VISEU

A Pousada de Viseu comemorou dez anos em fevereiro. Este aniversário redondo é motivo mais do que suficiente para nos fazermos à estrada e conhecer uma nova cidade. Calma, proximidade e simpatia são três palavras que descrevem bem Viseu.

Por Wilson Ledo

ONDE DORMIR

Foram precisos quase cinquenta anos para erguer o Hospital de São Teotónio. Este é um dos edifícios que faz parte da memória coletiva de Viseu: muitos aqui nasceram, nesta unidade de saúde que funcionou entre 1842 e 1997.

O estado de degradação – como mostram algumas fotografias pelos corredores do hotel – acabaria por mudar-lhe a função. E assim, em 2009, nascia a Pousada de Viseu. Com uma vista privilegiada para o centro histórico da cidade, basta entrarmos no claustro do edifício para ficarmos boquiabertos com a sua dimensão. A um dos cantos, um raro cofre gótico, vindo de Lisboa, comprova essa grandiosidade.

Apesar do tamanho desta unidade hoteleira, com 84 espaçosos quartos, não há nunca uma sensação de frio. Seja pela forma atenciosa como está pensado o sistema de aquecimento, seja pela forma calorosa e familiar como somos recebidos. Há uma cultura de serviço e uma vontade de agradar naturais que favorecem o bem-estar de quem procura Viseu como um escape à confusão do dia-a-dia – seja em casal ou em família.

Mesmo em dias de outono ou inverno, a Pousada de Viseu é a “escapadinha” ideal. Um dos argumentos de peso é o spa do hotel, que funciona no espaço onde outrora existia a capela do hospital. Jacuzzi, sauna, banho turco e piscina interior vão tornar difícil a tarefa de sair do hotel e ir conhecer a cidade. Mas, acredite, há tempo para tudo. Vá a pé, relaxado, sem pressas.

 

Outras sugestões de alojamento: Viseu é uma cidade bem-servida de unidades de alojamento. No centro da cidade, destacamos também o moderno Montebelo Viseu Congress Hotel, com uma convidativa piscina exterior para os tempos de calor. Se procura aproveitar os ares do campo e não se importar de fazer uma viagem de 30 minutos de carro até ao centro de Viseu, fique alojado na Casa da Ínsua, um charmoso palácio barroco onde também pode aprender a fazer queijo da serra.

 

ONDE COMER

Viriato. Para quem procura uma refeição com requinte, o restaurante da Pousada de Viseu é a escolha acertada. Embora a carta seja variada, integrando sabores regionais, há um prato que lhe dirão ser obrigatório: a Vitela Assada à Lafões. Segundo a lenda, na época da ocupação árabe, dois irmãos procuravam competir pelo melhor prato. Um deles sugeriu ao rei um prato de carne assada, o outro um vinho refrescante. Acabaram por ganhar os dois. Para a sobremesa, opte por um pastel de Vouzela.

 

Aromático 64. O “brunch” é cada vez mais uma tendência e nem Viseu lhe foge. Ovos, tostas ou panquecas são algumas das sugestões deste restaurante que procura servir comida saudável. O ambiente é descontraído, mesmo com a casa cheia – o que comprova que até os locais já estão conquistados por estes sabores.

100 Papas na Língua. É uma das novidades na cidade e vai agarrar os amantes de carne, sobretudo de vitela. Bem no centro histórico de Viseu, este restaurante não esquece um lado moderno e sofisticado na decoração. Não se preocupe: na carta há também alternativas para vegetarianos.

Squisito. Não estranhe a localização deste restaurante, dentro do centro comercial Palácio do Gelo – onde também há um bar todo feito de gelo, num dos pisos abaixo. No Squisito, que significa bom na língua original, a gastronomia italiana é o forte, das pizzas às massas. Com muito espaço, um atendimento rápido e preços bastante acessíveis para a qualidade, é uma boa surpresa gastronómica em Viseu.

 

 

Pastelaria Amaral. Esta pastelaria tem vários recordes no Livro do Guiness e uma das iguarias doces que não pode deixar de experimentar se for a Viseu. Chama-se Viriato, como o antigo guerreiro, e é um bolo feito com doce de ovos e coco. Se estiver quentinho, acabado de sair do forno, ainda melhor.

 

O QUE FAZER

Sé de Viseu. Viseu é uma cidade fortemente ligada à religião e tem na Catedral de Santa Maria de Viseu o melhor exemplo. O atual edifício resulta das várias intervenções que foram sendo feitas ao longo dos séculos. Passear no seu interior e apreciar a sua dimensão implica reconhecer o esforço humano, numa altura em que a tecnologia como hoje a conhecemos estava longe de ser uma realidade na construção.

Museu Nacional Grão-Vasco. Desde 1916 que este edifício, pensado para funcionar como seminário, acolhe uma importante coleção de arte antiga, sobretudo quinhentista. O nome de Vasco Fernandes, o Grão Vasco, é aquele em destaque nestes corredores. Foi ele o primeiro pintor português a assinar os seus quadros. Sente-se e tire uns minutos para apreciar os 18 painéis do antigo retábulo da capela-mor da Catedral de Viseu.

 

 

Museus Municipais. Ao caminhar a pé por Viseu, além dos jardins e praças, temos a certeza de que se cruzará com vários museus da rede municipal, de entrada gratuita. Junto ao Rossio encontra o Museu Almeida Moreira, com a coleção daquele que foi o primeiro diretor do Museu Nacional Grão-Vasco. Fique a conhecer também a rica história de Viseu e os seus protagonistas no Museu da História da Cidade e ainda na Casa da Ribeira.

Solar do Vinho do Dão. Encare este palacete no Parque Fontelo não como um ponto de chegada, mas antes como um ponto de partida: o início de uma viagem por toda a região vinhateira do Dão, com as suas quintas e adegas. Neste solar poderá obter essa informação e provar alguns dos “licores dos deuses” que os viseenses fazem questão de cultivar na sua mesa.

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