Seen. O que há para ver atrás da cortina

Olivier da Costa tem um novo projeto em Lisboa. Do Brasil veio um conceito que está já a dar uma nova vida ao nono andar do Hotel Tivoli na Avenida da Liberdade. A vista está ainda mais saborosa.

Por Wilson Ledo

Subimos ao nono andar do Hotel Tivoli na Avenida da Liberdade. Temos encontro marcado, quase às cegas, com o novo restaurante do chef Olivier da Costa: sabemos tratar-se da versão lisboeta de um conceito que mereceu aplausos do outro lado do oceano, em São Paulo.

Chama-se Seen e abriu portas em novembro, no mesmo espaço onde funcionou durante menos de um ano um restaurante do chef Rui Paula. É preciso passar um cortinado preto para perceber, realmente, como mudou esta que é uma das melhores vistas sobre a cidade.

Logo à entrada, uma árvore marca a decoração. É debaixo dos seus ramos que começamos a ser acolhidos no Seen- e não há nada melhor do que um cocktail para quebrar o gelo. Perguntam-nos o que prefere o paladar e as sugestões saem naturalmente. Desarollado e um Bramble (11 euros cada): frescos, com um toque cítrico, sem serem demasiado doces.

É à volta desta árvore que está o coração do Seen, um restaurante cujo lema é “ver e ser visto”. A cada hora que passava, mais repleto de gente, mais vibrante e informal. Contudo, o novo projeto de Olivier da Costa sabe também convidar a um lado mais intimista, mais recatado. E, para isso, é preciso sentarmo-nos à mesa.

O menu não revela grande complexidade: esta é uma comida para partilhar e onde as inspirações da gastronomia brasileira são uma constante. A começar desde logo pelas entradas: pela frescura e pelo modo como combina ingredientes como caranguejo, manga ou guacamole, o Taco Seen (14 euros) é uma das escolhas obrigatórias.

O Onde Ir experimentou ainda os Peixinhos de Bacalhau (um meio-termo inesperado entre peixinhos da horta e pastéis de bacalhau, a 8 euros) e os Croquetes de Cordeiro (onde a carne é leve e vê o seu sabor valorizado pela conjugação com a mostarda dijon, a 10 euros).

Apesar da variedade na carta, ficámo-nos por estas três escolhas. Porque era preciso guardar espaço para o prato principal. Pusemo-nos nas mãos da equipa (prestável e atenciosa, sem exageros no trato) e não houve dúvida quanto à escolha para esta etapa da refeição: Demoniak Steak, acompanhado com legumes, numa dose obrigatoriamente para dividir (68 euros).

Apesar de as irmos sentindo a cada prato, é durante as sobremesas que as influências brasileiras atingem o seu auge. Primeiro com o Souffle de Doce de Leite acompanhado com sorbet de goiaba (19 euros), uma opção que leva mais de 20 minutos a preparar. Depois com um bolo cremoso de banana (7 euros), onde cada garfada deve ser feita envolta em paçoca de amendoim. Autênticas bombas calóricas, é certo, mas que desafiam as papilas gustativas.

São razões como estas que prometem fazer do Seen um sucesso em Lisboa. Pelo bar, pela comida, pelo inspirador balcão de sushi ou pela música que vai embalando ou agitando quem aqui se reúne. Uma opção válida tanto para quem queira um jantar especial como para quem simplesmente deseja beber um copo ao final do dia.

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