Parque Natural do Faial disponibiliza 10 trilhos pedestres

O pedestrianismo é uma atividade que tem vindo a alcançar um número crescente de praticantes. As principais motivações associadas ao pedestrianismo são, o contacto com a natureza, o bem-estar físico e a descoberta, motivações que se encontram descritas para os mercados de turismo de saúde e bem-estar e, sobretudo, de Turismo de Natureza, mercados com fortes perspetivas de crescimento.

Os trilhos pedestres fazem parte integrante do Parque Natural do Faial, contribuindo assim para explorar uma série de pontos de interesse deste parque, onde se destacam as paisagens, a fauna, a flora, as formações geológicas, bem como a história dos Açores, pois muitos deles eram caminhos de pé posto, por onde passavam as gentes, possibilitando o contacto entre populações e a troca de produtos agrícolas, entre outros.

No Faial existem no momento, oito trilhos de pequena rota, uma grande rota, sendo que cinco são circulares e quatro lineares, três circuitos interpretativos e um trilho de visita acompanhada, estando prevista a criação de um novo trilho de acesso condicionado, a subida ao vulcão dos Capelinhos.

AZORES TRAIL RUN A 25 E 26 DE MAIO

Nestes trilhos ocorre o evento Azores Trail Run que é um evento desportivo de trail running, que irá decorrer nas ilhas do Faial e Pico, nos próximos dias 25 e 26 de maio,  sendo composto por três provas longas (Whalers Great Route Ultra-Trail® – WGR 125 km, Ultra Blue Island – UBI 65 km e Marathon Faial Coast to Coast – MFCC 42 km) e duas provas mais curtas (Trail Ten Volcanoes – TTV 25 km e Mini Family Trail – MFT 10 km) e um quilómetro vertical na ilha do Pico.

Este ano, a grande novidade é que está integrado no World Tour como prova Discovery Race.

A prova Whalers Great Route Ultra-Trail®, para além de ser uma magnífica aventura onde os atletas podem desfrutar de paisagens vulcânicas no meio do oceano Atlântico é uma recuperação da memória de uma atividade que marcou, durante mais de um século, a cultura Açoriana.

 

OS TRILHOS MAIS FÁCEIS

Levada

O percurso da Levada apresenta uma extensão de 8,282 km e um grau de dificuldade baixo, demorando cerca de 2h30m a ser efetuado.

“A maior obra de engenharia dos Açores”, assim qualificada aquando da sua inauguração em 1964, levou 4 anos a ser construída e 7 a ser planeada.

A Levada, canal com 10 km (atualmente apenas se pode percorrer 8 Km) de extensão implantado a 680 m de altitude, tinha como principal função a produção de energia hidroelétrica recolhendo em vários pontos, água proveniente das zonas de Castelhano, Cabeço, Risco, Fajãs, Cabras, Guarda-Sol e Águas claras, posteriormente canalizadas desde o reservatório principal, com capacidade de armazenamento de 1000m3, até à central mini-hídrica do Varadouro.

Ao longo do trilho terá oportunidade de observar excelentes exemplares de flora Laurissilva, como o louro (Laurus azorica), o sanguinho (Frangula azorica), o azevinho (Ilex azorica) e a uva-da-serra (Vaccinium cylindraceum). Relativamente às espécies faunísticas possíveis de observar são essencialmente aves dos Açores, nomeadamente a galinhola (Scolopax rusticola), o melro-preto (Turdus merula azorensis), a estrelinha (Regulus regulus inermis) e o tentilhão (Fringilla coelebes moreletti). O percurso termina próximo de um cone vulcânico, o Cabeço dos Trinta, o qual pode visitar através de um túnel que dá acesso ao seu interior.

 

Morro de Castelo Branco

Este trilho é uma pequena rota circular, com ponto de início e fim na Lombega, freguesia de Castelo Branco. É um percurso com grau de dificuldade baixo, extensão de 3,2 km e duração de 1h30m. O principal objetivo deste percurso é a contemplação do Morro de Castelo Branco, um domo traquítico classificado como Reserva Natural.

