Vasco Wellenkamp: “Viajar é ganhar mundo”

A Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo (CPBC) estreia a 10 de abril – no Teatro Camões, em Lisboa – “Na Substância do Tempo”, um espetáculo que homenageia Sophia de Mello Breyner Andresen no centenário do nascimento da poetisa. Nesta conversa com o Onde Ir, Vasco Wellenkamp, um dos fundadores da companhia, fala-nos da dança como uma forma de viagem. E das suas cidades favoritas para assistir a esta forma de arte.

Por Wilson Ledo

Vasco Wellenkamp

Como nasce esta vontade de homenagear Sophia de Mello Breyner Andresen em “Na Substância do Tempo”?

Surgiu de um convite da comissão das comemorações do centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Sophia escreveu muito sobre o mar, que é um dos elementos que associamos a longas e difíceis viagens. São adjetivos que associaria ao percurso feito pela Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, que fundou em 1998?

Não necessariamente. Mas a CPBC, de facto, viajou muito em digressões nacionais e internacionais, com o objetivo de divulgar a dança contemporânea portuguesa.

Como diz, a CPBC tem já um percurso internacional, conquistado ao longo de várias décadas. Há alguma paragem deste percurso ou algum palco pisado que tenha sido mais marcante?

O Joyce Theater, em Nova Iorque. É um teatro com uma política bastante exigente do ponto de vista da qualidade artística da sua programação. Levámos o “Amaramália”, que teve um extraordinário sucesso, o que nos abriu as portas da internacionalização.

Enquanto criador ligado à dança contemporânea, tem locais do mundo onde já seja hábito ir quando procura inspiração? Se sim, quais?

Nunca viajei com a intenção de procurar inspiração para o meu trabalho. Normalmente, leio muito e retiro da leitura e da boa música a energia criativa que me impulsiona. Mas, se porventura pensasse em procurar uma cidade para ver boa dança – ou seja, a dança que dança – iria a Amesterdão ou a Nova Iorque.

Porquê?

Porque, em qualquer uma destas cidades, os teatros oferecem uma escolha que acolhe várias correntes artísticas da dança contemporânea, onde se pode ver do mais primitivo experimentalismo às novas correntes artísticas. Particularmente, na linha artística onde me movo, no entrelaçamento da grande lição da dança clássica com a riqueza expressiva e a liberdade criativa das linguagens contemporâneas.

Dançar é, também para si, uma forma de viajar?

Sim. Percorri meio mundo em digressão com as companhias que integrei, o Ballet Gulbenkian e, sobretudo, a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, assim como as muitas que me convidaram a coreografar. Viajar é, acima de tudo, ganhar mundo: compararmo-nos com os outros e, muitas vezes, percebermos que não somos inferiores em nenhuma matéria. Mas também aprender e preencher aquilo que nos falta no interior das nossas condições ontológicas e das circunstâncias que nos rodeiam.

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