VILA VIÇOSA

Nestas ruas floridas, pintadas de azul e amarelo, dá-se a descobrir a “Princesa do Alentejo”. Vila Viçosa faz jus ao apelido: aqui, a história e a natureza são aliadas para quem procura o verdadeiro descanso. Com um ponto de paragem obrigatória: a Pousada.

Por Wilson Ledo

 

ONDE DORMIR

Pousada de Vila Viçosa. No local em que hoje se ergue esta Pousada de Portugal funcionou, outrora, o Convento Real das Chagas de Cristo, mandado construir no século XVI. Desde 1997 que funciona como unidade hoteleira. Se for à descoberta de Vila Viçosa, esta é a proposta do “Onde Ir” que não pode mesmo falhar. Quartos amplos, a fazer lembrar o passado mas com todo o conforto dos nossos dias. Depois, ao espreitar pela varanda do quarto, um verde acolhedor onde (re)pousar o olhar. Não se fique pelo quarto e deixe-se envolver pela história do edifício, percorrendo os corredores do antigo convento: há salas que convidam à conversa em família e um claustro onde se esconde um inesperado património de frescos. Nestes dias de calor, há outro ponto da Pousada de Vila Viçosa que se torna obrigatório: a piscina. Por isso, estenda-se na espreguiçadeira, beba um sumo natural e agradeça a calma que lhe traz este autêntico refúgio. É recebido pela equipa como parte da família, à boa maneira alentejana.

Casa do Colégio Velho

Outras sugestões. Se o calor do interior do país é uma preocupação para si, nada tema. Em Vila Viçosa há piscina em outras unidades hoteleiras, como a Casa do Colégio Velho ou o Hotel Solar dos Mascarenhas. A tradição

Hotel Solar dos Mascarenhas

alentejana integra a decoração destes edifícios, ambos do século XVI, convidando a descobrir a própria vila. Sem correrias, a pé, porque estes hotéis ficam bem no coração de Vila Viçosa. Os jardins são outro dos argumentos para uma “escapadinha” romântica por estas paragens.

 

 

ONDE COMER

Restaurante da Pousada de Vila Viçosa. Já lhe falámos do claustro da Pousada de Vila Viçosa. E se lhe disséssemos que lá pode jantar? Mesmo que opte por não se hospedar nesta unidade, as portas estão sempre abertas para o receber. As mesas, debaixo das arcadas, enchem-se dos mais tradicionais pratos alentejanos, sempre com um toque de chef. Para a entrada, não deixe de experimentar uma sopa de tomate com enchidos e ovo escalfado. Se o seu paladar aprecia mais peixe, peça um filete de cação frito com aveludado de coentros e telha de pão alentejano. Nas carnes, lagartos de porco preto grelhados com tomate confitado e migas de espargos. Uma das grandes surpresas está na sobremesa: só aqui se encontra o Manjar das Chagas, um doce conventual feito com ovos, açúcar, pão e, imagine-se, carne de coelho – porque, no passado, era aproveitada a carne de coelho das caçadas reais. Ainda assim, não peça uma dose única de Manjar das Chagas – opte antes pela trilogia de doces conventuais, para ficar com uma melhor ideia da riqueza da doçaria alentejana.

 

DR

Narcissus Fernandesii. Tem nome de planta rara e uma carta capaz de surpreender os amantes do fine dining à procura de uma experiência no Alentejo. Inserido no hotel boutique Alentejo Marmòris Hotel & Spa, de cinco estrelas, os produtos e os pratos tradicionais são reinterpretados pelo chef Pedro Mendes. A refeição promete ser embalada pelo som do piano.

 

 

 

 

 

Adega 7160. Não há forma de fugir à gastronomia alentejana quando se está em Vila Viçosa – e ainda bem, diríamos. Para quem procura um toque mais atual, a preços mais acessíveis, esta é uma boa paragem. Mesmo ao lado da praça central de Vila Viçosa, mas um pouco despercebido, está este restaurante. O nome é justificado pela decoração do espaço, onde antigos reservatórios e garrafas de vinho convivem lado a lado. Não deixe de experimentar as migas de tomate com batata-doce.

 

 

Taverna dos Conjurados. Para quem não deixa de consultar as aplicações digitais na hora de escolher restaurante, esta é a sugestão imediata. Onde outrora funcionou uma cavalariça, hoje dá-se a conhecer a Taverna dos Conjurados, um negócio familiar. Uma vez mais, os sabores do Alentejo são o ponto forte. Sugestão: peça diferentes pratos e partilhe-os com os seus.

 

O QUE FAZER

Paço Ducal de Vila Viçosa. Se há um cartão postal de Vila Viçosa é o seu Paço Ducal. Este edifício do século XVI, com uma fachada azul repleta de janelas, foi a última casa real portuguesa. Só através de visitas guiadas é possível perceber como viviam os nossos reis e algumas das histórias que marcaram este local. A decoração e os últimos pertences dos monarcas prendem o olhar em cada sala, até porque estão proibidas as fotografias no interior, aumentando o nível de atenção. Jardins cuidadosamente arranjados e uma cozinha cheia de utensílios são outros dos atrativos. Ao longo dos corredores vai-se tornando mais evidente o talento de D. Carlos I como pintor, com os vários quadros expostos. Há outras histórias que nos são contadas, como a de D. Catarina de Bragança, que introduziu o hábito do chá das cinco em Inglaterra.

 

 

 

 

Castelo de Vila Viçosa. É daqui que se tem uma vista privilegiada não só para a praça principal de Vila Viçosa como também para os territórios que envolvem este refúgio alentejano. Para ter acesso à área mais alta, é preciso passar pelo Museu de Arqueologia e pelo Museu da Caça. Os nomes deixam pouca margem para dúvida sobre aquilo que aqui se expõe: uma grande coleção de rochas, animais embalsamados e utensílios de caça.

 

 

 

 

Museu do Mármore Raquel de Castro. Vila Viçosa é um dos vértices do triângulo do mármore, ao lado de Estremoz e Borba. Neste pequeno museu é possível perceber o processo de extração desta rocha ornamental e alguns dos seus usos, dos mais utilitários aos mais artísticos. Algumas esculturas de grande porte espalham-se dentro e fora do edifício do museu. No exterior, quase com um ar abandonado, alguma maquinaria. É possível ainda espreitar para uma das escavações. Lá no alto, “montanhas” de mármore. Este é, afinal, um dos horizontes comuns em Vila Viçosa.

 

Igrejas. Só na Praça da República, o centro de Vila Viçosa, há duas igrejas de paragem obrigatória, mesmo para quem não é crente: a Igreja de São Bartolomeu e a Igreja da Misericórdia. Nesta última, a talha dourada mistura-se com o azulejo azul e branco. Contam-se, depois, vários quadros com motivos religiosos. Ao caminhar pela vila, vai também encontrar pequenas capelas, sempre de portas abertas e cheias de flores.

 

 

 

Casa de Florbela Espanca. Calipolenses, assim se chamam os naturais de Vila Viçosa, porque esta terra outrora se chamou Calipole. Entre os seus filhos mais reconhecidos conta-se a poetisa Florbela Espanca, que dá nome à rua onde se pode encontrar a casa onde nasceu em 1894. A casa não é visitável – está até em mau estado de conservação – mas na sua fachada assinala o nascimento e o verso mais conhecido de Florbela: “E é amar-te, assim, perdidamente…”.

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