Villa Silene: pernoitar aos pés da Serra da Estrela

No fim de semana de 1 a 3 de fevereiro metemo-nos à estrada para dois dias longe do burburinho citadino. Rumo a Tortosendo, a poucos quilómetros da Covilhã, um bocadinho à descoberta tínhamos reservado um quarto familiar num Turismo Rural: a Villa Silene.

Por Sandra Martins Pereira

As imagens que nos apareceram aquando da nossa pesquisa foram suficientes para tomarmos a decisão e partir em busca da tão desejada paisagem branca, que a Serra da Estrela prometia para esse fim de semana.

“Empurrados” pela depressão Helena, que na passada sexta-feira assolou o país de norte a sul, lá chegámos ao nosso destino, bem depois da hora a que nos tínhamos proposto, uma vez que o temporal requeria uma condução ainda mais cuidada.

Pelo caminho informámos o alojamento que chegaríamos mais tarde. Do outro lado da linha surge uma voz feminina: “Dona Sandra venham com cuidado, nós cá estaremos à vossa espera”. Ana, assim se chama a jovem proprietária do alojamento turístico, que depois de alguns anos a trabalhar na Câmara Municipal da Covilhã, decidiu dedicar-se de corpo e alma a esta nova atividade.

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A seu lado tem o pai Domingos, um economista, que até então nunca se vira envolvido em turismo. A quinta, com 3.500 hectares, era utilizada para as férias da família e amigos, mas a crise acabou por a tornar dispendiosa de mais: “A Ana estava muito cansada do trabalho que tinha e propôs-me que fizéssemos um Turismo Rural”.

E foi assim, que há dois anos e meio, os barracões existentes deram lugar às duas casas em pedra e mais recentemente, da antiga casa de habitação, do século XX, surgiu a zona comum da Villa Silene, com uma sala para pequenos-almoços e jantares, duas salas de estar com lareira e uma sala de bilhar, e ainda mais uns quantos quartos.

Ao todo a Villa Silene conta com 10 quartos com temas que se dividem entre Quarto Floral, Quarto Rural, Quarto Romance, Alojamento familiar e Alojamento casa. Os hóspedes podem ainda usufruir da piscina, entre 15 de junho e 15 de setembro, e do campo de ténis.

Para breve estão ainda pensadas algumas atividades como revelou ao Onde Ir, Domingos: “A ideia é que os hóspedes possam ter experiências, para isso temos uma queijaria, onde faremos queijo de ovelha”.

O dia seguinte

Mas voltemos à nossa experiência. Já passava das 23h00 quando chegámos ao portão da Villa Silene, que ao envio de uma sms se abriu diante de nós. Na entrada da zona comum lá estava Ana e o pai. À nossa frente o lume crepitava da lareira, enquanto um jovem casal bebericava um dos licores caseiros que os anfitriões simpaticamente disponibilizam.

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Apresentações feitas encaminhamo-nos para o nosso quarto familiar, que já nos esperava com uma temperatura amena, que nos fazia esquecer a “Helena” que até ali nos tinha atormentado. Na casa de banho, os sabonetes feitos pela Ana e o toalheiro aquecido.

E depois de uma noite bem dormida, eis que uma surpresa nos surge da janela da casa de banho. Lá em baixo, no extenso terreno que envolve a quinta, por entre as árvores de fruto, um rebanho de ovelhas rumina pacientemente as ervas.

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O sol bafeja o dia e eis que nos pomos a caminho do pequeno-almoço. À nossa frente, várias mesas de madeira estão já colocadas com os pratos e talheres e na grande mesa central, o pão e as compotas caseiras, os queijos de ovelha e de cabra, os cereais, o sumo de laranja e de frutos silvestres natural, o cheiro do café acabado de fazer são irresistíveis ao comum dos mortais.

É também nesta sala, que por vezes Domingos e Ana recebem grupos para jantar. A couvada de bacalhau, o cabrito estonado e outras tantas iguarias podem muito bem chegar à mesa, basta que marque com antecedência.

E lá partimos rumo à Serra da Estrela. A apenas seis quilómetros de distância lá estava a mancha branca de neve que tanto ansiávamos ver. O nevão que caíra durante a noite, pintara a serra, atraindo muitos curiosos, incluindo nós.

Apesar da Torre estar encerrada, a diversão, essa não ficou por mãos alheias, e de trenó em punho lá fizemos não ski, mas muitas vezes “sku” por entre gargalhadas e muitas bolas de neve arremessadas pelo ar.

Depois de tanta agitação e já perto da hora de almoçar, descemos um pouco a serra em direção ao restaurante Medieval do Hotel Serra da Estrela, onde nos deliciámos com as iguarias do buffet. São 20€ por pessoa e pode comer o que quiser. A oferta é variada, desde queijos, saladas frias, feijoada de lebre, secretos, salmão e uma mesa de sobremesas onde nem a aletria ou as peras bêbedas faltaram.

Refeição tomada partimos em direção a Seia, serpenteando a serra toda branca, rumo ao Museu do Pão. Embora já não tivéssemos chegado a tempo da última visita, ainda conseguimos comprar três belos exemplares na mercearia do museu: Pão de chocolate, pão de aveia e cereais e ainda uma broa de milho. Qual deles o melhor.

E porque o pão precisa de companhia, o Queijo da Serra da Estrela e um frasco de mel completaram as nossas compras naquele espaço. Metros abaixo, a paiola e uma manta de lã complementaram as nossas compras regionais.

E de novo na estrada regressamos à Villa Silene, cujo nome se deve a uma planta autóctone daquela região. Depois de nova noite bem dormida e um pequeno almoço a condizer, o mais pequeno da equipa Onde Ir teve ainda tempo para ir dar umas maçãs às “joaninhas”, como carinhosamente Ana chama às suas ovelhas.

Despedidas feitas e a promessa de regressar em tempo estival para experimentar a piscina e a zona ajardinada, que em breve será acrescentada à zona do alojamento.

 

Mais informações:

Villa Silene

Quinta do Prazo, EN 18-4, 6200-826 Tortosendo, Portugal

Telefone: (+351) 275 950 373

Telemóvel: (+351) 926 028 117 / 966 429 158

E-mail: info@villasilene.pt

Site: www.villasilene.pt

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