CALDAS DA RAINHA

Pode não ser o destino mais provável, mas, neste roteiro, olhamos para as Caldas da Rainha como um local de descanso. Este é um guia para um fim de semana calmo, sem necessidade de pegar no carro, onde pode conhecer tudo a pé. Se a Rainha D. Leonor e Raphael Bordallo Pinheiro se deixaram deslumbrar por esta cidade, porque não lhe dar você uma oportunidade?

Por Wilson Ledo

 

ONDE DORMIR

SANA SILVER COAST HOTEL

Alguma vez pensou dormir num dos locais preferidos da família real portuguesa no século XIX? Mesmo não sendo seguidor assíduo das temáticas da realeza, este é um argumento de peso para ficar a conhecer o Sana Silver Coast Hotel.

Neste edifício, bem no centro das Caldas da Rainha, funcionou em tempos o Hotel Lisbonense. Foi local de paragem obrigatória para toda uma elite que vinha para as termas à procura de saúde e sossego. E, agora, pode ser você a juntar-se a esta lista.

Desses tempos, e depois de recuperado pelo grupo hoteleiro que agora explora a unidade, guarda autênticas relíquias junto à receção (como um coche, uma ementa ou fotografias de época) mas, sobretudo, uma elegância muito própria. Mesmo sendo um hotel de quatro estrelas, o conforto parece corresponder a uma classe superior, através de quartos espaçosos e com tons neutros.

Num equilíbrio bastante bem conseguido entre um atendimento formal e familiar, o Sana Silver Coast Hotel é um verdadeiro convite ao descanso, apenas a uma hora de Lisboa. Não tem piscina, é certo, mas a nossa sugestão é que invista um pouco mais e opte por uma das suites com jacuzzi. Imagine: é quase como ter as suas próprias termas.

O edifício, em tons rosa, acaba por marcar a paisagem das Caldas da Rainha. O hotel conta com uma simpática esplanada onde pode, por exemplo, passar uma tarde mais quente a ler ou a conversar. Sem pressas – é esse o lema desta visita.

 

19TILE

Quase instintivamente, associamos as Caldas da Rainhas às Faianças Bordallo Pinheiro. A cidade soube aproveitar essa herança e avançar em outras direções no campo das artes, vendo nascer novos criadores.

É esse o espírito que está na origem do 19Tile, uma mansão do século XIX que foi renovada e decorada por seis artistas de cerâmica da cidade. Linhas contemporâneas, quartos personalizados, visitas aos estúdios dos artistas e um pátio com vista privilegiada sobre a cidade são alguns dos motivos para optar por este alojamento mais informal.

 

O QUE FAZER

FAIANÇAS ARTÍSTICAS BORDALLO PINHEIRO

Foi há 135 anos que tudo começou, quando Raphael Bordallo Pinheiro rumou para as Caldas da Rainha para tentar curar uma bronquite. Artista incontornável de uma geração atenta, são deles as flores, os animais, as frutas ou os legumes em cerâmica que hoje quase todos associam à imagem de Portugal, mesmo que tenham caído no esquecimento durante muitos anos. Por isso, visitar a cidade sem uma paragem na loja da marca – que está aberta todos os dias – seria uma falta indesculpável. Se no rés-do-chão se encontram as criações mais icónicas, no primeiro piso há uma seleção “outlet” ideal para quem quer equipar a casa a preços mais amigos da carteira. Mesmo que não esteja a pensar em compras ou não aprecie o estilo, aproveite para dedicar alguns minutos ao trabalho de pormenor que envolve cada uma das peças. Enquanto caminha pelas ruas das Caldas da Rainha, poderá ainda cruzar-se com algumas das criações, com a chamada “Rota Bordalliana”.

 

MUSEU JOSÉ MALHOA

Apesar de a cidade ter vários museus, como o Museu do Ciclismo ou o Museu do Hospital e das Caldas, a nossa sugestão passa pelo Museu José Malhoa. Nascido nas Caldas da Rainha, José Malhoa é um dos nomes fortes da pintura naturalista em Portugal e é a sua obra que está em destaque neste espaço. Contudo, ao percorrer os corredores do museu, ficará a conhecer outros nomes da pintura e da escultura portuguesa dos séculos XIX e XX. Algumas das esculturas que se encontram no interior do museu, como a que retrata a Rainha D. Leonor, impressionam pela dimensão. Como está localizado no Parque D. Carlos I, o museu acaba depois por convidar a um passeio por este jardim, onde se encontram instaladas várias esculturas. Deixe-se levar, em busca das criações nos sítios mais inesperados.

 

PRAÇA DA FRUTA

Há um bom motivo para acordar cedo todos os dias na Calda da Rainha: o mercado que se realiza na Praça da República, mais conhecida como Praça da Fruta. Legumes e fruta frescos, pão, queijos e enchidos tomam conta deste mercado ao ar livre. É uma tradição com vários séculos e que parece não perder força na cidade. Enquanto faz compras, olhe em redor e encontrará edifícios que são bons exemplares do estilo romântico. Já no chão, um tabuleiro de calçada portuguesa datado de 1883.

 

ONDE COMER

LISBONENSE

Como ficámos alojados no Sana Silver Coast Hotel, não podíamos deixar de experimentar o restaurante do hotel, o Lisbonense. É o Chef Hugo Rodrigues quem está, há quatro anos, à frente deste espaço que quer servir não só os hóspedes mas todos os que vivem ou visitem as Caldas da Rainha. Com propostas que surpreendem pela excelente relação preço-qualidade.

Antes de iniciarmos a refeição, conta-nos que procura utilizar os melhores ingredientes da região do Oeste, renovar as receitas portuguesas e introduzir-lhes técnicas da alta cozinha do mundo, sobretudo francesa e italiana. E acaba por dar provas desse talento logo nas entradas que escolhemos: com pastéis de bacalhau e batata-doce com texturas de tomate e espuma de salsa e com um crocante de legumes com agridoce de pera rocha do Oeste.

A carta tem opções para todos os gostos e estados de espírito, diríamos. Contudo, a nossa sugestão vai para um atum braseado com cevadinha de abóbora e algas “wakame” salteadas. No Lisbonense, o atendimento é atencioso, explicando cada prato e procurando sempre um “feedback” para poder melhor o serviço. E é com essa humildade que o Chef Hugo Rodrigues quer colocar as Caldas da Rainha no mapa gastronómico de Portugal.

 

MARATONA

Quando chegar à Praça 25 de Abril – onde se situa o tribunal ou a câmara municipal – procure por uma estrutura de madeira. Aí, quase de certeza, encontrará uma esplanada composta ou mesmo cheia. Os sabores do Maratona já conquistaram os caldenses mas estão, claro, disponíveis para quem visita a cidade. Hambúrgueres, saladas, sopas, tostas ou sumos naturais compõem a carta deste restaurante que se apresenta informal e com preços extremamente acessíveis. Para os “valentes”, o hamburger-francesinha é um dos desafios a experimentar.

 

CITRUS COFFEE & HEALTHY FOOD

Para os amantes de comida saudável, as Caldas da Rainha têm um forte motivo para ir até ao coração da cidade, na Praça da Fruta. O iluminado Citrus, com dois pisos, é uma escolha acertada para lanchar ou para uma refeição mais ligeira. Criado por um casal da terra que procurava levar a outros caldenses o seu estilo de vida saudável, este espaço conta com saladas, tostas, empadas ou “wraps”. Como ser saudável não implica deixar a gula para trás, há açaí, tapioca, bolos frescos ou panquecas para descobrir.

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