Durma inspirado como um artista em Lisboa

Do vinho à ginjinha. Neste hotel na baixa lisboeta, as artes inspiram a decoração e a própria postura da equipa. Informalidade e conforto em doses equilibradas. Para comprovar como hóspede e amante de comida portuguesa.

Por Wilson Ledo

O tom bordeaux acolhe quem entra n’ O Artista. Neste hotel, em plena Baixa, a inspiração é clara. Pelas paredes molduras a fazer lembrar talha dourada levam-nos para os quadros do passado.

Ao entrar no apartamento, a tipologia em destaque nesta unidade, outras formas de arte são convocadas. A caveira que nos remete logo para Shakespeare e as máscaras do teatro, muitos livros antigos e um quadro gigante de Amália, a juntar a pintura e o fado.

Outrora, este prédio pertenceu a Vasco Santana, nome incontornável de “O Pátio das Cantigas”. E é desse filme que vem a inspiração para fonte que ocupa uma das paredes do restaurante O Ato no rés-do-chão. O vinho espalha-se depois por todo o hotel através da cor das carpetes e papel de parede.

Com muito espaço para viver, O Artista convida os hóspedes a sentirem-se como se estivessem em casa. Em cada apartamento, há equipamentos prontos a utilizar para preparar refeições ligeiras. O pão chega fresco, logo de manhã, num cestinho que é deixado na porta. É de pormenores como este que se faz a qualidade deste hotel na Rua das Portas de Santo Antão.

Embora a unidade convide a ir descobrir a cidade de Lisboa e as suas expressões artísticas, um dos programas mais interessantes é feito dentro de portas. No restaurante O Ato, disponível também para quem não for hóspede, a gastronomia portuguesa é o principal atrativo.

Miguel Laffan assina a carta mas é Pedro Almeida quem assume a cozinha em permanência. Antes de começar a servir a refeição conta-nos o trabalho de (re)descoberta dos sabores nacionais. E, em alguns casos, o truque passa mesmo por cultivar a simplicidade.

O espaço bem iluminado desafia o olhar a prestar atenção à dinâmica da cidade enquanto se provam os diferentes pratos. Deixámo-nos guiar pela equipa d’ O Ato e acabámos surpreendidos. Um dos pratos a não perder é a massada de cherne e berbigão, que sabe realmente a mar.

Nas carnes, a sugestão passou por uma tenra perna de cabrito, assada lentamente. A acompanhar, migas de piso de coentros e berbigão e puré de batata com manteiga fumada. A cada garfada, diríamos, vai-se tornando evidente a “portugalidade” que inspira esta carta.

O verdadeiro pecado é não terminar esta refeição com uma sobremesa. Abade de priscos com gelado de tangerina e amêndoa é uma das opções que não pode deixar de fora. Se procurar algo mais fresco, dê uma oportunidade ao mil folhas de requeijão e maçã verde, acompanhado com gelado de abóbora.

Seja no hotel ou no restaurante, a sensação é de familiaridade. E não estranhe se, à porta do edifício, encontrar uma longa fila. Aquando da recuperação do prédio, os novos donos decidiram manter aquele que é outro argumento de peso para a oferta: a loja histórica Ginjinha sem Rival. Basta ir à varanda do apartamento, a qualquer altura do dia, para perceber o sucesso.

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