Neste troço, para além da importante componente geológica, poderá desfrutar da tranquilidade para observar algumas aves marinhas dos Açores, como o cagarro (Calonectris borealis), o garajau comum (Sterna hirundo), o garajau rosado (Sterna dougallii), espécie prioritária protegida pela diretiva habitats, a gaivota-de-patas-amarelas (Larus michaellis atlantis) e o frulho (Puffinus lherminieri baroli).

No que respeita à flora, existem ao longo do percurso espécies raras e protegidas, como é o caso da não-me-esqueças (Myosotis marítima) e a urze (Erica azorica).

 

Entre-Montes

O trilho Entre Montes tem uma duração estimada de 1h30m ao longo de um percurso de 3,3 km, com dificuldade baixa, inicia e termina junto à antiga fábrica baleeira de Porto Pim.

Este trilho retrata a história deste local desde o século XVIII altura em que esta enseada servia de abrigo a baleeiras americanas que aqui ancoravam para se abastecerem de mantimentos e à procura de homens para a sua tripulação, açorianos conhecidos pela sua temeridade e destreza.

Passando pela ilustre família Dabney, associada ao comércio e agenciamento da navegação transatlântica, pelos cabos submarinos, até ao fim do século passado, altura em que terminou a caça à baleia nos Açores, é possível visitar a Fábrica da Baleia, a Casa dos Dabney e o Aquário do Porto Pim.

Efetuando o circuito durante as estações da Primavera e do Verão, podem ser daqui observadas algumas espé­cies da avifauna marinha dos Açores, como o cagarro (Calonectris diomedea borealis), cujo canto é facilmente reconhecível, à noite, e o garajau-comum (Sterna hirundo), pois é nesta época que estas aves migram para este arquipélago a fim de nidificarem.

Ao longo do percurso a paisagem envolvente é dominada pela urze (Erica azorica), a faia (Myrica faya), o Bracel-da-Rocha (Festuca petraea) e o Junco (Juncus acutus).

 

Circuito Interpretativo Caminho de Baleeiros

O circuito Caminho de Baleeiros, com 4 km de extensão de baixa dificuldade e com duração aproximada de 2 horas, inicia-se no Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos.

Este circuito retrata a importância do antigo Porto do Comprido, a maior e mais produtiva estação baleeira dos Açores até 1957, altura em que o vulcão dos Capelinhos iniciou a sua atividade.

Neste circuito é possível passar por antigas vigias da baleia e descobrir a vivência das gentes do Capelo antes da erupção dos Capelinhos, experimentando as sensações de viver numa época em que a baleação era um dos recursos económicos mais importantes para a ilha do Faial.

 

Circuito BTT

O circuito com uma extensão total de 2 Km e uma dificuldade média, resulta da recuperação de um antigo trilho pedestre bem como de parte de um caminho de terra que em tempos foi utilizado por agricultores da ilha.

O circuito de BTT desenvolve-se integralmente no Parque Florestal do Capelo, espaço onde podem ser observadas várias espécies naturais dos Açores, nomeadamente associadas ao habitat “Laurissilva costeira”, como é o caso da Faia (Myrica faya), o Louro (Laurus azorica), a Urze (Erica azorica) o Tamujo (Myrsine retusa) ou mesmo o Pau – branco (Picconia azorica).

 

Roteiro dos Dabney

O roteiro retrata locais importantes para a história da família Dabney associada à própria história do Faial.

Desde locais onde os Dabney viviam, passeavam, realizavam negócios, e que hoje em dia estão integrados num importante património histórico da cidade.

O patriarca desta família, John Bass Dabney, ficou conhecido pelos locais como “o pai dos pobres” e foi o primeiro cônsul dos EUA para os Açores.

Oriundos de Boston, foi ao longo de quase 100 anos que os seus descendentes diretos tiveram uma influência extremamente importante no desenvolvimento cultural e económico desta ilha, especialmente no comércio de produtos derivados da baleia, do vinho e da laranja.

