Siem Real e Angkor Wat, duas obras de arte quase perfeitas

Siem Reap é a porta de entrada para o mundo antigo de Angkor Wat. Na sua grande maioria, os seus visitantes vão ali parar como ponto de ligação aos templos. No entanto, a cidade tem procurado fugir desta definição redutora, criando as suas próprias raízes e pontos de interesse.

Localizada no noroeste do Camboja, Siem Reap é o seu principal centro turístico, fruto dessa proximidade com o complexo de templos de Angkor Wat. O seu nome significa literalmente “A derrota de Siem”, referindo-se à vitória do Império Khmer sobre o exército do reino tailandês no século XVII.

O coração da cidade é a zona do Mercado Velho que se estende desde o mercado até à zona dos mercados noturnos, incluindo a famosa Pub Street. O mercado é uma experiência sensorial arrebatadora. Os cheiros, as cores, a falta de luz, os produtos de todos os tipos, desde comida a utilitários para a casa, os vendedores, tudo prende a atenção e tem um impacto brutal nos sentidos. Junto ao mercado, encontra-se um dos principais templos da cidade, Wat Preah Prom Rath. É um templo de grande beleza e de riqueza patrimonial invejável. O maior templo de Siem Reap, Wat Damnak, é também ponto obrigatário de passagem. Foi usado como Palácio Real e como base militar dos Khmer Vermelhos durante os anos da guerra civil no Camboja. A visita a Siem Reap não ficaria completa sem uma passagem pelo Bairro Francês. É um bairro parado no tempo, com antigas casas coloniais francesas agora transformadas em hotéis e embaixadas.

Siem Reap by night transforma-se e torna-se numa qualquer cidade cosmopolita da Europa, com os seus bares com musica alta, as ruas enchem-se de luzes, musica, cheiros e cores.  Pub Street é o coração de toda esta animação e é nas ruas envolventes que tudo acontece. Até 1998 esta rua (Rua 8) era relativamente calma, apenas com comercio tradicional. No entanto após a abertura do Primeiro bar – Angkor What? – tudo mudou e a rua tornou-se o centro da vida noturna, onde se localizam os melhores bares e discotecas, os restaurantes mais emblemáticos.

Os mercados noturnos são outro ponto de interesse onde é possível encontrar um pouco de tudo: artesanato, comida, roupa, pinturas, bijuteria.

O que visitar em Angkor Wat?

Durante séculos este grandioso complexo de templos de 400 km2 esteve perdido no meio da floresta, engolido por raízes, ramos, árvores e arbustos, esquecido e abandonado. Nas mãos dos Khmer Vermelhos e das guerrilhas da guerra civil foi pilhado para custear as armas e deixado à mercê de uma selva impiedosa que novamente o voltou a engolir sem piedade. No entanto, finda a guerra interna cambojana, foi sendo recuperado e reabriu ao público, como um dos monumentos mais impressionantes da humanidade.

Angkor é, efetivamente, um dos mais grandiosos complexos de templos do mundo, reunindo cerca de 100 templos, construídos por orgulhosos reis khmer, que durante séculos se tentaram suplantar. A maioria dos templos foram construídos entre os séculos XIX e XII, numa época em que a capital localizada em Angkor era habitada por mais de 1 milhão de pessoas.

A sua principal atração, para além dos próprios templos, é o nascer do sol em frente ao templo de Angkor Wat. Por este motivo, normalmente, a visita principia pelo templo que dá nome ao complexo, uma pirâmide maciça de três andares com cinco torres em lótus com 65 metros de altura. Tem um km2 e está cercado por um fosso e uma parede exterior com 1300 x 1500 m. É por isso uma obra maciça de uma beleza imortal, que precisa de tempo para ser bem explorada.

Merece ainda visita, Angkor Phom, a cidade real e última capital do império de Angkor, murada e rodeada por um fosso de três km2. Inclui os templos de Baphuon, um imponente templo-montanha conhecido por ser a morada de um impressionante Buda Reclinado, Phimeanakas, um dos templos mais altos do complexo e cuja vista do seu topo é impressionante, e Bayon, conhecido pelas suas gigantes caras de pedra orientadas para os pontos cardeais. A cidade inclui ainda cinco Portões, uma para cada ponto cardeal, coroados com quatro faces gigantes e os Terraços dos Elefantes e do Rei Leproso. O primeiro tem 2,5 m de altura e uma parede de 300 metros de comprimento decorada com elefantes, abrangendo o templo de Baphuon, Phimeanakas e a área do Palácio Real. O Terraço do Rei Leproso caracteriza-se pelas suas esculturas de figuras mitológicas.

Conforme referi o complexo é gigante e escolher os templos a visitar é tarefa difícil. No entanto, uma visita a Angkor Wat normalmente inclui também Ta Keo, um templo-montanha dedicado a Shiva, conhecido como “a montanha com picos de ouro”, construído inteiramente de arenito; e Ta Prohm, um dos templos mais impressionantes (e conhecido pela sua “participação” no filme Tomb Raider), pois foi totalmente engolido pela selva e muitas das árvores continuam a crescer à sua volta abraçando-o e envolvendo-o.

Como sobreviver a 400 km2 de templos?

Com alguma organização e planeamento prévios, ajustando o itinerário da visita ao tempo disponível e assumindo que seriam precisos meses e meses para visitar todo o complexo.

Muito importante: não tentar ver tudo num dia. É impossível e extenuante. Visitando 3 ou 10 templos saímos de Angkor com a sensação que ainda ficou tanto por descobrir e por ver.

Como ir e como se deslocar: Siem Reap fica a quatro km de Angkor Wat e alguns dos templos estão afastados entre si três ou quatro km, pelo que o ideal é ir de transporte motorizado (tuk-tuk, carro ou mota). Existe também a hipótese da bicicleta, mas dado o calor e as distâncias não recomendo. Alugar um Tuk-Tuk por um dia inteiro fica à volta dos 15-20$ e o motorista passa pelos locais mais emblemáticos e espera durante as visitas aos templos.

Bilhete: A bilheteira fica a cerca de um km do parque e só é possível comprar o bilhete presencialmente (tiram foto no local) e para o próprio dia (e seguintes for para mais do que um dia). Qualquer condutor local sabe o caminho e antes de se dirigir para o complexo passará certamente por aqui.

Que itinerário fazer e que templos visitar: existem diversos itinerários possíveis, para meio dia, um dia, dois e por aí em diante até sete. Aqui é possível descobrir algumas opções. O ideal é levar já uma ideia do que ver. Os condutores dos Tuk-Tuk dão algumas recomendações, mas é importante fazer o plano, para não ficar apenas pelos locais mais óbvios. Alguns dos templos mais pequenos e desconhecidos também merecem uma visita.

Aqui é possível encontrar o mapa do complexo e aqui um mapa aproximado do mini-complexo de Angkor Thom.

 

Por Sónia Dias

Blog de Viagens | Travel Random Notes 

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