O ‘Sr. Lisboa’ está (ainda) mais delicioso

A carta d’A Cozinha do Sr. Lisboa, na rua de São José, tem cerca de uma dúzia de novidades para provar. Os petiscos respeitam a tradição portuguesa mas não esquecem a ambição de correr o mundo – e aquilo que ele tem de melhor.

Por Wilson Ledo

Quando se chega ao número 136 da rua de São José, em Lisboa, a pequena e intimista sala está já bem preenchida. Porque é assim que se quer A Cozinha do Sr. Lisboa: cheia – de gente e de petiscos para descobrir!

Neste restaurante, a carta não sente a obrigação de mudar a cada estação: vão sendo feitas alterações pontuais consoante as vontades e inspirações do chef Pedro de Sousa. Como acontece com a cerca de meia dúzia de novos petiscos que há agora para provar.

Este é um restaurante pensado e feito ao pormenor. A mesa onde o Onde Ir ficou, por exemplo, replicava um fogão antigo. Neste cenário, onde tradição e inovação se aliam, é então altura de falar sobre as propostas gastronómicas. Para um jantar composto, para duas pessoas, três pratos será o número ideal.

Escolha o que escolher, há um primeiro passo obrigatório: o “couvert” com requeijão de Azeitão, dois tipos de manteigas e um inesperado molho Bulhão Pato onde vai querer molhar o respetivo pão de Mafra muitas vezes (3,5 euros).

Neste ponto da refeição, já é possível perceber que o serviço, além de atencioso, é rápido – mesmo com a casa cheia. Entre sorrisos, começam a chegar à mesa algumas das novidades da carta, como o camarão crocante com massa kadaif e maionese de wasabi e lima (12 euros).

A equipa do Sr. Lisboa vai sempre explicando como tirar o maior partido possível de cada prato. Foi o caso do arroz cremoso de tinta de choco com lula grelhada (15 euros), outra das estreias no cardápio. Ao introduzir um apontamento de gel de limão, o chef Pedro de Sousa consegue evitar que este prato se torne demasiado pesado ou repetitivo.

Na carne, a escolha foi para um tártaro de novilho (14 euros), que primou pela frescura. Como comer também é uma experiência visual, convém dizer que este prato vem para a mesa pronto a ser “desfeito”. É que, para envolver o preparado na gema de ovo, é preciso desfazer todo o trabalho de empratamento – o que, ao seu jeito, lhe dá uma certa graça.

Apesar das novidades, há pratos que a equipa do Sr. Lisboa faz questão de manter. É o caso do Polvo Chimichurri (12 euros), onde este tenro molusco se deixa envolver por um molho feito com várias ervas aromáticas. Sabe a Portugal, sim, mas com um toque de mundo, como bem procura este restaurante na sua carta.

E a sobremesa, também permite uma sensação de sair da “zona de conforto”? Certamente, mesmo escolhendo um Pudim Abade de Priscos (6 euros). O que faz a diferença é a combinação com o crumble de amêndoa, o gelado de lima e manjericão e o gel de ananás dos Açores. Os toques cítricos evitam que a sensação doce seja tão intensa no paladar.

A Cozinha do Sr. Lisboa não deixa espaço para problemas de consciência. Se for o caso, a dieta merece ser quebrada, embora haja várias opções mais saudáveis para escolher. A nossa sugestão é que junte um copo de vinho e esqueça o tempo lá fora. Jantar aqui é uma experiência segura – mas sem o aborrecimento de já se saber com o que contar.

 

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