Lisboa tem umas Galerias Romanas à prova de sismo

Não conseguiu uma vaga para visitar as Galerias Romanas da Rua da Prata, em Lisboa, no último fim de semana? Está desejoso por conhecer a história deste local, mas não quer esperar até setembro? Chegou ao sítio certo.

Por Wilson Ledo 

Para que o público possa visitar estes vestígios romanos na rua da Prata, em Lisboa, o trabalho começa cerca de cinco dias antes: antes da instalação elétrica que ilumina o espaço, foram necessárias várias bombas para retirar a água que, durante o resto do ano, se mantém a cerca de um metro de altura, vinda dos lençóis freáticos que percorrem a cidade.

É por causa dessa água que as visitas às Galerias Romanas da Rua da Prata se realizam apenas, em média, duas vezes por ano. Não é ainda possível saber como reagirá o solo se a água for retirada de forma permanente.

Este monumento foi descoberto em 1771, mas a sua história começa muito antes, no século I depois de Cristo. Trata-se de um criptopórtico e terá permitido o desenvolvimento da cidade de Lisboa, uma vez que estas galerias abobadadas permitem estabilizar o solo e, logo, os edifícios que se encontram por cima delas.

Os investigadores continuam a tentar definir, com mais clareza, a história deste vestígio romano bem no coração de Lisboa: entre as possibilidades estão o seu uso para salga ou como cais. Já a sua extensão não é conhecida na totalidade e só se consegue visitar um terço daquilo que é conhecido pelos especialistas.

A entrada para estas visitas é, no mínimo, intrigante. O acesso faz-se através de um buraco aberto – no qual nunca reparámos em todas as outras vezes que passámos no local – no chão em frente ao número 62 da rua da Conceição e exige que a polícia entre em ação, já que nesta rua passam elétricos nas duas direções. E a entrada destas Galerias Romanas fica precisamente no meio.

Enquanto o Centro de Interpretação das Galerias Romanas está em fase de preparação, a melhor forma de conhecer a história deste local é mesmo através de visitas guiadas, que se realizam desde os anos 1980. No último fim-de-semana foram cerca de três mil as pessoas que conseguiram uma vaga. E, como a cada edição, tem sido sempre de visitas esgotadas aponte estas informações: as inscrições são feitas através de um formulário digital, a EGEAC anuncia as datas no Facebook e as próximas visitas vão ter lugar em setembro.

Dentro deste criptopórtico, é sempre preciso prestar atenção à cabeça. Seja porque há zonas onde as arcadas são baixas ou porque há gotas de água a cair insistentemente do teto – algumas criam mesmo algumas pequenas estalactites. Para os que sofrem com a sensação de claustrofobia, há um argumento forte a favor destas galerias: em caso de sismo, são o lugar mais seguro da cidade. Maior prova disso é o facto de terem resistido ao terramoto de 1755, que destruiu toda aquela zona da cidade.

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