The Place at Evoramonte: Viver na paz da “Convenção”

Esta terça-feira, 18 de setembro, rumámos a sul. Estamos a 1h30 de Lisboa, entre Évora e Estremoz. À nossa frente ergue-se a Torre / Paço Ducal, outrora mandada construir por D. Jaime I e D Teodósio como afirmação do poder da Casa de Bragança. Uma torre que surge no lugar do então Castelo de Évora Monte, que com o violento sismo de 1531 havia sido destruído.

Por Sandra Martins Pereira

É por trás das reforçadas muralhas que nos surgem as pequenas casas caiadas de branco. Aqui apenas o chilrear dos pássaros nos acompanha e a paisagem no horizonte a perder-se de vista. É também aqui que fomos encontrar o The Place at Evoramonte, um alojamento local que abriu portas em novembro do ano passado pelas mãos de Vicki e Mitch, um sul-africano e uma escocesa, que largaram as suas vidas em Londres para agarrarem esta aventura.

Vicki e Mitch

Conheceram-se em 2000, e desde então viajaram juntos por mais de 45 países, e sempre com a ideia de abrir uma loja de artesanato ou um alojamento local na Escócia. Depois de viverem quatro anos na Tailândia, perceberam que precisavam de mais sol do que as terras escocesas podiam oferecer. Mais tarde, a caminho de umas férias na Arábia Saudita, Vicki e Mitch passaram por Portugal, e apaixonaram-se pelo país.

“Quando vimos o anúncio e que falava de um castelo, dissemos logos que queríamos viver num castelo [risos], depois quando viemos visitar Évora Monte e nos deparamos com a vista, dissemos ‘uau, é isto mesmo que queremos’. Ficámos a pensar e no domingo logo de manhã, fomos ter com o agente imobiliário e aceitámos a proposta e aqui estamos”, conta Vicki enquanto se prepara para mostrar os quartos.

São três os quartos divididos pelos dois andares e ainda uma suite, cuja vista não deixa ninguém indiferente. Pelo espaço encontram-se vestígios das diversas viagens que ambos fizeram

pelo mundo. Com uma decoração simples, mas agradável, prendem-nos os olhos pequenos detalhes como por exemplo a banheira antiga de pés na suite, ou as várias imagens da Escócia num dos quartos: “São para matar saudades”, confessa Vicki.

Os vários terraços no The Place at Evoramonte proporcionam recantos, onde mais uma vez a paisagem, o pôr do sol – que até já tem uma página própria no Instagram – as mais de 60 espécies de aves que se podem observar, a Torre /Paço Ducal mesmo ali ao lado são o cartão postal ideal para qualquer viajante.

Para além dos quartos, o The Place at Evoramonte conta ainda com um restaurante, onde é servido o pequeno-almoço Continental (incluído na estadia e que também pode ser tomado no quarto) e ainda almoços e jantares para quem por ali passe.

Mitch é o “chef” de serviço e esta terça-feira tivemos oportunidade de experimentar o Pato com abóbora assados e salteados em azeite e especiarias,

Pato com abóbora

não sem antes iniciarmos a refeição com uma tábua de queijos e enchidos da terra. Pizza, hambúrgueres, rolo de bife, queijo torrado e presunto ou uma tábua de queijos e enchidos são algumas das iguarias que aqui vai encontrar. Os preços vão dos 4,95€ aos 13,95€ e podem ser acompanhados por uma extensa carta de vinhos.

 

 

O que visitar em Évora Monte

Dentro das muralhas de Évora Monte vivem apenas 20 pessoas, de um total de 500 habitantes da vila, que recebe anualmente cerca de 10.000 visitantes, principalmente para visitarem a Torre/ Paço Ducal.

Também nós tivemos oportunidade de subir os vários degraus, não sem antes ouvirmos atentamente as explicações de Matilde Ruas, uma jovem tradutora, filha da terra, que há poucos meses decidiu abrir a empresa de animação turística Andar a Monte juntamente com a mãe. É aliás possível fazer passeios com uma duração de 1h30 pela Vila. O preço é de 15€ por pessoa, mas pode ser menor conforme o número de pessoas no grupo.

