DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA: escultura, pintura, dança e vídeo

Agora, ao olhar para as águas do rio, sentia-se água, moldava-se às sarjetas, soltava-se por cima das pedras e ia desaguar no mar. Havia ganhado essa capacidade, depois de ter ido ao início do tempo humano, e a partir dele ter avistado, não o seu fim, o que sempre é um desfecho fácil, mas o seu futuro, o que implica uma conjetura bem mais sofisticada.

Lídia Jorge: Estuário (2018)

Uma autora portuguesa no início de um convite a uma exposição coletiva que começou por um artista alemão que escolheu Sintra como casa, Volker Schnüttgen, que se une a Domingos Loureiro, natural de Valongo e residente no Porto. O denso mapeamento por ambos desenhado, criado a partir dos vários espaços onde já expuseram o seu trabalho, ultrapassa as fronteiras nacionais e europeias, incluindo os Estados Unidos, Canadá, Brasil, Japão, Irão e Moçambique. A partir do dia 11 de maio residem, através da sua obra, na zet gallery, em pleno centro de Braga.

O compasso da visita à exposição DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA é marcado pelos sons emitidos a partir das esculturas apresentadas. São incertos, têm origem em pontos distintos e levam-nos, inquietos, de peça em peça, a descobrir uma terceira forma de arte aqui incorporada: a dança. O conceito foi criado pelo LaborGras e pelo próprio artista, Volker Schnüttgen, que não só desenvolveu as esculturas, como o design virtual dos interiores a descobrir. A performance é da autoria de Renate Graziadei, que assina a coreografia com Arthur Stäldi; a composição e música ao vivo de Constantin Popp e a videoarte de Frieder Weiss e Martin Bellardi.

Imagino-as juntas, à porta fechada, camufladas pela noite, na galeria feita bosque encantado. De dia são estátua, secretamente deliciadas pelas mais variadas reações do público quando as conhece pela primeira vez. Para as vermos importa regressar ao início citado, no qual o nosso pensamento é livre de categorias fechadas, das que só vêm o seu umbigo, curvadas sobre si mesmas. Não são (apenas) pintura, escultura, vídeo ou dança – mas a imponência da natureza feita produção artística. Sentimo-la no toque áspero das obras de arte de Volker Schnüttgen e no nosso próprio reflexo embebido na paisagem azul glaciar pintada por Domingos Loureiro, no qual parecemos mergulhar, moldando-nos, qual personagem de Lídia Jorge.

A exposição coletiva DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA, com curadoria de Helena Mendes Pereira, ocupa a zet gallery até 29 de junho. Caso pretenda visitar num horário diferente do habitual (segunda-feira a sábado das 14h00 às 19h00) basta agendar através do e-mail geral. Todas as obras de arte podem ser vistas, igualmente, na plataforma online da galeria.


Catarina Martins, head of communication da zet gallery


 

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