 

OS TRILHOS MÉDIOS

Capelo – Capelinhos

Este trilho inicia-se junto à estrada que sobe para o Cabeço Verde, no cruzamento entre o acesso à Furna Ruim e Cabeço Verde. Tem uma duração aproximada de 1h30m, um grau de dificuldade médio e estende-se por 3,1 km. Neste percurso é possível contemplar alguns dos antigos cones vulcânicos responsáveis pela formação da península do Capelo, bem visíveis no alinhamento Caldeira – Capelinhos.

No topo do Cabeço Verde é possível desfrutar da paisagem sobre o Cabeço do Fogo (a Este), centro da primeira erupção histórica da ilha do Faial (1672) e antigas escoadas lávicas associadas (que atingiram as costas Norte e Sul), o vulcão central da Caldeira e ainda o domo traquítico do Morro de Castelo Branco.

A Norte distingue-se as áreas do Norte Pequeno, Fajã e Praia do Norte, outrora afetadas por fenómenos de vulcanismo e sismicidade históricos (erupção do Cabeço do Fogo, em 1672/73, erupção dos Capelinhos de 1957/58 e sismo do Capelo, em 1958). Este percurso passa, ainda, pela cavidade vulcânica da furna Ruim, caldeirão do Cabeço Verde e Cabeço do Canto.

 

Rocha da Fajã

Este percurso com 4,7 km é uma pequena rota circular que se desenvolve próximo da Área Protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies dos Capelinhos, Costa Noroeste e Varadouro. Inicia e termina na Freguesia da Praia do Norte e tem a duração aproximada de 2h00m.

O trilho desce à fajã da Praia do Norte, uma fajã com génese mista, em parte formada através da acumulação de detritos provenientes das altas arribas que a ladeiam e impondo-se ao mar através de uma magnífica escoada lávica proveniente das várias erupções que formaram a península do Capelo.

Esta escoada encerra verdadeiros tesouros naturais, encraves de rochas provenientes do manto, os chamados xenólitos olivínicos, do grego xenos (estranho); lithos (pedra).

 

Caldeira

O percurso do perímetro da Caldeira apresenta uma extensão de aproximadamente 7 km e um grau de dificuldade médio, demorando cerca de 3h00m para ser efetuado.

Este percurso tem início e termina junto ao miradouro da Caldeira, um dos mais bonitos do Faial.

Localizada na parte central da ilha do Faial, a Caldeira, cuja formação resulta de um vulcão com 410 000 anos de idade que começou a colapsar quando a lava começou a recuar esvaziando a sua câmara magmática, dando origem a esta caldeira com um diâmetro de cerca de 2 km e uma profundidade média de 400 m, coberta por exuberante vegetação de Laurissilva, semelhante à que existia nestas ilhas antes da ocupação humana.

No fundo, encontra-se um pequeno cone que em muito se assemelha à forma da ilha do Faial, resultante da sua última erupção há 1 200 anos e que cobriu cerca de 70% da ilha do Faial com pedra-pomes incandescente.

 

TRILHOS DIFÍCEIS

Dez Vulcões

Este percurso associa três segmentos de trilhos existentes no Faial: a Caldeira, a Levada e o Capelo-Capelinhos. O percurso tem início na Caldeira e percorre, como o próprio nome indica, 10 dos principais vulcões existentes no alinhamento fissural da Península do Capelo.

A biodiversidade e a geodiversidade são uma constante neste percurso, destacando-se as paisagens arrebatadoras da Península do Capelo e o antigo Farol dos Capelinhos, num autêntico cenário lunar onde é possível pisar terreno formado por cinzas, tufo e bombas vulcânicas onde agora se encontra o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos.

Este trilho tem um desnível aproximado de 1000 m, permitindo descobrir grande parte da flora endémica dos Açores, desde exemplares de altitude, passando pelos de média altitude e também por espécies características de ravinas e locais abrigados. Termina numa das maiores e mais importantes estações baleeiras dos Açores entre 1940 e 1957, o Porto do Comprido.