Conhecida como a terra onde foi assinada a Convenção de 26 de maio de 1834, que restabeleceu a paz em Portugal após vários anos da sangrenta guerra civil entre liberais e absolutistas, Évora Monte guarda lendas, que Matilde nos conta com graciosidade.

No Andar a Monte vai encontrar outras curiosidades como as encadernações de livros feitas em cortiça pelo pai da nossa guia, ou ainda a água floral e os cremes feitos pelo Ervas de Evoramonte. Mas haverá mais, como um alojamento local com três quartos, eventos para apanhar cortiça, workshops de culinária para aprender a fazer a sopa de tomate, de beldroegas ou de labaças (uma erva daninha) e os teares da mãe de Matilde.

Mas voltemos à Torre. Acerca da sua fundação pouco ou nada se sabe, provavelmente terá sido conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques em 1166, mas não existem fontes seguras que o possam confirmar. Sabe-se, no entanto, que em 1306, D. Dinis manda construir muralhas medievais para defender os habitantes da vila e que ainda hoje existem. Em 1385 D. Nuno Álvares Pereira recebe a vila por doação e cede-a em 1461 ao seu neto D. Fernando, tornando-a propriedade do Ducado de Bragança. E em 1531, depois do violento sismo que já aqui falámos, é mandada erguer. Em toda a sua volta é possível vislumbrar uma espécie de nós, que mostra a máxima da Casa de Bragança “Depois de Vós, Nós”, ou seja depois do Rei, a Casa de Bragança.

A visita custa 2€ e pode encontrar no rés-do-chão uma exposição explicativa da história da Torre e de Évora Monte, enquanto nos andares superiores é possível visualizar uma mostra de esculturas cedida pela Fundação Obras – Herdade da Marmeleira. Chegados ao topo prepare-se para a deslumbrante vista.

Mas há mais para visitar como a Igreja Matriz de Santa Maria e a Igreja da Misericórdia e o seu legado histórico.

Trazer uma recordação da terra

Se é como nós e gosta de trazer uma lembrança pelos locais onde passa, não pode deixar de visitar o Celeiro Comum, na rua de Santa Maria. Não se preocupe porque é fácil de encontrar, basta seguir as pequenas casas pintadas nas pedras do caminho. Sim, leu bem. Inocência Lopes, é a proprietária deste espaço há 14 anos e é também uma artesã local que pintou à mão 100 pedras da calçada, transformando-as em pequenas casas, únicas e numeradas.

As “Pedras de Evoramonte”, têm a sua versão ‘portátil’ nas irresistíveis “Casas da Sensa”, como é conhecida desde pequena, que a mesma artista pinta em pedras soltas do caminho, e que podem ser compradas na pitoresca loja de artesanato. São 35€ e vale cada cêntimo pelo trabalho minucioso que a artista faz. Para além das casinhas, encontra ainda vinho da região, queijos, enchidos, loiças, entre outros.

Exposição “Scriptum in Petris”

Um conselho: não gaste o dinheiro todo, pois bem à frente do The Place at Evoramonte, encontra a Silveirinha – Loja e Galeria de Arte, que fica na antiga Casa da Câmara. Se quiser comece por visitar a exposição sobre a Calçada Portuguesa “Scriptum in Petris”, de Ernesto Matos, patente até ao próximo dia 22 de setembro. Se não tiver tempo para ir a Évora Monte nos próximos dias não fique triste, pois a 28 de setembro terá oportunidade de visitar uma exposição de pintura da artista Ana Nunes.

Depois da visita, dirija-se à sala ao lado e tente não se perder pelos produtos da Silveirinha. Desde bolachas, a especiarias, compotas e vinhos, aqui encontra uma panóplia de produtos que vai mesmo querer levar para casa.

E não saia do edifício sem visitar o relógio construído por Manuel Francisco Cousinha.

 

 

 

Mais informações:

The Place at Evoramonte

Rua de Santa Maria, 26 7100-314 Évora Monte

Telefone: (+351) 927 603 884

Facebook

http://www.evoramonte.com/

Preços: Suite – 140€ por noite

Quartos – Desde 80€ por noite

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