Brasil na mira dos mercados de jogos

A relação entre a sociedade brasileira e os jogos de apostas de qualquer natureza sempre foi conflituosa. Como uma nação severamente conservadora em termos de costumes e religiosidade, e inserida num ciclo em que esses dois factores se retro-alimentam, o Brasil é ainda hoje um dos poucos países que não permite a presença de casinos e casas de apostas no seu território.

Mas as coisas nem sempre foram assim. E o melhor é que a origem dos jogos de apostas é de certa forma até inusitada. Muitos apontam o “jogo do bicho” como um dos originários e propulsores desse tipo de entretenimento. Esse jogo foi criado em 1892 pelo dono do primeiro Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, o barão João Batista Viana Drummond, numa tentativa de arrecadar mais dinheiro para o seu empreendimento.

O jogo ficou tão famoso que acabou por sair dos confins do zoológico e invadiu praticamente toda a cidade, chegando, posteriormente, a outras localidades. A sua proibição, devido a muitos problemas de fiscalização encontrados à época por um país grande demais para o governo federal controlar, aconteceu em 1941.


Fonte: Pixabay

Entretanto, isso não impediu que o jogo continuasse em voga. Uma visita ao Rio, principalmente ao subúrbio da cidade, leva-lo-á ao encontro com as “bancas” onde as apostas nos 25 bichos são feitas. Aos sábados e às quartas-feiras, a Loteria Federal – que é o único órgão permitido a realizar esse tipo de operação – sorteia os números vencedores.

O Brasil não conta ainda com aparato legal para transformar o jogo em algo que proveja retorno formal, como impostos e empregos, e um dos melhores exemplos para que o faça é justamente Portugal. O país irmão de língua já tomou a iniciativa com relação à legalização de jogos de aposta e de casino, o que trouxe grandes recompensas na arrecadação governamental, na criação de postos de trabalho e até no crescimento do produto interno bruto (PIB).

Por reportagens constantes em portais como o Terra, diz-se que Portugal cresceu 4% em seu PIB graças em grande parte ao sector de turismo, que tem os casinos como um dos carros-chefes. Entre eles, encontra-se o da rede Estoril Sol, geradora de 18 mil empregos e cujo dono já declarou até interesse em instalar um “casino-resort” semelhante ao existente no seu país de origem.


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A crise económica em que o Brasil se encontra e a dita necessidade, comentada até mesmo pelo ministro de Economia do país, Paulo Guedes, e a sua equipa económica, de aumentar o investimento estrangeiro no país, poderia passar justamente pela legalização dos jogos. Tramitam hoje dois projectos de lei, o n° 186 de 2004 e o n° 442 de 1991, para que isso ocorra.

Outra motivação é justamente o incentivo ao turismo. O Brasil, apesar dos seus inúmeros atractivos em formas de ícones naturais e feitos à mão humana, foi apenas o 40.° país mais visitado no mundo, de acordo com a Organização Mundial do Turismo. Para tanto, Portugal também é um exemplo neste quesito, ao ser declarado melhor destino de viagens no planeta por dois anos seguidos, em 2017 e 2018.

Mesmo com o governo brasileiro metendo os pés pelas mãos em boa parte das oportunidades que possuiu até agora, esse seria um curso mais do que natural para se tomar até mesmo por um grupo que possui uma agenda ultraliberal para a economia. Agora é observar se eles aproveitarão tal momento para fazê-lo ou se pautas muito menores continuarão a entrar no caminho do progresso que eles mesmos prometeram alcançar durante a dura campanha de 2018.

 

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