Porto recebe 5.ª edição do MEXE

A 5ª edição do MEXE – Encontro Internacional de Arte e Comunidade decorre entre 13 e 22 de setembro, em 22 salas e espaços públicos do Porto para promover o debate em torno da construção espaços criação, participação e cidadania em tempos de instabilidade política e social. Cinema, dança, oficinas, conversas, palestras, marchas, música, exposições e performance vão envolver mais de 400 pessoas e 27 grupos provenientes de seis países com uma programação que promete dar que falar.

De 13 a 15 de setembro a pré programação do Mexe arranca com um fim de semana dedicado ao cinema documental. Serão sete documentários, na sua maioria em estreia nacional, que revelam processos e práticas artísticas que se cruzam com educação e cidadania. O pré-Mexe incluirá ainda a apresentação de “Tu e Eu, e agora?”, uma peça do Triumph’arte – Grupo de Teatro Comunitário de Esposende e “#nãoénão”, uma criação do Núcleo de Teatro do Oprimido do Porto / PELE. As sessões de cinema terão lugar no Cinema Trindade e Associação de Moradores da Lomba, sendo seguidas de uma conversa com os realizadores e envolvidos. 

Ao longo da semana o destaque vai para a programação do Mexe Praça, um ponto de encontro e discussão aberta que servirá como espaço de contacto com a cidade e o público do encontro. Localizado no Jardim de São Lázaro, será palco de uma programação musical diversa, a produção de uma fanzine diária, conversas e aparições improváveis.

O Mexe Praça será ainda o palco para o espetáculo de abertura, ilha-jardim, uma criação original da PELE que ensaia novas formas de habitar o espaço de vizinhança. Um ensaio sobre povoar lugares inexistentes e transformar os lugares de sempre, numa projeção do jardim como uma ilha suspensa do mundo, para o mundo ser mais como devia. 

No Teatro Carlos Alberto, destaque às estreias nacionais de “Istoé um Negro?”, uma proposta sobre o que é ser negro e negra no Brasil, que tenta construir estratégias de questionamento sobre a perpetuação do racismo estrutural; a proposta original de António “Bukhar” Ssebuuma e Faizal Mostrixx Ddamba, “Empty the Space”, que transforma o movimento num diálogo sobre o espaço nos tempos modernos, num jogo constante entre a dança contemporânea e os ritmos mais tradicionais de África; e de Synectikos, a mais recente criação do espanhol Coletivo Lisarco, dedicado à dança, que trabalha nomeadamente com bailarinos com Síndrome de Down. 

Também do Brasil, “Quando Quebra Queima”, um espetáculo construído por estudantes que viveram o processo de ocupações e manifestações do “movimento secundarista”. A ColectivA Ocupação realizará ainda uma oficina com jovens da cidade e uma conversa em parceria com a Fundação de Serralves.  Com intensa vocação para o espaço público esta edição traz-nos ainda as propostas nacionais de Tânia Dinis em colaboração com moradores e ex moradores das Fontaínhas, Flávio Rodrigues num trabalho coral com a participação de alunos do Seminário Maior do Porto, o Coletivo Suspeito com intervenções nas estações de Metro da Trindade e de Comboios de Campanhã, e aos quais se acrescenta o Atelier Ser com uma proposta participativa a ter lugar na Feira do Cerco e Praça dos Poveiros.

No campo do pensamento “o comum” concretiza-se na 3ª edição do Encontro Internacional de Reflexão sobre Práticas Artísticas Comunitárias, uma organização conjunta entre 9 entidades de ensino superior, portuguesas e estrangeiras, que contará com a participação de mais de 100 investigadores. 

O MEXE integrará ainda uma mão cheia de oficinas, conversas, apresentações de livros e instalações que envolverão diretamente mais de 300 cidadãos do Porto. Esta edição mantém o acesso gratuito a praticamente toda a programação e interpretação em Língua Gestual Portuguesa.

A programação completa do evento pode ser consultada em mexe.org.pt

 

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