Picamiolos: comer com a cabeça

É costume dizer-se que, à mesa, gostar-se ou não de um prato tem muito que ver com o que vai na nossa cabeça. O Onde Ir desafiou-se e foi provar a carta deste novo restaurante em Lisboa.

Por Wilson Ledo

À entrada, uma cabeça gigante de porco dá-nos as boas vindas. Ao subir ao primeiro piso, onde está a área mais ampla do Picamiolos, deparamo-nos com mais duas. Sempre de animais – ou não fosse a carne o prato forte deste restaurante.

As portas estão abertas na Rua do Corpo Santo, em Lisboa, desde outubro. Depois da experiência do By the Wine, Ricardo Santos e Leonor Brito quiseram aventurar-se em mais um restaurante. E, para isso, convidaram o chef José Júlio Vintém, que trouxe consigo as influências da cozinha alentejana. Juntos, tiveram de selecionar de entre quase 500 receitas para definir a carta do Picamiolos.

O resultado é um restaurante amplo e cheio de luz – com mais de uma centena de lugares e espaços mais recatados para grupos -, onde a carta é um autêntico desafio mental aos amigos e familiares mais “esquisitinhos”. É que no Picamiolos não há desperdício, com as partes menos habituais de diferentes animais a chegar à mesa.

“Este é para os duros”, avisa-nos sempre Leonor Brito, a proprietária, quando se dá o caso. Começa depois aí um verdadeiro jogo de expectativas entre aquilo que os nossos olhos vêem e as ideias pré-feitas que trazemos em relação a determinados alimentos. Porque o que é servido não só é preparado com cuidado como também agrada aos olhos.

Focinho de porco

O Onde Ir deixou os “receios” em casa e provou tudo o que chegou à mesa: pétalas de toucinho (6€), focinho de porco (9€), costelas de coelho fritas (12€), rebuçados de cação (10,5€) ou cabeça de borrego (com miolos, língua e bochecha, 11€). A cada prato, vamos sendo surpreendidos com as texturas de carnes que, horas antes, juraríamos não comer por tudo o que há de mais sagrado nesta vida.

Costelas de coelho

Contudo, ir ao Picamiolos não tem de ser uma experiência exclusiva para “duros”. Os mais tradicionais nas suas escolhas encontram, certamente, opções. A garantia é de que os donos deste restaurante procuram os produtos mais frescos, nem que para isso tenham que dar várias voltas ao país. O pão, por exemplo, por ser mais crocante, vem do Algarve.

Tecolameco

Nas sobremesas, as quatro opções mostram-se certamente menos fraturantes que os pratos. Para os amantes de chocolate, a mousse com crumble de bacon é inevitável (5€). Para viajar até ao Alentejo, a escolha deve ser o tecolameco com gelado de iogurte (6€). Já a nossa preferida, pelo contraste de sabores, foi mesmo a boleima com gelado de caramelo salgado (6€).

E, você, aceita o desafio de se deixar levar pelo paladar e não pela cabeça?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.