As nossas memórias por Paulo Moreira

A mão que afoga o passado normalmente regressa molhada.

Lídia Jorge in Estuário(2018) | Vencedora do XXIV Grande Prémio de Literatura dst 

Somos tentados a esconder os pequenos episódios do nosso passado que, por constrangimento, não queremos que acompanhem a personaque idealizamos ser. Revisitamo-los nos diários guardados a sete ou mais chaves como algo que já não somos, com o qual não nos identificámos e não pretendemos revelar.

As grandes dimensões das obras de arte de Paulo Moreiracompõem-se de vários diários. Aproximamo-nos e isolamos as pequenas histórias, rascunhos e esquiços. Afastamo-nos e a nova perspetiva destapa um imenso arquivo imagético, formado pela memória coletiva. As palavras de ordem que caracterizam o seu trabalho não despareceram: foram transformadas em mensagens pintadas em tons mais claros, ironicamente suavizadas pela introdução do cimento. Desafiam a simetria e a linearidade da contemplação, obrigando-nos a inverter o nosso sentido de orientação. Não nos entretêm: inquietam. Revisitam uma imensidão de frações de segundo que, mais ou menos camufladas, seguem no caudal da nossa existência individual e coletiva. Não sendo possível travá-lo, rendemo-nos à inevitabilidade descrita por Lídia Jorge em Estuário: abafar o que nos antecede, e que é parte de nós, deixa um vestígio impossível de encobrir e que o artista ergue como obra de arte.

Paulo Moreiraobserva permanentemente o que identifica como fenómenos sociais. As diversas relações interpessoais, a sua ocupação de docente e os espaços que percorre diariamente influem no processo criativo. Integra a próxima exposição coletiva da zet gallery com doze obras de arte, introduzindo os visitantes na seleção de obras de arte. Na inauguração, este sábado, dia 6 de julho, a última área da zet gallery será habitada pela estreia de um vídeo do autor. A seleção de trabalhos do artista é, no espaço da galeria, nascente e foz, introdução e conclusão, início e fim da proposta comissariada por Helena Mendes Pereira, curadora da zet gallery.

NOVAS BABILÓNIASconduz-nos, igualmente, pelos trabalhos de Acácio de CarvalhoGil Maia, Mafalda Santos, Manuela Pimentel e Sónia Carvalho. Inaugura este sábado, dia 6 de julho, às 16h00. Será realizada a habitual visita guiada com a intervenção dos seis artistas que a integram. Poderá ser visitada até 7 de setembro de 2019, no centro de Braga. A seleção de obras de arte poderá, ainda, ser explorada e adquirida na plataforma online www.zet.gallery.


Por Catarina Martins

head of communication dazet gallery

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.