FUNDÃO

Quando lhe falam do Fundão, do que se lembra? Cerejas? Este é o ingrediente forte desta cidade portuguesa mas há mais, muito mais, para descobrir. Neste Roteiro Onde Ir, damos-lhes duas mãos cheias de bons motivos para se fazer à estrada.

Por Wilson Ledo

1.Casa da Cerca Design House. A poucos minutos do Fundão, ergue-se uma unidade de alojamento que é um autêntico refúgio entre a natureza. Na aldeia de Chãos, a robustez da pedra contrasta com as cores fortes da decoração contemporânea. Para quem busca calma e simpatia, este é o local ideal. A qualquer hora do dia, ouve-se apenas o cantar dos pássaros e a brisa que corre. Lá ao longe, no horizonte, a Serra da Estrela oferece-se aos hóspedes. Por aqui, o isolamento está longe de ser sinónimo de aborrecimento: em tempos de calor, a piscina da Casa da Cerca Design House convida a umas aconchegantes horas ao sol, acompanhado por um livro e uma bebida. Este “pedaço de paz” no campo é um daqueles segredos que precisam mesmo de ser partilhados.

2. Restaurante Hermínia. Ao caminhar pelo centro do Fundão, é muito difícil não parar para almoçar ou jantar no Restaurante Hermínia. No restaurante mais antigo da cidade, com mais de 30 anos de história, a tradição cozinha-se com os melhores produtos da região, como os míscaros ou as cerejas. Comida de conforto que enche o estômago e o espírito.

3. Quinta Pedagógica do Fundão. Para quem viaja com crianças, campo não é campo sem animais. Por aqui há cavalos, vacas, ovelhas, cabras e porcos para mostrar aos mais novos, se bem que o coração dos adultos também é capaz de ficar derretido. Nem todos os bichos estão assim tão disponíveis para receber festinhas mas, pela nossa experiência, há umas cabras pequeninas que não se importam nada de ser afagadas enquanto apanham sol.

4. Arte Urbana. No centro do Fundão, as igrejas e os jardins bem tratados são motivos mais do que suficiente para caminhar durante uma manhã ou tarde. Contudo, se é daqueles que só fica contente com um destino se ele envolver arte, as suas preces foram ouvidas. Pelas ruas da cidade, em recantos mais ou menos evidentes, é possível encontrar trabalhos de arte urbana, como um lobo do português Bordalo II ou uma casa revestida de renda da artista polaca NeSpoon. Ambos são paragens obrigatórias para aquela fotografia para o Instagram.

5. Convento do Seixo Boutique Hotel & Spa. Este antigo convento do século XVI é agora um autêntico templo do bom gosto. À entrada, somos recebidos com um “cocktail” de cereja (que mais poderia ser?) e convidados para uma breve visita. A cada paragem, a história desdobra-se à nossa frente. Ficamos a saber, por exemplo, que uma das suítes está no local onde, há muito tempo, funcionava a cozinha dos monges. A recuperação do espaço procura manter, ao máximo, os aspetos arquitetónicos do passado sem perder o conforto de uma unidade hoteleira de luxo. Os quartos, amplos, estão também preparados para uma estadia reconfortante no inverno, com uma salamandra. Os passeios no exterior – onde uma piscina se esconde na calmaria do verde – levam-nos até à estátua de Nossa Senhora do Seixo que, outrora, pertenceu ao convento. Ela tem agora, como os hóspedes, uma das melhores vistas sobre o Fundão. A antiga capela do Convento do Seixo está transformada em restaurante, com um nome bem peculiar: Pecado, liderado pelo chef Hugo Nascimento, que tem estado a apurar a carta. De qualquer forma, uma das melhores experiências que pode ter nesta unidade é mesmo o delicioso pequeno-almoço, entre as arcadas do claustro. O dilema será entre degustar a comida ou tirar fotografias capazes de deixar os amigos invejosos nas redes sociais.

6. Alpedrinha e Castelo Novo. Na Serra da Gardunha guardam-se dois tesouros do país: as aldeias de Alpedrinha e Castelo Novo, a última com a distinção de “Aldeia Histórica de Portugal”. Em qualquer uma, pode cruzar-se com muralhas, solares e pequenas casas rústicas que têm algumas centenas de anos de História para contar. Uma oportunidade para ficar a conhecer algum do património tão rico que o interior de Portugal tem para oferecer.

7. Alcongosta. Há uma paragem obrigatória para os amantes de cerejas, sobretudo se as cerejeiras estiverem em flor e vestidas de branco no arranque da primavera: a aldeia de Alcongosta. As plantações de cereja começaram aqui há mais de 100 anos, cobrindo hoje mais de metade deste território. Na primeira semana de junho, quando já há fruto, organiza-se a Festa da Cereja, onde pode provar as mil e uma delícias onde a cereja é utilizada, dos doces aos licores, passando pelos pastéis.

8. Passeios de balão. Se o espírito aventureiro e o orçamento permitirem, agende uma viagem de balão. As vistas deslumbrantes sobre a Serra da Gardunha e sobre a Serra da Estrela prometem uma experiência memorável para quem entra a bordo. A primavera e o verão, pelas condições climatéricas e pela riqueza de cores da natureza, são a altura apropriada para fazê-lo.

9. Proximidade à Covilhã e Castelo Branco. Se tiver planos para umas férias mais longas no interior do país, transformar o Fundão no seu “quartel-general” é uma ótima ideia. A cidade fica muito próxima da Covilhã e de Castelo Branco. Em cada uma delas há muitos e bons motivos para partir à descoberta – que, esperamos, poder contar-lhe em algum dos próximos Roteiros Onde Ir.

10. Apadrinhar uma cerejeira. Gostou tanto do Fundão que até sente que deixou um bocadinho de si lá? Pois, esta sensação pode materializar-se de uma outra forma. Por 20 euros anuais, é possível apadrinhar uma cerejeira. Durante os primeiros anos, em que a árvore ainda não dá fruto, a junta de freguesia trata da árvore e o padrinho recebe dois quilos de cerejas em casa por ano. Quando a árvore começar a dar fruto, tem de ser o padrinho a fazer a colheita. Haverá melhor motivo do que a ligação à terra para voltar ao Fundão?

 

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