sua pesquisa, até à avaliação final, faça-o através da oferta digital, por considerar mais célere, mais cómodo e podendo personalizar tudo à sua preferência.

Claro, surge logo a dúvida; a prestação de serviços feita por pessoas, para as pessoas, desaparece? Estaremos a desumanizar o Turismo?

Não, não temos de caminhar nesse sentido, não queremos hotéis ou cidades desumanizadas, mas a verdade é que teremos de adaptar a oferta que cada um proporciona à realidade atual.

O utilização de Big Data em parceria com a Internet of Things são também parte da solução para a gestão de fluxos de turistícos. A recolha e o tratamento da informação são instrumentos essenciais para uma melhor gestão local e regional, permitindo a título de exemplo direcionar, em tempo real, os visitantes para outros locais turísticos com menor afluência ou procura.

Encontrar o equilíbrio entre a Indústria 4.0 e seus benefícios e a Prestação de Serviços de Qualidade de Pessoas para Pessoas é a chave do sucesso do negócio.

 

Por Cláudia Monteiro de Aguiar
Deputada ao Parlamento Europeu, Transportes e Turismo, Pescas e Assuntos Marítimos
Presidente do Grupo de Trabalho de Turismo e Vice-Presidente da SME Europe

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