Ararate: Uma montanha de sabores

A Arménia é um daqueles destinos que gostava de visitar? Se respondeu não, garantimos que a sua opinião mudará depois de uma refeição no Ararate. A experiência à mesa é um verdadeiro convite para uma ida ao Cáucaso.

 Por Wilson Ledo

Jantar no Ararate é como tomar uma refeição na casa de um familiar – daqueles que até nem conhecemos muito bem, mas com quem sentimos grande afinidade. Entramos sem qualquer noção do que reserva o menu e acabamos surpreendidos pela simpatia com que nos sugerem e explicam cada um dos pratos.

Os nomes dos pratos até podem ser difíceis de pronunciar mas não se preocupe: na carta, há descrições bastante precisas bem como imagens que abrem o apetite e deixam pouca margem para dúvida. Este é o primeiro restaurante arménio do país – abriu portas no outono passado – e faz questão de lembrar que, mesmo na gastronomia, são mais as coisas que nos unem do que aquelas que nos separam.

A escolha para iniciar a refeição é incontornável: um Kachapuri Barco (7,5€), um pastel tradicional com queijo e ovo, em forma de barco, que chega à mesa bem quente. A combinar, um vinho rosé da região de Lisboa, de seu nome Confidencial, para mostrar como são possíveis essas pontes entre diferentes culturas.

A rapidez do serviço do Ararate conduz-nos a um dos pratos que mais nos surpreendeu: os rolinhos de vitelão em folhas de videira – sim, leu bem, de videira (7,5€). A carne, cozinhada a baixa temperatura, dá-se a provar com grande leveza. O prato mostra-nos ainda outra coisa: a graça que os molhos, as especiarias e as ervas aromáticas dão à gastronomia arménia – parecem mesmo sabores diferentes para o mesmo petisco.

Este é um restaurante que convida a juntar os amigos, a não ter medo de sujar as mãos, a partilhar. Por isso mesmo, experimentámos ainda o fresco Satsivi (6,5€), uns pedacinhos de peru envoltos em molho de nozes com alho e especiarias.

Não podíamos passar para as sobremesas sem uma das sugestões obrigatórias deste restaurante no número 70 da Avenida Conde Valbom. Somos avisados das semelhanças e diferenças com a cozinha alentejana quando o Putukh (16€) é apresentado: trata-se de um ensopado de cordeiro com grão-de-bico. É servido num tacho de barro, coberto com uma tampa fina que também é comestível, não fosse ela feita de massa de pão.

Para os amantes de peixe, a carta só tem duas variedades: o esturjão e a truta, dois peixes de rio, tendo em conta a localização do próprio país. Já nas sobremesas, o difícil é mesmo escolher. Fomos pelo Gata (4€), um bolo de massa folhada, e pelo Bolo de Mel (5€), a fazer lembrar bolo de bolacha e à base de mel e creme de leite. São sobremesas que, não sendo demasiado doces, acabam por satisfazer o pecado da gula.

O Ararate tem nome de montanha – a mais alta da Turquia, onde os cristãos acreditam ter encalhado a Arca de Noé – e é, de facto, uma montanha de sabores. Daquelas que nos apetece escalar a cada etapa da refeição. E, quem sabe agora, com uma verdadeira viagem à Arménia.

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