What comes is better than what came before

My very subconscious reflection on the conflicted, paradoxical nostalgia we tend to place on ourselves —

nostalgia woven of an openness of longing, as the infinite possibilities of life stretch ahead,

but also of many misplaced longings for the obscurities and disorientations.

 

Lena Wan, artista integrada na exposição coletiva SINGULAR PACE da zet gallery

 

O espaço das citações iniciais é, por regra, reservado ao antigo, associado à sabedoria, destinado aos consagrados. Mas é um novo dia aquele em que a galeria de arte abre as portas e estende passadeira vermelha ao novo, a algo melhor – o que ainda não conhecemos, o que está por vir. Através da exposição coletiva SINGULAR PACE, a zet gallery desvenda dezanove nomes do universo da Arte Contemporânea.

E QUANDO ME CHAMA EU NUNCA FALTO #3. 2017. Lena Wan

Diferentes movimentos respiratórios acompanham a leitura da obra fotográfica selecionada de Lena Wan: o compasso de tempo pode ser calmo, constante, na medida exata da simetria do edificado; em sincronia com o êxtase que o rodeia; de peito aberto e expectante a largar balões brancos no negro; a expirar de alívio quando as formas encaixam e o pensamento repousa no ombro que é casa. Percorremos a parede ao som da banda sonora do dia-a-dia, no rodopio das festividades mesmo quando o copo cai e parte e risos e gritos surgem em coro. A série fotográfica “E QUANDO ME CHAMA EU NUNCA FALTO” aproxima-se do visitante pela ironia da fotografia instantânea ao alcance de todos, capturada nos momentos comuns à maioria, em tudo semelhante à imagem vernacular que compõe os nossos álbuns. Distingue-se da pose fabricada e eleva o banal e o quotidiano preenchendo-os de luz, contrastando com o contínuo fundo preto.

A artista chegou à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e ao Mestrado em Multimédia – Fotografia depois de ter estudado Cinema e Televisão. Ter crescido em Hong Kong permitiu que o seu olhar fosse distante o suficiente para fotografar o imaginário português; o facto de as suas origens partilharem China e Portugal aproxima-a aos espaços e núcleos afetivos que fotografa a partir de dentro.

SINGULAR PACE” integra obras de arte dos artistas Alberto Rodrigues Marques, Ana Sofia Sá, André Silva, Carla Afonso, Carolina Serrano, Dora Meirelles, Fábio Veras, Francisco Correia, Jéssica Burrinha, Joana Pitta (Não Joana), Lena Wan, Marco Pestana, mikha-ez, Poli Pieratti, Rita Vidigal, Rodrigo Empis, Rúben Lança, Sal Silva e Tiago Santos. A  curadoria é de Helena Mendes Pereira, chief curator da zet gallery, e a exposição coletiva pode ser visitada até dia 5 de janeiro de 2019.

 

Nota: O título do artigo faz parte da música I Found a Reason (1970), dos Velvet Underground, composta por Lou Reed.

 

 

 

 

 

 

Por Catarina Martins
head of communication da zet gallery 

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