Quem quer partilhar com o Sr. Lisboa?

Fica nos números 134 a 136 da rua de São José, em Lisboa, o restaurante que hoje lhe vamos falar. Embora possa passar despercebido do lado de fora, portas adentro, quer a decoração quer a gastronomia que ali se serve não deixa ninguém indiferente.

Por Sandra Martins Pereira

Outrora tasca antiga, o Sr. Lisboa – assim se chama o espaço em questão – mantém o espírito de partilha. Sim, a comida é para partilhar, assim como as conversas, as nossas e as que se ouvem da mesa ao lado. Com apenas 35 lugares, este restaurante promete estar para ficar.

Quando em 2016 Francisco Breyner, o jovem proprietário por trás deste projeto, decidiu apostar no ramo da restauração, tinha em mente um outro tipo de espaço, talvez integrado num centro comercial. Os planos, no entanto, não saíram exatamente como imaginara e numa das suas voltas de reconhecimento do local, decidiu entrar naquela tasca. Depois de algumas conversas acabou por fazer negócio.

Mangas arregaçadas e algumas limpezas depois, Francisco Breyner, juntamente com mais dois sócios abrem portas. Mas só em 2017, o Sr. Lisboa viria a transformar-se naquilo que é hoje.

Para o jovem empreendedor, atualmente com 24 anos, o ramo da restauração não era de todo um mundo desconhecido, já que desde tenra idade se habituou ao ofício no restaurante do pai. Com poucos recursos, mas muita vontade de singrar, o engenho fez a arte e a decoração surge da recuperação de algum mobiliário e alguma imaginação.

Quem entra no Sr. Lisboa não deixa de reparar nas frigideiras que caem do teto ou nos candeeiros feitos com os tambores das máquinas de lavar roupa.

Da antiga tasca resta apenas o grande painel de azulejos que ocupam quase toda a parede da sala de refeições, enquanto as mesas – todas diferentes – foram recuperadas. No seguimento do balcão deparamo-nos com uma pequena garrafeira que sobressai da parede, com as garrafas amparadas por entre duas colheres de pau que lhe servem de suporte. Ao lado, pequenos tachos completam a mesma tarefa. Aliás é também nos mesmos tachos que nos chegam à mesa o vinho escolhido como se de um balde de gelo se tratasse. Português com certeza, mas em breve haverá também internacionais.

Nem a casa de banho escapa a esta decoração tão peculiar, mas nós não lhe vamos contar o segredo, terá de descobrir por si mesmo.

Pratos para partilhar

Mas falemos do que importa: a comida. Pratos para partilhar é este o espírito do menu do Sr. Lisboa. A oferta é variada e sai das mãos de outro jovem, o chef Pedro de Sousa, de 23 anos, que há pouco se juntou à equipa.

Aconselham-nos três pratos e um acompanhamento. Nós dizemos que ficámos muito bem com a recomendação e só por gulodice ainda arriscámos na sobremesa.

Apesar do menu executivo disponível todos os dias à hora do almoço, é ao jantar que a casa se enche para experimentar as iguarias do chef.

Para começar, o pão de Mafra, o Requeijão de Azeitão, as manteigas de aneto e limão e a de azeitona negrinha seriam por si só suficientes, mas ainda nos brindam com um Molho à Bulhão Pato que poderá finalizar com umas gotas de limão.

Segue-se o Atum braseado com várias texturas de batata doce e vinagrete de nozes e soja (14€). Uma verdadeira explosão de sabores na boca.

E porque os olhos também comem e “enganam” os sentidos, seguiram-se uns Croquetes de Bacalhau à Brás (8€) em cama de maionese de azeitona verde.

A explodir, não de lava, mas de sabor chegou o Vulcão de bacalhau, com migas de chouriço, alho e coentros (16€). Delicioso.

Se não é apreciador dos pratos que degustámos, não se aflija, pois o menu é extenso e com certeza encontrará algo do seu agrado, senão veja: Camarão Sezchuan (12€); Leitão com calma (14€); Pica-pau de Touro Bravo (9€); Se a Alheira falasse (10€); Pés de Cinderela (6€); Lombo de novilho com queijo da Serra da Estrela (16€); Nem tudo é queijo (9€); Feijoada de cogumelos (9€); Ovos revoltados (7€), entre outros.

Nos acompanhamentos, e apesar de não termos experimentado nenhum, pode escolher Arroz malandro de grelos e queijo de São Jorge (4,50€), Mousseline de feijão manteiga e azeite de trufa (3,00€) e ainda Batata parva (3,00€).

O pecado da gula, esse, foi mais forte do que nós e não saímos dali sem provar pelo menos duas sobremesas: Chocolate – 7 min e Pudim Abade de Priscos.

O primeiro apresenta várias texturas de chocolate e acompanha com um gelado de gengibre por cima do praliné de chocolate e petazetas. O segundo surge acompanhado de um crumble de avelã, gelado de limão e redução de manjericão e ananás. Mas há mais… afinal temos a certeza que queremos voltar para experimentar o resto.

 

Mais informações:

Restaurante Sr. Lisboa

Rua de São José n.º 134 136, 1150-325 Lisboa

Telefone: 213 423 512

Horário de atendimento: de segunda a domingo, das 12h00 às 23h45

Preço médio para duas pessoas: 50€

Não tem multibanco

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.