 

Caminhos Velhos

O trilho começa no Porto da Boca da Ribeira, na Ribeirinha, percorrendo antigos caminhos rurais que outrora tinham grande importância na comunicação aos lugares mais isolados e permitiam a passagem de carros de bois que faziam o transporte de materiais diversos contribuindo para a melhoria das condições destas gentes.

O trilho, mais do que a sua importância paisagística, desenrola-se num enredo histórico que transmite a dificuldade e a dureza da vida rural naqueles tempos. Ao longo do percurso encontramos a ruína do antigo farol da Ponta da Ribeirinha, destruído pela intensa crise sísmica de 1998, cujo epicentro se deu no mar a cerca de 5km deste local. Construído em 1919 junto a uma falha ativa, a Lomba Grande, o farol estaria já destinado ao insucesso.

Em direção à Caldeira, grande parte do trilho desenvolve-se no cimo da escarpa de falha da Lomba Grande, um importante acidente tectónico que favoreceu a formação do Graben de Pedro Miguel. Perfeitamente instalados nesta depressão tectónica encontram-se os Charcos de Pedro Miguel, local de observação de aves migratórias. Perto do fim do trilho, está um dos mais espetaculares aparelhos vulcânicos que existem na região, a Caldeira do Faial com cerca de 410 mil anos e que resultou de várias sequências de abatimento do antigo cone.

 

Faial Costa a Costa – 800 000 anos de história

Este trilho, que resulta da junção dos trilhos dos Dez Vulcões e Caminhos Velhos, transporta-nos para a idade da formação da ilha, passando por cones vulcânicos, crateras, furnas e algares, locais misteriosos e caraterísticos das belas paisagens vulcânicas açorianas. Começa no Porto da Boca da Ribeira à cota 0, freguesia da Ribeirinha, na ponta este e mais antiga da ilha.

Este percurso faz-se exatamente desde o local onde se formou a ilha primitiva, através do antigo vulcão da Ribeirinha com cerca de 800 mil anos e que deu origem ao complexo vulcânico com o mesmo nome. Sobe até aos 1000m, por caminhos de outros tempos, passando pela Caldeira do Faial, cratera de um vulcão adormecido com 2km de diâmetro e 400m de profundidade com origem há cerca de 410 mil anos e cujas sucessivas fases eruptivas construíram a zona central do Faial, denominada por Vulcão da Caldeira.

Passando por paisagens luxuriantes típicas destas ilhas até ao autêntico deserto lunar da paisagem do Vulcão dos Capelinhos, resultante da erupção de 1957/58 responsável pela emissão de 175 000 000m3 de cinza, o último vulcão deste alinhamento de cones, e da península vulcânica mais recente da Europa. Termina novamente à cota 0 naquela que foi uma das maiores e mais importantes estações baleeiras dos Açores entre 1940 e 1957, o Porto do Comprido, desativado na sequência da erupção do vulcão dos Capelinhos.

 

Descida à Caldeira – Trilho Acompanhado

A descida à Caldeira tem a duração de cerca de 3h30m e um grau de dificuldade elevado. Pode observar toda a copiosa exuberância da Laurissilva húmida que encontra, nesta caldeira, um dos melhores locais dos Açores. Este é um dos mais preciosos redutos da flora natural do arquipélago, inserido na caldeira de um vulcão com uma área de cerca de 330 ha.

Dada a necessidade de conservação dos valores naturais presentes na Caldeira do Faial, com relevo para a singularidade geológica, biológica e paisagística deste local, foi criado o Regulamento de Acesso à Caldeira (portaria n.º 42/2011 de 8 de junho de 2011).

Nos termos deste regulamento, a capacidade máxima deste percurso é de 12 visitantes, sempre acompanhados por um guia certificado pelo Parque Natural do Faial, podendo ser realizadas até três descidas por dia.

Por João Melo, diretor do Parque Nacional do Faial 

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