#Treestory: a Geórgia tem origens frescas para partilhar

Visitar o primeiro restaurante georgiano em Portugal é um exercício de aprendizagem, principalmente sobre o que une dois países em pontos tão opostos da Europa. O #Treestory alia o lado familiar e a tradição com a modernidade e a aparência que faz sucesso nas redes sociais. Depois de experimentar, Khachapuri vai tornar-se uma das suas palavras preferidas.

Por Wilson Ledo

“A comida georgiana não se pode comer sozinho”. Perante o ensinamento de Irina Prokudina, uma das criadoras do #Treestory, não nos resta outra opção que não seja partilhar. Seja à mesa ou nas redes sociais – ou não fosse este um dos restaurantes com a comida mais deliciosa e fotografável de Lisboa.

É assim desde agosto do ano passado, quando abriu portas o primeiro restaurante georgiano em Portugal. Bastante discreto quando se passa pela Rua Luciano Cordeiro mas uma autêntica caixinha de (boas) surpresas quando se começa a percorrer o menu. “A nossa carta é um ‘bouquet’ do melhor da gastronomia georgiana”, reforça Irina.

O #Treestory (sim, com #, a pensar nas redes sociais) é o resultado de um sonho de uma família que se apaixonou por Portugal. Há muito que passavam férias no país e, assim, foram descobrindo as semelhanças com a gastronomia da terra natal, a Geórgia. Em ambos os países há carne, queijo e vinho em abundância. “A diferença está nas especiarias e na forma de cozinhar”, continua Irina.

É no cuidado, no lado caseiro, que este restaurante tem o seu ponto forte. Doses generosas, com temperos que nos alargam o paladar, que procuram manter-se o mais fiéis possível às receitas tradicionais georgianas. Irina Prokudina, que acompanhou o Onde Ir nesta refeição, vai-nos dando ensinamentos preciosos sobre a cultura da Geórgia e sobre o que distingue o país dos seus vizinhos do Cáucaso.

Para começar, mostrando que os vegetais são um ponto forte desta gastronomia, um sortido de pkhali, beringela e cenoura. Uma opção que é bastante fresca e indicada para os dias quentes que aí se aproximam. (E, por falar nisso, o #Treestory conta com um terraço muito convidativo seja para apanhar banhos de sol ou de luar.) Mas voltemos à carta: a acompanhar esta etapa da refeição, experimente também um crocante chvishtari, um bolo de milho frito com recheio de queijo – bem típico na Geórgia.

Queiramos ou não, não há como fugir à etapa seguinte da refeição. Visitar este restaurante e não experimentar um Khachapuri é uma oportunidade desperdiçada. O Khachapuri da Ajara Barco revela, logo no nome, a sua região de origem e o seu formato. Contudo, é no recheio desta tarte quente que se encontra o verdadeiro pecado: queijo derretido e ovo, para misturar.

Não tenha medo de sujar as mãos e siga a tradição. Irina Prokudina conta que este prato deve ser servido inteiro. Na Geórgia, se o pão chegar à mesa partido a meio por uma faca, é motivo mais do que suficiente para mandar de volta para a cozinha – no #Treestory não corre esse risco, é certo. Partir o Khachapuri com as próprias mãos torna tudo bem mais delicioso – e familiar. Para ajudar a descer, dê uma oportunidade a um refrigerante de pera importado da Geórgia.

Para os resistentes, que ainda tenham espaço para experimentar a carne, a sugestão vai para a carne de vaca guisada com tomate. O sabor é apurado e acaba, instintivamente, por nos fazer recordar a gastronomia alentejana – já tínhamos avisado que há muitas pontes. A garantia, todavia, é de que aqui se seguiu à risca a receita tradicional georgiana. “Em Portugal tivemos de adaptar no arroz e na batata como acompanhamentos”, confessa Irina. É que, do outro lado da Europa, esses hábitos estão longe de ser uma realidade.

O restaurante aposta numa decoração minimalista e acolhedora que mostra, uma vez mais, como os países estão ligados. Uma laranjeira, pintada à mão, espalha-se pela sala, carregando um significado muito próprio: esta árvore pode ser encontrada tanto na paisagem georgiana como na portuguesa. Depois, em árabe, Portugal significa laranja.

Aspetos tão simples que revelam uma capacidade maior do #Treestory: a de contar histórias. Como numa verdadeira família.

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