Um dia em… Vizela

Apenas a 40 minutos do Porto e 10 minutos de Guimarães, considerada em tempos a “rainha das Termas de Portugal”, a cidade de Vizela quer ficar bem marcada no mapa, não só pela sua identidade termal, mas também pelo turismo religioso, pela natureza que a envolve e pela sua gastronomia.

Por Patrícia Caneira

Reerguer a cidade através do turismo é o objetivo do município e face à dificuldade de encontrar guias turísticos, a Câmara Municipal lançou no passado dia 15 de maio, uma aplicação de realidade aumentada, a Avicella, cujo nome se inspirou numa ave que ali existia.

A aplicação que está já disponível em todos os dispositivos é um mapa turístico digital que permite aos visitantes marcar encontro com personagens históricas como o escritor Camilo Castelo Branco, Joaquina Pedrosa da Silva, que inventou o tradicional bolo bolinhol e com as tradições locais, como a banda filarmónica a tocar no coreto ou a procissão de São Bento das Peras.

A Avicella pode ser descarregada gratuitamente e está disponível em português e inglês. Depois de instalada, está na hora de começar a visita.

Pela manhã, comece por visitar a Bica Quente, que remonta ao tempo dos romanos e que segundo a lenda, quem ali molhar a mão, de Vizela não voltará a sair. Já no Jardim Manuel Faria, o verde das árvores, o repuxo no centro e o coreto apresentam de forma simples os elementos característicos da cidade.

Pelo centro, não resista a passar pela Casa Pão-de-Ló Delícia para um café e para provar o tradicional bolinhol, criado em 1880 e que junta uma massa húmida coberta de uma camada de açúcar irresistível. Se ficar encantado, o que de certo vai acontecer, leve como recordação uma caixa desta iguaria.

As Termas são a próxima paragem. A presença de águas termais na região remonta ao séc. XVIII e as primeiras instalações foram criadas em 1785. Hoje, o espaço, de linhas modernas e minimalistas, está ocupado por diversas salas de tratamentos destinados a problemas de pele e respiração, por exemplo. Agora para além da questão da saúde, junta-se o bem-estar e o spa, as massagens relaxantes e os tratamentos estarão em breve abertos ao público.

A gastronomia de Vizela para além de diversificada é também conhecida pela quantidade e qualidade. Se procura um local tradicional que lhe permita um almoço inesquecível o destino é o restaurante Águia D’ouro. Aberto há 29 anos, oferece a quem lá passa um repasto que é difícil esquecer. Para começar a mesa fica repleta de iguarias caseiras: pataniscas de bacalhau, sardinhas fritas, pastéis de peixe, pimentos assados, cebolinha jovem com molho vinagrete, queijos e presuntos.

Nos pratos principais o nispo de vitela brilha num tabuleiro de barro e o bacalhau à Lavrador, junta broa, azeite e batata com a peculiaridade do bacalhau velho, com quatro anos e de cura amarela que lhe dá um sabor inigualável.  A acompanhar, a cor rosada do vinho espadal, engarrafado pelo restaurante anima a refeição e dá o rumo certo para a sobremesa, que mesmo depois do banquete já servido vem deixar felizes os que prontamente se sentaram à mesa. O bolinhol chega com queijo da serra e figos em calda, o leite creme queimado é mais cremoso que o habitual e tem uma cor amarela que nos arregala os olhos e ainda o pudim abade priscos que completa a festa.

Depois de uma refeição que valeu por mil o melhor programa é subir rumo a São Bento de Peras, onde pode visitar as capelas, os espaços verdes e os miradouros. Depois, volte a descer ao centro de Vizela e faça mais uma caminhada pelo Parque das Termas onde se cruza a diversidade da vegetação com as atividades desportivas e de lazer.

Já que por aqui está, a paragem para jantar faz-se no Chalé do Park, onde pode provar o bacalhau à Zé do Pipo, prato oficial da cidade. Como o dia já vai longo, faça check-in no Hotel Bienestar, que fica mesmo no centro e permite uma noite silenciosa num ambiente moderno.

Há lugares perdidos entre vales que valem a pena encontrar. Vizela é um deles e quer abrir portas a todos os curiosos. A dica é simples: entre, mas leve a barriga e a mente vazia, vai colecionar mais memórias do que imagina.

 

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