Por estradas de tijolo amarelo

As segundas-feiras são, por defeito, criaturas de hábitos automatizados e percursos pré-estabelecidos. Há cerca de um mês quebrámos a monotonia e fechámos a porta da galeria shairart dst por uma manhã. Desafiando a chuva de abril, chegámos onde éramos esperadas: à vila de Cucujães, em Oliveira de Azeméis, e a Paulo Neves.

A realidade do atelier de escultura supera qualquer expectativa: a vizinhança não denuncia o bosque encantando no qual estamos prestes a entrar e o curto trilho até à porta esconde a imensidão do espaço. A entrada oculta, à primeira vista, as escadas que nos levam ao piso inferior, à imensidão das obras de arte e ao mágico espaço exterior. Por umas horas, fomos July Garland, percorrendo incansavelmente estradas de tijolo amarelo até ao Feiticeiro de Oz. Quatro pares de sapatos vermelhos envernizados tentam acompanhar a velocidade dos olhares estupefactos perante as formas circulares que se entrelaçavam e as altivas figuras que, sobre nós, se erguiam.

No filme The Wizard of Oz (1939) a personagem principal, Dorothy, “encontra um Espantalho que precisa de um cérebro, um Homem de Lata que quer ter um coração e um Leão cobarde que precisa desesperadamente de coragem. Todos eles esperam que o Feiticeiro de Oz os ajude (…)”. [O Feiticeiro de Oz in www.rtp.pt] As respostas às nossas próprias questões despontam, lentamente, no cheiro da madeira, no toque do ferro, no assombro do bronze e na inesperada conjugação destes materiais. A aparente simplicidade leva-nos ao que verdadeiramente precisamos, à semelhança das personagens: cérebro, coração e coragem; pensar, sentir e agir. O afamado percurso de Paulo Neves celebra uma vida revestida a caráter e integridade e retrata o desejado ponto de chegada: a Cidade Esmeralda em cada um de nós e o cumprimento de todas as nossas inquietações.

No próximo sábado, dia 5 de maio, a galeria shairart dst abre as portas à sua primeira exposição de escultura e à cidade. A seleção das obras de arte do consagrado escultor português Paulo Neves tem como primeiro ponto inaugural o jardim do Museu Nogueira da Silva – um profundo elogio à natureza na (re)descoberta de um dos recantos mais belos da cidade – e termina na Basílica dos Congregados. O culminar do circuito abre espaço para uma renovada espiritualidade, introduzida pelas peças do artista. A exposição OS INSTANTES DA MATÉRIA, com curadoria de Helena Mendes Pereira, poderá ser visitada até 23 de junho. À distância, a qualquer momento, as obras de arte e o autor poderão ser descobertos na plataforma online shairart: www.shairart.com.

 

 

 

 

 

 

Por Catarina Martins

Head of Communication da shairart

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